100 anos de Fidel: Felipe Pérez Cruz percorre Brasil e reafirma a atualidade da pedagogia da Revolução
Entre os dias 13 e 17 de abril, a atualidade da pedagogia revolucionária de Fidel Castro esteve no centro dos debates promovidos durante a visita do educador cubano Felipe Pérez Cruz ao Brasil. As conferências, realizadas nos dias 13, no Rio de Janeiro; 15, em São Paulo; e 17, em Belo Horizonte, reuniram professores, pesquisadores, estudantes, militantes e representantes de movimentos sociais em torno de uma reflexão que articulou educação, soberania, internacionalismo e emancipação humana. Promovidas pelo CEPPES e pela Editora Inverta Ltda., as atividades integraram as comemorações do centenário de nascimento de Fidel Castro Ruz.
O Conferencista convidado foi o pedagogo cubano Dr. Felipe Pérez Cruz, doutor em Ciências Pedagógicas pela Universidad de Ciencias Pedagógicas Enrique José Varona e autor, em parceria com Ida Maria Ayala Rodríguez, do livro Fidel: pedagogo de la Revolución (Editora Ruth Tienda). A obra sustenta a compreensão de que a ação política de Fidel Castro jamais esteve dissociada de um profundo projeto educativo, concebido como instrumento permanente de formação humana, participação popular e transformação social.
As conferências ocorreram na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro; na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP); e na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em todas as cidades, o público acompanhou atentamente a exposição e participou dos debates que se seguiram, demonstrando o interesse que o pensamento de Fidel continua despertando entre educadores, pesquisadores e intelectuais latino-americanos.
Ao desenvolver sua conferência, Felipe Pérez Cruz apresentou a educação como uma das dimensões estruturantes da Revolução Cubana. Para ele, formar cidadãos significa prepará-los para participar conscientemente da vida coletiva, assumindo responsabilidades na construção da sociedade. A escola, nesse sentido, não se limita à transmissão de conhecimentos: integra um projeto mais amplo de desenvolvimento humano, compromisso social e exercício permanente da cidadania.
Sua própria trajetória foi utilizada como exemplo dessa concepção. Ao recordar a formação recebida após a Revolução, afirmou que sua biografia está profundamente ligada ao processo educacional construído pelo povo cubano. “Aprendi que a verdadeira pátria é a humanidade”, sintetizou, reafirmando o internacionalismo como princípio político e pedagógico.
Outro eixo da conferência concentrou-se na resistência de Cuba diante das pressões externas. Para Pérez Cruz, as dificuldades vividas pela ilha não podem ser compreendidas isoladamente das políticas de bloqueio econômico e das constantes ameaças geopolíticas. “Cuba resiste. Cuba vive.”, afirmou, lembrando que o objetivo dessas pressões continua sendo romper a unidade construída pela Revolução.
O professor cubano observou ainda que as plataformas digitais frequentemente difundem uma imagem parcial da realidade do país, concentrando-se em problemas materiais e ocultando a capacidade de organização social, a solidariedade e a dignidade do povo cubano. Diante desse cenário, destacou o papel da produção intelectual, da imprensa popular e da solidariedade internacional na disputa pela verdade histórica. Recordou, inclusive, a Operação Verdade, impulsionada por Che Guevara e pela Prensa Latina, como referência para enfrentar a desinformação e preservar a memória dos povos.
As mesas de debates ampliaram a repercussão das conferências. No Rio de Janeiro, participaram os professores Aluisio Bevilaqua, Eurico Figueiredo e Ricardo Lodi, além do Dr. Octávio Costa. Em São Paulo, integraram a mesa os professores Leonardo Carnut e Tiaraju D’Andrea. Em Belo Horizonte, os debates reuniram os professores José Luiz Quadros, Marco Antônio Sousa Alves, Davi Monteiro Diniz Martins.
As intervenções evidenciaram uma clara convergência em torno dos princípios da Revolução Cubana. Sem abrir mão das especificidades de suas áreas de atuação, os convidados manifestaram concordância com a compreensão apresentada por Felipe Pérez Cruz de que Fidel Castro deve ser reconhecido não apenas como dirigente revolucionário, mas também como um dos grandes formuladores de uma pedagogia comprometida com a emancipação humana.
Essa unidade de concepção conferiu grande força aos debates. Em diferentes momentos, foi ressaltado que o legado pedagógico de Fidel permanece atual para a América Latina, o Caribe e todos os povos que enfrentam formas de dominação imperialista. A defesa da educação pública, da soberania nacional, da participação popular e da formação da consciência crítica apareceu como um horizonte comum entre conferencista e debatedores.
O ambiente foi marcado pelo respeito mútuo e pela reciprocidade entre todos os participantes das mesas. Não houve apenas uma sucessão de exposições, mas um diálogo consistente em torno de um mesmo projeto histórico. A convergência em torno dos princípios da Revolução Cubana reafirmou a atualidade da pedagogia revolucionária de Fidel Castro como referência para a América Latina, o Caribe e todos aqueles que compreendem a educação como instrumento de emancipação humana e transformação social.
Ao término da programação, permaneceu entre os presentes a convicção de que estudar Fidel Castro como pedagogo significa compreender uma dimensão essencial da própria Revolução Cubana. Mais do que recordar um legado histórico, as conferências reafirmaram a necessidade de pensar uma pedagogia revolucionária capaz de responder aos desafios contemporâneos e de fortalecer os processos de emancipação dos povos.
Na edição atual temos o artigo do professor Felipe Pérez Cruz e próxima edição de aniversário impressa do Jornal Inverta, a publicação de uma entrevista exclusiva com ele, realizada durante sua passagem por São Paulo, em que o educador cubano abordou, entre outros temas, os desafios da educação socialista, a resistência de Cuba diante do imperialismo e a atualidade do pensamento de Fidel Castro para a América Latina, o Caribe e o mundo.
Redação Nacional e sucursais RJ, SP e MG
Publicado pelo Inverta em 11 de agosto de 2026
