COLUNA LUTA DE CLASSES

Coluna com resumo das principais notícias classistas no período

SP: Trabalhadores da Replan encerram greve com vitória histórica

Após 16 dias de paralisação, trabalhadores e trabalhadoras da Refinaria de Paulínia (Replan) conquistaram uma importante vitória na luta por direitos. A mobilização demonstrou a força da organização sindical e da unidade da categoria diante das negociações envolvendo condições de trabalho e reivindicações dos empregados.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Conticom) informa que a greve reafirma o papel histórico dos trabalhadores organizados na defesa de seus direitos e mostra que a mobilização coletiva continua sendo uma ferramenta fundamental da classe trabalhadora para enfrentar retrocessos e garantir conquistas.

Agropecuária avança sobre florestas e comunidades tradicionais

O avanço do modelo agropecuário baseado na expansão de pastagens e monoculturas continua pressionando áreas de floresta e territórios de comunidades tradicionais no Brasil. Segundo reportagem da Página do MST, a expansão do agronegócio tem como principais vetores a abertura de novas áreas para produção de commodities, como soja, milho e carne, provocando perda de biodiversidade, impactos ambientais e conflitos no campo.

A matéria destaca que movimentos populares defendem a agroecologia e a Reforma Agrária Popular como alternativas ao modelo de exploração predatória da natureza. Experiências desenvolvidas em assentamentos mostram que a produção de alimentos saudáveis pode caminhar junto com a recuperação ambiental e a preservação dos territórios.

ECA completa 36 anos como marco da defesa da infância e adolescência

Criado em 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos como uma das principais conquistas sociais brasileiras na garantia de direitos de crianças e adolescentes. A legislação estabeleceu a proteção integral como princípio, reconhecendo meninos e meninas como sujeitos de direitos e deveres da sociedade, do Estado e da família.

Ao longo de sua trajetória, o Estatuto contribuiu para avanços nas políticas públicas de educação, saúde, convivência familiar e proteção contra violências. O aniversário também reforça o desafio permanente de transformar direitos previstos em lei em realidade para milhões de crianças e adolescentes brasileiros.

Fim da escala 6x1: trabalhadores voltam às ruas para pressionar o Congresso

A luta pelo fim da escala 6x1 ganha novo impulso com a retomada dos trabalhos do Congresso Nacional. Nesta segunda-feira (10), a CUT, demais centrais sindicais e movimentos populares realizam mobilizações em diversas cidades para exigir a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e o fim de uma escala que submete milhões de trabalhadores a jornadas exaustivas, restringindo o tempo destinado ao descanso, à família, aos estudos e à própria vida. Em São Paulo, os atos estão previstos para o Largo da Concórdia e a Estação Brás, a partir das 6h. A mobilização recoloca nas ruas uma reivindicação histórica da classe trabalhadora e aumenta a pressão sobre deputados e senadores.

O debate no Congresso revela, mais uma vez, a disputa entre interesses de classe. De um lado, trabalhadores e organizações sindicais defendem menos tempo de trabalho, sem perda salarial, como condição para uma vida mais digna e para a distribuição social dos ganhos de produtividade. De outro, setores empresariais e parlamentares conservadores insistem na preservação de jornadas extensas, recorrendo ao argumento de que a redução provocaria desemprego e inflação. O governo federal encaminhou o PL 1.838/2026, que propõe reduzir a jornada para até 40 horas semanais e extinguir a escala 6x1, enquanto também avançam no Congresso propostas de redução ainda maior da jornada. A experiência histórica demonstra que direitos trabalhistas não são concessões espontâneas: são conquistas arrancadas pela organização e pela luta coletiva dos trabalhadores.

MST leva solidariedade a Cuba em meio ao bloqueio e à crise energética

A solidariedade internacionalista também se expressa na ação concreta dos trabalhadores brasileiros. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) entregou, em Havana, mais de 7,6 toneladas de medicamentos ao Hospital Hermanos Ameijeiras, entre eles antibióticos essenciais. A doação integra a campanha permanente “Ajude Cuba”, construída pelo MST em conjunto com movimentos populares brasileiros para arrecadar recursos e enviar medicamentos e insumos à população cubana. Em um momento de grave crise econômica, energética e sanitária, a iniciativa demonstra que a solidariedade entre os povos pode ultrapassar fronteiras e enfrentar, na prática, os efeitos do bloqueio e das medidas de estrangulamento econômico impostas a Cuba.

A ação do MST carrega um significado que vai além da ajuda humanitária imediata: afirma o internacionalismo como princípio da luta dos povos. Enquanto o bloqueio estadunidense dificulta o acesso cubano a medicamentos, matérias-primas e outros recursos fundamentais, organizações populares brasileiras respondem com organização, mobilização e solidariedade. A entrega dos medicamentos ao povo cubano reafirma uma compreensão histórica da classe trabalhadora: diante da ofensiva imperialista, a defesa da soberania de um povo não pode ser separada da solidariedade aos povos que resistem. Cuba, assim como os trabalhadores que lutam por melhores condições de vida no Brasil, demonstra que a resistência também se constrói pela ação coletiva e pela unidade entre os que lutam.

Fonte: CUT Nacional e MST

Publicado pelo Inverta em 11 de agosto de 2026