Brasil manterá comércio com EUA e China apesar de pressões, diz Vieira

O ministro disse que o governo Lula pretende preservar o diálogo com países de diferentes orientações políticas e avaliou que tarifas norte-americanas afetam economias de toda a região.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil pretende preservar suas relações econômicas com Estados Unidos e China e ampliar o comércio com outros mercados, sem aceitar pressões para reduzir vínculos com determinados parceiros. A declaração foi feita em entrevista exclusiva ao jornal argentino Clarín.

Ao ser questionado sobre a pressão de Washington para limitar a presença econômica chinesa na América Latina, o chanceler destacou que os Estados Unidos são o segundo parceiro comercial do Brasil.

"O Brasil tem relações muito importantes com os Estados Unidos, é nosso segundo parceiro comercial, e tem relações importantes com a ChinaA China não está presente apenas no Brasil, mas em toda a América", afirmou.

Vieira disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca ampliar a presença comercial brasileira em diferentes regiões. Segundo ele, as trocas com o Sudeste Asiático vêm crescendo, enquanto o governo também mantém relações com países europeus.

Vieira critica sanções como instrumento de pressão

O chanceler rejeitou o uso de medidas comerciais punitivas como instrumento de negociação. "Eu entendo que a política de pressões e de sanções não é útil, o que serve é a negociação", declarou.

Segundo Vieira, a política externa brasileira deve priorizar os interesses do país sem levar em conta a orientação política dos governos com os quais Brasília mantém relações.

"A Lula não interessa a política de outros países, como chefe de Estado está aberto a discutir e negociar com todos os países independentemente da posição política de cada um", afirmou.

O ministro acrescentou que o governo brasileiro não considera medidas punitivas um caminho para obter melhores condições em negociações. "Não é crível que uma ação punitiva vá melhorar a posição em uma negociação", disse.

Vieira também afirmou que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos produzem efeitos em diferentes países latino-americanos. Segundo ele, tanto Brasil quanto Argentina enfrentam impactos das medidas comerciais de Washington.

O chanceler avaliou ainda que o resultado das eleições legislativas norte-americanas pode provocar mudanças nessa política.

"Se perder as eleições legislativas, talvez isso tenha um reflexo sobre essa política tarifária e ela seja aliviada. Todos os países da região têm dificuldades com isso, incluindo a Argentina, e o Brasil também. Todos estamos sofrendo o impacto das tarifas norte-americanas", afirmou.

Fonte: RT Brasil

Publicado pelo Inverta em 10 de agosto de 2026

 

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