O despertar dos Panteras Negras

Mas por que está ressurgindo um dos últimos movimentos marxistas dos Estados Unidos?

O Partido das Panteras Negras (BPP) ressurgiu após anos de uma inatividade quase total. Mas por que está ressurgindo um dos últimos movimentos marxistas dos Estados Unidos? Se refrescarmos a memória, a primeira vez que os EUA e o mundo ouviram falar das Panteras Negras foi na década de 1960, há mais de 60 anos.

O BPP surgiu da necessidade de defender a população negra das políticas de segregação racial, da desigualdade estrutural e da luta pelo reconhecimento dos direitos do povo negro.

Seus fundadores, Huey P. Newton e Bobby Seale, naturais da Califórnia, viram a organização expandir-se para todo o país e estabelecer duas estruturas internacionais, uma na Argélia e outra na Inglaterra. Entre as ações mais notáveis do BPP naqueles anos, destacam-se a criação de refeitórios populares, clínicas comunitárias e a proteção de comunidades negras e latinas contra a repressão estatal.

Embora Malcolm X tenha sido um dos principais ideólogos por trás da formação do partido, a influência do maoísmo e do marxismo africano – com pensadores como Amílcar Cabral e Frantz Fanon – consolidou a posição final da organização como uma corrente do marxismo estadunidense.

Pensadoras como Angela Davis trouxeram clareza analítica sobre como as questões de etnia e gênero se articulam com a luta de classes. Esse entendimento mostrou que a autodefesa e a resistência dos setores populares estão diretamente ligadas às condições impostas pelo sistema, sendo necessária sua superação por meio de uma construção revolucionária conduzida pelos excluídos.

Mas por que retomar a memória do BPP hoje? No contexto da nova onda fascista que atravessa o mundo – e especialmente os EUA, sob a liderança do presidente Donald Trump, que em suas próprias palavras se autodenomina “ditador” –, a política anti imigratória tem desencadeado uma onda de repressão e mortes dentro do país. É nesse cenário que as Panteras Negras ressurgem neste 2026 como o Partido das Panteras Negras para a Autodefesa.

Paul Birdsong, presidente do capítulo da Filadélfia do partido, declarou ao The Philadelphia Inquirer: “Se estivéssemos presentes antes em Minneapolis, Minnesota, ninguém teria morrido [...] Somos o mesmo partido de antes, mas agora somos mais agressivos”. Uma declaração que soa como esperança, especialmente após o recente assassinato de mais um cidadão estadunidense por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle Alfandegário).

As mesmas convicções permanecem. A mesma desigualdade e a mesma necessidade de autodefesa da classe trabalhadora que fizeram do BPP um ícone da resistência racial, classista e anti-imperialista no passado são as que despertam a pantera negra hoje – não apenas para proteger o povo negro, mas também todos os imigrantes perseguidos, encarcerados, torturados e detidos nos novos campos de concentração dos Estados Unidos.

Por Fidel Viteri

Redação Internacional

Publicado pelo Inverta em 04 de agosto de 2026

 

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