A paralisação do Estreito de Ormuz no comércio mundial
Londres, 16 de março (Prensa Latina) A guerra no Oriente Médio, e em particular a paralisação do tráfego no Estreito de Ormuz, está impactando significativamente o comércio global, como observam economistas.
O Estreito de Ormuz, por onde normalmente passa 20% do petróleo mundial, está agora em sua terceira semana de fechamento efetivo em meio a um conflito crescente que já ceifou mais de 1.300 vidas e ameaça desencadear uma recessão global.
Nesta segunda-feira, a comunidade internacional acordou com uma perspectiva sombria: fogo cruzado entre Irã, Israel e Estados Unidos, infraestrutura energética em chamas e uma economia global começando a mostrar profundas rachaduras.
O conflito, que se intensificou em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de Israel e dos Estados Unidos contra Teerã e outras cidades iranianas, entrou em uma fase de perigosa expansão territorial.
Durante o fim de semana, aviões dos EUA bombardearam alvos militares na ilha iraniana de Kharg, o principal centro de exportação de petróleo bruto do país, enquanto o Irã respondeu com uma saraivada de mísseis Sejjil (com alcance de 2.000 quilômetros) contra posições israelenses e americanas na região.
O aumento nos preços do petróleo e do gás que estamos vendo é causado pelo fechamento do Estreito de Ormuz, alertou o Secretário de Energia do Reino Unido, Ed Miliband, em declarações à imprensa britânica.
As consequências foram imediatas: o petróleo Brent ultrapassou US$ 103 por barril na segunda-feira, enquanto o West Texas Intermediate era negociado em torno de US$ 101, em meio à paralisação da produção na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, conversou com o presidente dos EUA, Donald Trump, para tratar da crise. Durante a ligação, Starmer enfatizou a urgência de reabrir a hidrovia para ajudar a restabelecer as rotas de navegação normais.
Isso está sendo feito para reduzir os custos globais cada vez mais altos, de acordo com um comunicado de Downing Street. No entanto, o líder europeu reconheceu que não é uma tarefa simples.
As consequências econômicas vão além do petróleo. Navios de carga permanecem retidos no Golfo Pérsico ou estão sendo desviados ao redor do extremo sul da África, prolongando os prazos de entrega e aumentando os custos de frete.
Aviões que transportam mercadorias do Oriente Médio estão impedidos de voar. Fertilizantes, produtos farmacêuticos da Índia e semicondutores asiáticos começam a faltar.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou na segunda-feira que existe um risco significativo de queda para a economia global neste momento.
Enquanto as grandes potências estão envolvidas em negociações e a máquina de guerra continua seu curso, uma certeza prevalece: enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, o mundo inteiro pagará o preço.
Fonte: Prensa Latina
Publicado pelo Inverta em 16 de março de 2026

