Cuba e as Mentiras Monumentais dos Estados Unidos

Texto de Marcelo Colussi da Prensa Latina.

Por Marcelo Colussi

As mentiras mais absurdas usadas para justificar suas aventuras imperialistas são comuns em Washington. Não importa se o líder atual é democrata ou republicano (é como dizer Coca-Cola ou Pepsi-Cola: é a mesma coisa... para dizer o mínimo), suas políticas intervencionistas permanecem inalteradas. Ao longo da história, a lista de mentiras absurdas é interminável, mas em todos os casos, independentemente do nível de absurdo envolvido, elas servem aos seus propósitos.

Começando com Pearl Harbor, que justificou sua entrada aberta na Segunda Guerra Mundial, a audácia de sua narrativa é indescritível:

• Conter o comunismo internacional, na Guatemala (1954), Chile (1973), Granada (1983) e na Operação Condor, no Cone Sul da América Latina (a partir de 1975).

• Defender-se de ataques militares, por exemplo, contra a possível invasão sandinista do Texas na década de 1980, criando assim os Contras.

• Promoção da democracia e dos direitos humanos no Panamá (1989) e nos Balcãs (durante a década de 1990), culminando no ato absurdo e irracional de realizar bombardeios “humanitários” na Iugoslávia desintegrada.

• A luta contra o terrorismo, começando com o colapso (tudo indica que foi autoinfligido) das Torres Gêmeas em Nova York, e continuando com os ataques ao Afeganistão (2001), ao Iraque e suas supostas armas de destruição em massa (2003) e à Líbia (2011).

• A luta contra o narcotráfico, o Plano Colômbia, renomeado Patriota (iniciado em 2000), e a recente intervenção na Venezuela com o sequestro do presidente Nicolás Maduro.

Toda ação político-militar promovida pela Casa Branca, secreta ou aberta, sempre em favor de suas grandes corporações, foi justificada por alguma invenção, inacreditável, é claro, mas vendida pela grande mídia como verdades inquestionáveis. A máxima de Goebbels de "mentir e mentir incansavelmente" parece estar dando bons resultados, pois essas falsidades se tornam as "verdades" que o império precisa apresentar para se justificar.

Algo especial está acontecendo com Cuba: não se trata de derrubar a revolução porque há recursos a serem roubados lá, nem de defender os interesses comerciais dos EUA. A ilha vem sendo atacada há mais de seis décadas porque serve como um mau exemplo. Um exemplo de dignidade e soberania, que construiu um modelo socialista bem debaixo do nariz do império e que não cedeu nesses longos anos de diversos ataques, com um bloqueio desprezível repudiado por metade do mundo, mas que persiste e agora está sendo intensificado.

Depois de ter tentado inúmeras táticas para derrubar a Revolução Cubana, o atual líder dos Estados Unidos, Donald Trump, agora vê a revolução como uma "ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos" por seu suposto apoio a grupos terroristas que conspiram contra a potência do norte. Ele está, portanto, pressionando por um embargo de petróleo e um endurecimento massivo do bloqueio, impedindo que os países da região continuem a receber Brigadas Médicas Cubanas em seus territórios, pelas quais os governos das nações beneficiárias pagam uma taxa a Havana. Essa intensificação feroz do bloqueio tem as características de um genocídio, um crime contra a humanidade, pura e simplesmente. Como está sendo promovido pela maior potência capitalista do mundo, ninguém ousa questioná-lo, exceto a China e a Rússia.

Que isso sirva como uma observação à parte: após o fim da Segunda Guerra Mundial, que os Estados Unidos, juntamente com os Aliados, consideraram vitorioso, conseguiram levar os líderes nazistas a julgamento nos históricos Julgamentos de Nuremberg por crimes contra a humanidade. Mas ninguém levou Washington a julgamento por lançar bombas atômicas sobre civis não combatentes no Japão. Sem dúvida, a história é escrita pelos vencedores. Agora, com sua retórica onipotente, a classe dominante dos Estados Unidos, representada por esse impetuoso cowboy de Hollywood, sente-se encorajada a tentar subjugar um país pequeno e pacífico como Cuba. Até quando essas injustiças continuarão?

Com essa chantagem que estamos presenciando, a Casa Branca — e isso não é uma ideia “maluca” de Trump, mas uma política de Estado de longa data desde o início da revolução — busca sufocar completamente o povo cubano, tentando subjugar o governo e provocar uma explosão social, visando deflagrar uma revolta popular que ponha fim ao experimento socialista.

Trump, com seu estilo peculiar, arrogante e truculento, tendo descartado a máscara de “defender a liberdade e a democracia” que administrações anteriores da Casa Branca usavam para se disfarçar, afirma sem rodeios: “Este hemisfério é nosso”, referindo-se à América Latina, demarcando assim seu “próprio” território diante do avanço da China e da Rússia. Em Cuba, não há recursos a serem saqueados: há a dignidade de uma nação que produziu uma revolução socialista há 67 anos e que, apesar das terríveis dificuldades, continua sendo um farol e uma defensora.

Via Prensa Latina

Publicada pelo Inverta em 19 de Fevereiro de 2026

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