Suspensão da Oposição Marca o Cenário Eleitoral no Equador
A suspensão por nove meses do movimento Ação Mobilizadora Independente Gerando Oportunidades (AMIGO), decidida pelo Tribunal de Contencioso Eleitoral (TCE) com base em uma investigação confidencial da Procuradoria-Geral da República, abriu um novo capítulo no cenário político.
A medida afeta diretamente a Revolução Cidadã (RC), o principal partido de oposição, que também está suspenso desde março por um caso semelhante apresentado pela Procuradoria-Geral da República.
A decisão de suspender o AMIGO deixou, por ora, dezenas de pré-candidatos da RC sem plataforma, forçando-os a buscar novamente outros partidos para participar das eleições locais.
Nesta quarta-feira, em entrevista a uma emissora de televisão local, a presidente do RC, Gabriela Rivadeneira, denunciou um novo obstáculo que poderia impedir seus representantes de participar das eleições, mesmo que encontrem outra organização que os aceite.
Ela explicou que os candidatos que iriam concorrer pelo Amigo já se desligaram do movimento e comunicaram ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
No entanto, Rivadeneira afirmou que o CNE ainda não registrou esses desligamentos em seu sistema, o que impediria os candidatos de concorrerem por outra organização.
“O problema é que, quando vamos apresentar as comunicações ao CNE, eles nos deixam em um limbo. Chamam isso de 'confinamento', um conceito jurídico que não existe”, declarou a líder, acrescentando que essa interpretação constitui uma nova forma de proscrição política.
“Estamos muito alertas porque essa será uma nova maneira de suspender ou proibir candidatos do RC com base nesse novo artifício jurídico”, declarou.
A líder do RC insistiu que sua organização participará das eleições e afirmou que diversas forças políticas nacionais e locais concordaram em aceitar candidatos do movimento de Correa, embora tenha se recusado a revelar quais para evitar represálias.
"Este é o momento de decidir entre democracia e ditadura, de escolher qualquer um menos a ADN (Ação Democrática Nacional), de escolher tudo menos a ditadura", declarou Rivadeneira.
O ex-presidente Rafael Correa (2007-2027), fundador e líder do RC, questionou "a manobra que o governo e o Conselho Nacional Eleitoral estão tentando fazer" para eliminar candidatos da oposição.
"Não contentes em eliminar ilegalmente o Amigo, os candidatos que participaram de suas primárias seriam 'confinados' e impedidos de se registrar em outras organizações políticas. Escandaloso, absurdo e ridículo, mas é isso que estamos enfrentando", escreveu X nas redes sociais.
O parlamentar andino Virgilio Hernández ecoou esses sentimentos, descrevendo a situação como evidência de uma deriva autoritária.
“O que estamos vivenciando é uma ditadura, pura e simplesmente”, afirmou Hernández, que declarou que o governo controla as funções do Estado, impede eleições “livres e competitivas”, persegue opositores e manipula a Constituição “para atender aos interesses do ditador e de seu grupo oligárquico”.
O Observatório das Liberdades Cidadãs uniu-se às manifestações de preocupação com a suspensão do Amigo e questionou o fato de a medida se basear em informações sigilosas que não podem ser submetidas a debate público.
A Aliança das Organizações de Direitos Humanos também considerou que a suspensão do Amigo, juntamente com a do RC e o cancelamento do movimento Construye, restringe a competição eleitoral e reduz as opções dos eleitores.
Da mesma forma, a Coordenação para a Paz, Soberania, Integração e Não Interferência (CPAZ) descreveu a situação como um “golpe eleitoral”. “Não se trata de defender um partido ou movimento específico. Trata-se de defender o direito do povo equatoriano à autodeterminação e à livre eleição de seus representantes”, declarou. O advogado e analista político Mauro Andino classificou a suspensão do RC e do movimento Amigo como "uma aberração legal", argumentando que não há precedentes semelhantes desde o retorno do país à democracia.
Em meio às denúncias e questionamentos, o Ministro do Interior, John Reimberg, confessou publicamente que "precisamos de prefeitos que trabalhem com o governo nacional; precisamos de prefeitos comprometidos com a mesma linha do governo".
Para os críticos, essa declaração reforça a percepção de que o Poder Executivo busca criar um ambiente político favorável antes das eleições de 29 de novembro, nas quais serão eleitos prefeitos, vereadores e outras autoridades locais.
Fonte: Prensa Latina
Publicado pelo Inverta em 24 de julho de 2026

