Argentinos cansados do governo de Javier Milei, diz pesquisa
A pesquisa nacional também constatou que o desempenho do presidente, de sua irmã e Secretária-Geral da Presidência, Karina Milei, e do Ministro da Economia, Luis Caputo, também é desaprovado por 64,5%.
A Zuban-Córdoba observa em seu relatório que apenas 34,3% do público aprova o trabalho do Poder Executivo.
A consultoria enfatiza em seu relatório a importância desses números "não porque as porcentagens tenham mudado drasticamente em comparação com o mês anterior, mas porque uma tendência está se consolidando" na desaprovação do governo liderado pelo presidente Javier Milei. Esse desequilíbrio (64,5% de desaprovação e apenas 34,3% de aprovação) revela um governo com sérios problemas políticos na metade de seu mandato, afirma o relatório.
Os dados da pesquisa nacional realizada entre 25 de abril e 1º de maio confirmam ainda mais uma divisão que o governo não conseguiu superar: quase 70% das mulheres desaprovam as políticas libertárias, quase 10 pontos percentuais a mais do que o índice de desaprovação entre os homens.
“Essa não é uma situação temporária ou um ruído estatístico; é um sinal estrutural que qualquer estratégia eleitoral libertária precisa levar em consideração, porque, sem recuperar terreno nesse segmento, será difícil ultrapassar a meta de 2027”, destaca a empresa de pesquisa.
Dentro do próprio partido governista, a imagem da equipe de governo revela outro paradoxo incômodo: quem se sai melhor é Patricia Bullrich, com 55,5% de imagem negativa, e não o presidente, cuja imagem negativa sobe para 60,6 pontos percentuais.
As outras figuras do governo — Karina Milei e o Chefe de Gabinete, Manuel Adorni, ambos com índices de imagem negativa superiores a 65% — estão sofrendo um declínio que não se limita mais à presidente, mas se estende a toda a estrutura política e de comunicação do governo La Libertad Avanza, alerta Zúban-Córdoba.
Ela destaca um fato relevante: 71,2% dos argentinos acreditam que uma mudança de governo é necessária, e estima que, em um contexto político, esse número soaria como o obituário de uma administração.
No entanto, a empresa de pesquisas ressalta que o cenário é complexo porque, embora uma sólida maioria queira mudança, isso não significa que saibam quem deveria liderá-la ou que confiem em qualquer alternativa concreta que lhes permita escolher um caminho diferente da proposta do governo atual.
Segundo Zúban-Córdoba, o governo LLA, com Milei à frente, perdeu a iniciativa política, mas a oposição ainda não encontrou seu rumo. Ela argumenta que, nesse empatamento de fragilidades, "quem conseguir primeiro articular uma proposta que combine credibilidade e ampla aceitação terá uma vantagem que nenhum outro ator no sistema político possui atualmente".
Fonte: Prensa Latina
Publicada pelo Inverta em 6 de maio de 2026

