Cinco mortos em choques que mantêm tensão no Egito
Cairo, 3 fev (Prensa Latina) A tensão prevalece hoje no Egito, principalmente no centro desta capital, onde confrontos entre partidários e opositores do presidente Hosni Mubarak causaram pelo menos cinco mortos e mais de 800 feridos, segundo dados oficiais.
Ainda que na manhã desta quinta-feira não se registraram incidentes graves, se prevê outro dia de beligerância, pois opositores que pernoitaram na praça Tahrir asseguraram estar dispostos a manter seus protestos, apesar da intimidação de grupos pró governamentais.
A polícia e o Exército continuam na praça e seus arredores, mas até agora parecem incapazes de impedir o acesso de inconformados e partidários, estes últimos acusados de contar com o apoio de supostos policiais vestidos de civil e armados.
O ministro egípcio de Saúde, Ahmed Sameh Farid, indicou que várias ambulâncias transportaram para os hospitais centenas de lesionados por pedradas, pauladas, facadas, queimaduras e outras agressões sofridas durante os choques da quarta-feira, que duraram até esta madrugada.
Segundo Farid, até ontem à noite registraram-se três mortes e 637 feridos, mas nas últimas horas a cifra de baixas fatais elevou-se a cinco, e pudesse aumentar.
Informou, no entanto, que desde o início dos protestos de rua em 25 de janeiro até a data faleceram no Egito ao redor de 140 pessoas, e mais de mil foram feridas, dados que a ONU situa em pelo menos 300 e mais de três mil, respectivamente.
A irrupção a pé e com cavalos, camelos e burros de simpatizantes de Mubarak na praça Tahrir, que durante oito dias foi palco exclusivo de milhares de opositores que exigem sua demissão, desembocou em uma batalha campal.
O Exército e a polícia limitaram-se a bloquear os acessos ao lugar de confronto, mas deixaram que decorressem os choques com disparos e lançamento de bombas de combustível dos terraços, segundo pôde constatar Prensa Latina de um lugar relativamente perto.
Além dos coquetéis molotov, os beligerantes subiram aos tetos dos edifícios da área e lançaram pedras, areia, paus, ferros e quanto objeto acharam, algo muito fácil tomando em conta que habitualmente os terraços de Cairo estejam saturadas de escombros.
Enquanto, o vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, apelou a calma da cidadania e pediu a partidários e detratores do Governo acatar o toque de recolher, pois -assegurou- as vozes de uns e outros "têm sido escutadas", ao mesmo tempo em que advertiu à oposição.
"O diálogo com as forças políticas (opositoras), para começar, requer o fim das manifestações e uma restauração da vida normal nas ruas egípcias para criar as condições necessárias para sua continuação e sucesso", indicou Suleimán em um comunicado.
Segundo o vice-presidente, só assim se poderá "conter os danos e perdas que estas demonstrações têm causado desde a semana passada, para permitir ao povo retornar a seus trabalhos e sua vida diária, e propiciar a reabertura de escolas e universidades".
Por outro lado, a agência oficial de notícias MENA citou fontes, segundo as quais foram detectados entre os manifestantes da praça Tahrir membros do grupo islamista palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.
O mesmo médio reportou que um engenheiro israelense foi capturado ontem na localidade de Suez, um dos lugares onde teve manifestações mais numerosas contra Mubarak, junto com esta capital e Alexandria.
Assim, o ministro de estado para as Antiguidades, Zahi Hawass, negou o incêndio nos jardins do Museu Egípcio do Cairo, como reportaram meios locais inicialmente, ainda que indicou que se prevê restaurar as duas múmias e outras peças atingidas por vândalos há dias.
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