Organização indígena do Equador denuncia ameaças contra seu presidente

Quito, 8 de julho (Prensa Latina) - A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) denunciou hoje ameaças contra seu presidente, Marlon Vargas, no contexto do conflito por território ancestral na província amazônica de Napo.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira nas redes sociais, a organização indígena alertou para a "incitação à agressão" contra Vargas.

A CONAIE responsabilizou os funcionários e a equipe de segurança ligados à empresa Terra Turismo S.A. por qualquer ato de intimidação ou violência que atinja o líder ou as comunidades mobilizadas em defesa do território.

O grupo alertou que esses eventos ocorrem em meio à defesa do território ancestral de Tzawata-Ila Chukapi e à Assembleia Regional Extraordinária da Confederação das Nacionalidades Indígenas da Amazônia Equatoriana (CONFENIAE).

A organização afirmou que as ações relatadas fazem parte de uma estratégia para dividir as comunidades, colocar os membros da comunidade uns contra os outros e agravar o conflito territorial.

A denúncia surge após a CONAIE e a Aliança pelos Direitos Humanos terem emitido um alerta no início de junho sobre uma tentativa de despejo da comunidade Kichwa de Tzawata-Ila Chukapi, que deixou três pessoas feridas.

Segundo ambas as organizações, na ocasião, cerca de 200 pessoas, supostamente ligadas à Terra Turismo S.A., entraram no território ancestral com facas, lanças, motosserras e máquinas pesadas, um ato que os moradores interpretaram como uma tentativa de despejo forçado.

O conflito, de acordo com as organizações indígenas, remonta a uma disputa de mais de uma década sobre aproximadamente 627 hectares de território ancestral que teriam sido concedidos à Terra Turismo S.A. por meio de procedimentos que consideram irregulares.

A empresa, por sua vez, nega o envolvimento em atividades de mineração e se apresenta como uma empresa agrícola.

Em resposta à situação, a Aliança pelos Direitos Humanos apelou ao governo equatoriano para que tome medidas urgentes a fim de proteger a segurança dos membros da comunidade, prestar assistência médica aos feridos e conduzir uma investigação independente sobre os acontecimentos relatados.

A Confederação dos Povos da Nacionalidade Kichwa do Equador (Ecuarunari) também condenou o incidente, afirmando que constitui uma violação dos direitos coletivos dos povos e nacionalidades indígenas.

Fonte: Prensa Latina

Publicado pelo Inverta em 10 de julho de 2026

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