MANIFESTO DE 1º DE MAIO DE 2026

O Primeiro de Maio não é uma data de conciliação. É um dia de combate. Um dia de afirmação histórica da classe trabalhadora contra todas as formas de exploração que sustentam o modo de produção capitalista em escala mundial.
Vivemos um período em que a exploração do trabalho atinge novos patamares. A acumulação capitalista avança destruindo direitos, precarizando relações de trabalho e aprofundando a devastação ambiental. O capital já não se limita a explorar: ele exaure, descarta e reorganiza permanentemente a vida social em função do lucro. Diante disso, a classe trabalhadora precisa retomar sua capacidade de organização consciente e sua vocação histórica de transformação radical da sociedade.
A Crise Orgânica do Capital fez o modo de produção capitalista entrar em uma nova fase e seu estudo e pesquisa é arma fundamental para enfrentarmos os novos desafios impostos. Nos centros do capitalismo imperialista, as contradições se aprofundam com a incorporação massiva de tecnologia, automação e inteligência artificial, ampliando a substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto. Esse processo intensifica a crise de valorização, pressiona a taxa de lucro e expõe os limites históricos do modo de produção capitalista. O sistema produz riqueza em escala inédita, mas ele serve apenas para uns poucos, a cada dia a vida do trabalhador é reduzida e arrancada a retalhos em nome do lucro.
No plano internacional, a antiga ordem unipolar segue em decomposição. O avanço de blocos como os BRICS ampliados expressa uma reorganização das forças em disputa no interior da crise. A multipolaridade que emerge tem papel central, e essa nova ordem é contraditória e marcada por tensões crescentes. O imperialismo reage com agressividade: guerras, sanções, bloqueios econômicos e intervenções tornam-se instrumentos permanentes de reorganização da dominação global, como analisados no recente trabalho do CEPPES intitulado de Guerra e Paz: Crise Orgânica, Geopolítica e o Brasil.
Os conflitos armados do nosso tempo não são acidentes: são expressão direta da crise. Povos inteiros seguem sendo sacrificados, enquanto os monopólios da comunicação operam para legitimar a barbárie, distorcendo fatos e moldando consciências em favor dos interesses do capital. A guerra é apresentada como necessidade; a exploração, como inevitável.
Reafirmamos nosso mais firme repúdio às ações imperialistas que avançam sobre a soberania dos povos em escala global. Denunciamos o sequestro do presidente Nicolás Maduro, levado a cabo por forças dos Estados Unidos em uma grave violação do direito internacional e da autodeterminação dos povos. Condenamos as agressões permanentes contra o Irã e o Líbano, que ampliam a instabilidade no Oriente Médio, assim como o genocídio em curso contra o povo palestino. Da mesma forma, denunciamos a escalada militar da OTAN no leste europeu, que intensifica os conflitos e ameaça arrastar a humanidade a uma guerra de proporções ainda maiores. Esses processos não são isolados, mas expressões concretas da ofensiva do imperialismo em crise, que recorre cada vez mais à guerra, à intervenção e à violência aberta para manter sua dominação sobre os povos do mundo.
O Brasil não está à margem desse processo. Ao contrário, ocupa posição estratégica na disputa global e sofre internamente os efeitos da crise. A classe trabalhadora brasileira enfrenta um cenário de fragmentação, desorganização e perda de horizonte político. Parte significativa das lutas tem sido capturada por uma lógica que fragmenta a classe, substituindo a unidade material por identidades isoladas, incapazes de enfrentar o capital em sua totalidade.
O atual governo expressa, ao mesmo tempo, as contradições e as possibilidades abertas na conjuntura. Sua eleição e continuidade representam uma vitória tática da classe trabalhadora ao barrar o avanço de forças reacionárias e neofascistas. No entanto, não rompe com as bases estruturais do neoliberalismo, operando dentro dos limites impostos pelo capital financeiro, pelo regime fiscal e pelas pressões do mercado. Por isso, sua existência é condição importante no terreno político atual, mas insuficiente para promover transformações estruturais sem pressão popular. A superação desses limites exige organização independente da classe trabalhadora e enfrentamento direto às estruturas do capital.
É necessário recolocar a centralidade da luta de classes. Não para negar as opressões específicas, mas para integrá-las em um projeto político capaz de elevar a consciência da classe trabalhadora como sujeito histórico. Sem essa mediação, a revolta se dispersa, a energia social se dissipa e o sistema se reproduz.
Por isso, a tarefa central não é apenas resistir, mas construir alternativa. Uma alternativa que não se limite à disputa institucional, mas que tenha base na organização concreta da classe trabalhadora. É preciso romper com a passividade e com a dependência do calendário eleitoral, avançar em direção a uma atividade política nacional que atue no pleito eleitoral sem se restringir a ele.
Em todo o país, surgem lideranças populares, coletivos, movimentos locais que expressam a indignação legítima do povo trabalhador. No entanto, isoladas, essas iniciativas encontram limites objetivos. Sem articulação política, sem direção estratégica, tornam-se vulneráveis à cooptação ou à dispersão. O sistema absorve, neutraliza ou desvia aquilo que não se organiza como força coletiva.
Estamos perdendo quadros, energia militante e capacidade de ação. E isso não é casual: é resultado direto da ausência de um instrumento político capaz de unificar e orientar as lutas.
A necessidade histórica que se coloca é clara: construir um movimento nacional enraizado na classe trabalhadora, capaz de articular luta econômica e luta política, capaz de enfrentar o neoliberalismo como expressão concreta do capital em sua fase atual. Um movimento que unifique as diversas frentes de luta — trabalhadores urbanos e rurais, população negra, mulheres, juventude, população LGBTQIA+, povos originários — como parte de um mesmo projeto de transformação social.
Esse movimento deve se materializar em organização concreta. A construção do Congresso Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo: centenas, milhares de comitês de luta contra o neoliberalismo como espaços de base, de formação política, mobilização e ação, capazes de reconstruir a força coletiva da classe trabalhadora.
A organização popular deve estar preparada para formas de lutas ligadas diretamente aos problemas da classe trabalhadora e do povo pobre, que vá além das lutas institucionais, criando o poder de fato; para isso é necessário termos comitês de luta em todos as áreas (locais de trabalho, escolas, cultura, vilas, favelas e bairros populares), que sejam os embriões do Poder Popular, capazes de resistir aos golpes que a classe dominante tradicionalmente utiliza como forma de resolver os impasses; e ao mesmo tempo construir as bases da nova sociedade.
Assim, o Congresso Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo apresenta, neste 1º de Maio, pontos de seu Programa de Emergência, como expressão concreta da luta contra o neoliberalismo no momento atual:
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Garantia de renda mínima de, pelo menos, um salário mínimo para trabalhadores desempregados e famílias em extrema pobreza.
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Manutenção das micro e pequenas empresas, com crédito a juros zero e carência, reconhecendo seu papel central na geração de empregos.
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Defesa incondicional e ampliação do Sistema Único de Saúde (SUS), com fortalecimento da atenção nas regiões mais pobres e retomada de iniciativas como o Mais Médicos.
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Revogação das reformas e medidas neoliberais, em defesa do serviço público e contra as privatizações.
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Redirecionamento da política econômica para o desenvolvimento nacional, integração latino-americana e fortalecimento de alianças estratégicas não imperialistas (Mercosul, BRICS, CELAC, UNASUL).
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Retomada de programas sociais e políticas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, científico, técnico e cultural.
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Combate ao desemprego, erradicação do trabalho infantil e do trabalho análogo à escravidão; garantia de trabalho digno no campo e na cidade.
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Direito à moradia para toda a população urbana e rural.
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Educação pública, gratuita e integral em todos os níveis, com erradicação do analfabetismo e avanço de uma transformação educacional e cultural.
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Enfrentamento do machismo e de todas as formas de violência contra as mulheres, incluindo feminicídio, desigualdade salarial e opressões estruturais.
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Defesa dos povos indígenas e quilombolas, com demarcação de terras e preservação ambiental.
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Pelo fim do bloqueio contra Cuba e pela imediata interrupção do cerco ao fornecimento de petróleo à ilha, que tem provocado uma grave crise energética, com apagões prolongados e impactos diretos sobre a vida do povo cubano.
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Pelo fim das agressões imperialistas no Oriente Médio: contra o Irã e o Líbano, e pelo fim do genocídio do povo palestino, em defesa da autodeterminação dos povos.
Brasil, 1º de Maio de 2026.
