A pandemia no bairro Botafogo, em Nova Iguaçu-RJ

Tenho acompanhado da sacada da minha casa e o que tenho visto é assustador, com muitas pessoas ainda sem máscaras e expostas à contaminação pelo coronavírus. O movimento das pessoas no bairro segue aparentemente não afetado pela pandemia que assola o mundo, o Brasil, o estado do Rio e Nova Iguaçu.

Tenho acompanhado da sacada da minha casa e o que tenho visto é assustador, com muitas pessoas ainda sem máscaras e expostas à contaminação pelo coronavírus. O movimento das pessoas no bairro segue aparentemente não afetado pela pandemia que assola o mundo, o Brasil, o estado do Rio e Nova Iguaçu.

Aqui, por exemplo, as igrejas neopentecostais continuam abertas, inclusive, durante a semana com as chamadas vigílias; no bairro, continuam os jogos de futebol nas quadras, os pagodes e sofrências nas varandas e nas ruas, organizados pelas famílias e regadas a muita cerveja e uma alegria que ignora a ameaça aos próprios familiares, sejam eles idosos ou crianças, inclusive de colo, que ficam a mercê dos adultos festeiros, que ignoram ou simplesmente acreditam ser “imunes” a esta enfermidade, e pensar estar em férias prolongadas. A gente entende que este isolamento parece um descanso da exploração capitalista e momento de relax na rua e festejos, mas na verdade não é. É uma armadilha mortal para o povo trabalhador e em sua maioria, afrodescentes, da baixada-RJ.

Outra coisa que tem também me chamou a atenção foi ver as pessoas defendendo o governo estadual e federal. E também o governo do município, quando já se percebe, inclusive, uma movimentação política por parte dos próprios moradores com aproximação de supostos candidatos às próximas eleições.

Conversei à distância com a vendedora de máscaras do bairro, Dona Dália, e ele disse estar impressionada com as duas mortes que já foram contabilizadas no bairro e parece que não aconteceu nada dada a continuidade da rotina na área. A vendedora, apesar disso, se disse otimista quanto às vendas, embora reconheça: “até agora não vendi nada”. Esse relato mostra como o Povo trabalhador, principalmente os que estão na informalidade estão sendo atingidos por essa pandemia e como estão expostos aos riscos diante da precariedade de sua vida econômica.

Dona Dália está certa pois a atitude perante a Covid 19 é praticamente nenhuma, no local e arredores, o número de infectados é muito grande, o Hospital da Posse está lotado e o número de óbitos vem aumentando assustadoramente. Além disso, o hospital de campanha sempre adia a sua inauguração para atender os casos críticos da Pandemia.

Que essa quarentena acabe logo que tomara que passe esse pesadelo. Mas pelo visto está muito distante!

 

Jorge Ferreira