Não à entrega da Amazônia

Realizado nos dias 27, 28 e 29 o Seminário “Amazônia Século XXI - Perspectivas para o Desenvolvimento Sustentável”. Destoando da atividade, movimento indígena e intelectuais protestam contra a entrega da Amazônia.

Não à entrega da Amazônia


Por: Osmarina Portal


Foi realizado nos dias 27, 28 e 29 o Seminário “Amazônia Século XXI - Perspectivas para o Desenvolvimento Sustentável”, organizado pela Comissão da Amazônia da Câmara de Deputados.

Estiveram presentes várias personalidades do cenário político representando entidades do governo, Ongs e entidades populares, entre eles: Aziz Nassib Ab Saber, pela USP; Mary Helena Alegrett , pelo Ministério do Meio Ambiente; Senadora Marina Silva; Marcos Terena, pela Funai; Flavio Garcia, pela UNB; Ministro Everton Vargas ,pelo Itamarati; Mauro Martinelli, pela Federação dos Urbanitários; Bautista Vidal.

A maioria falou dos riscos do desmatamento sem controle na Amazônia, o que pode levar ao aumento de poluição, mudanças no clima, e conseqüências não só para os nativos, mas para toda a humanidade. Mas usaram este discurso para defender o desenvolvimento sustentável em oposição ao sustentado.


Azis Ab'Saber

Com raras exceções, como o professor Aziz Ab Saber, que denunciou a entrega da Amazônia aos estrangeiros pelo governo FHC: “A Amazônia tem mais de 4 milhões km quadrados só no Baixo Chapadão, como as Serras que o governo privatizou, torrou para os estrangeiros”. Temos estuários importantíssimos, o da boca do Norte a do Rio Pará e na área de Marajó. Nestes estuários pode ser aproveitado o solo, mas também pode ser destruído por causa das grandes madeireiras. Elas dizem que as árvores foram cortadas em processo seletivos. São coisas absolutamente mentirosas, vi troncos de 1 metro e 70 de diâmetro, são madeiras de árvores que levaram de 500 a 700 anos para se formarem”.

Ab'Saber seguiu afirmando que “Os americanos buscavam manganês e encontraram a maior reserva do mundo de ferro em Carajás. Ficaram controlando por um bom tempo, mas por pressão de uns jovens do Rio o governo brasileiro recomprou de volta por 50 milhões de dólares. A região de Carajás é a província mineral polivalente mais importante que restou na face da terra. O governo não ouve os cidadãos, só adota medidas de um capitalismo selvagem que põe em riscos nossa soberania".

"Nos EUA, de quando em quando aparece um mapa do Brasil, sem a região amazônica. Eles já estão preparando as criancinhas para a interna-cionalização da Amazônia”, afirmou o Professor Aziz.

O agrônomo Flavio Garcia denunciou o projeto do governo afirmando que já é a terceira tentativa de se privatizar a Amazônia (leia artigo na p.7).



Bautista Vidal

O professor Bautista Vidal nessa ocasião também mostrou indignação com o processo de entrega do governo: “a destruição nas áreas estratégicas está levando o país à ruína. O mundo está vivendo um momento desesperado, porque a energia movimenta o mundo. O mundo hegemônico é muito pobre de energia, estas nações baseadas em seu poder de matar, se apropriaram das reservas mundiais como os fósseis e nestes combustíveis fundamentaram seus projetos. O carvão mineral é o causante do efeito estufa que está mudando o clima do planeta, que pode gerar um cataclisma. Hoje estão exigindo a redução de 80% da queima do carvão mineral para a maior potencial militar e industrial; o Japão e Alemanha dependem de 82% da energia dos combustíveis fósseis; apenas 4% é de energia elétrica e de formas renováveis. Como eles vão reduzir em 80%, se eles não tem alternativas? O outro combustível que é o petróleo está com os dias contados. A reserva do mundo não dá para 30 anos.

O professor Bautista Vidal declarou ainda que nós temos uma palmeira, rica em energia e é um bem renovável, que é coco de dendê.



Plano Colômbia

No segundo dia foi perguntado aos representantes do governo sua posição quanto ao Plano Colômbia. A pergunta não teve resposta. O fato demonstra que o governo brasileiro está neutro, escondendo-se no pretexto de que esse é um assunto interno da Colômbia.



Movimento Indígena

Depoimento da Índia Wiara Nytynhawãn do Nascimento, 19, da aldeia Xu-curucariri, Alagoas:

“Me levanto para dizer em nome de todo nosso povo indígena que - como diz o branco quem se cala diante da impunidade também é cúmplice. Nós da tribo Xucurucariri não queremos que mexam na lei 1001(...).Estou me levantando para lembrar do povo Xucurucariri, que é um povo sofrido, invadiram nossa terra, pisam em nós e nos deixam a seu critério. Essa terra é nossa, nós queremos viver nesta terra chamada Brasil que o português botou e nos encontrou, nós somos o povo da floresta".

"Nós queremos paz, viver nossa vida, continuar nossa cultura, sem que o branco toque em nosso povo. Aqui está o Cayapó o Furiô, os outros não puderam estar aqui. Aqui só tem guerreiro. Mesmo sendo analfabetos, ignorantes, nós nunca vamos deixar de lutar. Nunca vamos abaixar a cabeça, ainda que percamos nossas terras. Meus parentes eram para estar aqui hoje, mas não estão por falta de transporte. Somos os mais humilhados, só porque nos colocaram o nome de Índio. Quero dizer que meu pai José Saty é um cacique, é um guerreiro".

"Muito obrigada pela oportunidade que me deram para falar e quero dizer mais uma vez: não mexam no estatuto do índio, porque essa terra ainda pertence a nós. Vamos lutar e onde um índio derramar uma gota de sangue nós derramaremos o nosso. Muito obrigada”.

jessica Zanetti mena Barreto
jessica Zanetti mena Barreto disse:
13/01/2011 17h31
Ola ,Hoje tenho um texto para entregar,falando sobre esse assunto...
Quero que a Amazonia continue aqui no Brasil,mas que os responsaveis cuidem dela,pq se nao os americanos acabaram tomando conta de tudo quanto o brasileiro possue:a maior riqueza...
a Amazonia ....obrigAda...Jessica Zanetii...Estudante disposta a lutar pelo que e do Brasil.
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