35 anos do Jornal Inverta: organização, consciência e prática na batalha das ideias!
Os 35 anos de existência de um jornal como o Inverta, no Brasil, representam décadas de uma experiência jornalística revolucionária que atravessou diferentes momentos da luta de classes, mudanças na economia mundial, transformações tecnológicas, crises políticas e, sobretudo, um período em que não foram poucas as forças interessadas em convencer a Humanidade de que não havia mais alternativa. O Inverta foi lançado em setembro de 1991, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em um momento em que a ordem mundial parecia definitivamente entregue à hegemonia norte-americana e em que se anunciava, com a arrogância própria dos opressores/vencedores, o chamado “fim da História”.
Nessa conjuntura dramática, um grupo de revolucionários, organizado no Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais (CEPPES), ousou discordar e, saindo da Baixada Fluminense, RJ, chegou ao Rio de Janeiro e fundou o Jornal Inverta, afirmando que o socialismo não havia deixado de existir como possibilidade histórica; ao contrário, continuava sendo uma necessidade histórica diante das contradições do capitalismo: a exploração feroz do trabalho humano, a apropriação privada da riqueza social e o consumo da vida humana e do próprio planeta.
Em 2026, no marco dos 35 anos do jornal, reafirmamos a defesa da soberania dos Povos, do Socialismo e da construção de uma comunicação comprometida com a transformação social, a partir de uma perspectiva abertamente fundamentada no Materialismo Histórico Dialético. Para o Inverta, ontem e hoje, a única sociedade “alternativa” é o Socialismo como ideal societário em defesa dos seres humanos e da Natureza, como declarou, em 12 de junho de 1992, na Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro: “Uma espécie biológica importante está em risco de desaparecer devido à rápida e progressiva destruição de suas condições naturais de vida: o homem.”
O Inverta germinou e floresce – não nos campos aparentemente férteis, mas de solo exaurido pelos conchavos, pelos acordos de conveniência e pelos interesses mesquinhos da imprensa burguesa, mas nos princípios, na teimosia, na coragem e na resistência desse coletivo de revolucionários e revolucionárias, de intelectuais orgânicos da classe trabalhadora, de homens, mulheres e jovens que, em diferentes momentos, colocaram e colocam seu trabalho, sua inteligência e sua própria vida a serviço de uma ideia que ultrapassa a necessidade imediata de cada um de nós: a construção de uma sociedade em que todos e todas tenham o direito de viver com esperança, dignidade e em harmonia uns com os outros e com a Natureza.
A partir do Inverta, consolidou-se uma trajetória de cooperação com veículos e agências de comunicação latino-americanos, entre eles, o Granma Internacional, que completa 34 anos de circulação e comercialização de sua edição em português no Brasil, e a Agência Latino-Americana de Notícias Prensa Latina, também de Cuba, que completa 22 anos de acordo com o Inverta no Brasil, atualmente por meio da Inverta Editora. A articulação entre essas iniciativas representa também uma experiência de enfrentamento ao monopólio imperialista da informação e da mídia, ampliando o acesso às perspectivas próprias dos povos latino-americanos e contribuindo para a divulgação, produção e socialização do conhecimento, para a defesa da soberania e para a formação política e cultural dos povos.
Realizado anualmente, desde 2003, pelo Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Sociais (CEPPES), o Seminário nasceu em homenagem ao Jornal Inverta e como espaço de reflexão sobre as consequências das políticas neoliberais. Ao longo de suas edições, consolidou uma proposta marcada pela interdisciplinaridade, pelo internacionalismo e pela participação popular.
Em 2026, ao realizarmos o XIX Seminário Internacional de Lutas Contra o Neoliberalismo, debateremos a Crise Orgânica do Capital, a Geopolítica, o Brasil e os 100 anos de Fidel Castro, nos dias 25 e 26 de setembro de 2026, na UERJ e na UFF, reunindo pesquisadores, intelectuais, lideranças sociais, estudantes, representantes de governos, autoridades diplomáticas e instituições internacionais. O encontro terá como eixo a análise do agravamento da Crise Orgânica do Capital, tese inédita do fundador e editor-chefe do Inverta, Dr. Aluisio Bevilaqua, e seus impactos sobre a geopolítica internacional e a economia mundial, além das ameaças que voltam a preocupar os povos do mundo.
O Brasil ocupará lugar central nos debates, especialmente diante das transformações na geopolítica mundial e da retomada de sua importância como sujeito histórico no cenário internacional. E isso tudo em um momento em que o Brasil se vê diante de escolhas políticas que podem ampliar ou restringir sua capacidade de defender seus próprios interesses diante das pressões externas. Não nos enganemos: quando discutimos o lugar do Brasil no mundo, estamos discutindo também a capacidade de nosso país decidir sobre seus recursos, sua economia, sua produção, sua política externa, sua influência regional junto aos nossos países-irmãos da América Latina e sua posição no cenário internacional.
Chegar aos 35 anos é também olhar para trás e reconhecer os desafios enfrentados para simplesmente existir. E, quando se trata de uma imprensa que não está submetida aos interesses dos grandes grupos econômicos, que não vive da publicidade das grandes empresas e que não abre mão de sua independência política, as dificuldades materiais não são pequenas. Mesmo diante das adversidades, o Inverta segue em frente, porque não há uma mudança de lado. Um exemplo é a resposta à crise do papel e das vendas físicas de periódicos e revistas: a produção do Jornal em edição digital, ao lado da edição impressa, que permanece em edições especiais, abre novas possibilidades para que o Inverta alcance outros espaços e ultrapasse fronteiras que, durante muito tempo, dependiam exclusivamente da circulação física de suas páginas. Não é um recuo, mas um desafio: utilizar a tecnologia, criada e desenvolvida pelos trabalhadores dentro das próprias relações sociais do capitalismo, para ampliar a comunicação entre aqueles que lutam por outra sociedade.
Não é por acaso que a celebração de mais um ano de resistência do periódico acontece justamente nesse contexto. O jornal nasceu em meio a uma profunda transformação da ordem mundial e chega aos 35 anos quando essa mesma ordem volta a apresentar fissuras profundas. Aquilo que parecia permanente começa a ser questionado pelas próprias contradições que se acumularam ao longo das últimas décadas. A disputa por mercados, recursos naturais, territórios, tecnologias e áreas de influência se intensifica e recoloca diante dos povos questões que muitos imaginavam definitivamente superadas.
Por isso, no XIX Seminário discutiremos a nova geopolítica internacional não como assunto distante da vida dos trabalhadores e trabalhadoras, mas, ao contrário, como um tema relacionado ao preço dos alimentos, ao emprego, à indústria, à agricultura, à exploração dos recursos naturais, à capacidade de produzir ciência e tecnologia e ao direito de um país estabelecer relações internacionais sem abrir mão de seus próprios interesses.
É nesse sentido que o Seminário também expressa aquilo que o Inverta construiu ao longo de sua história. Estarão presentes convidados e palestrantes de diferentes países, com experiências que são referências regionais e mundiais, ao lado de intelectuais brasileiros, defensores do Povo, filhos e filhas da classe trabalhadora, jovens que lutam pelo direito de existir e camaradas experientes e generosos, que continuam dedicando seu trabalho à defesa firme e incansável dos interesses do Povo brasileiro, do Socialismo como ideal de sociedade e da autodeterminação dos povos.
Talvez seja justamente isso que permita ao Inverta chegar a mais de 3 décadas sem ter se perdido no caminho. Em uma época em que tantos discursos mudam conforme a conveniência do momento, manter uma posição histórica tem um preço. Mas também tem um significado. Não se trata de ignorar as contradições, nem de imaginar que o mundo possa ser transformado por palavras impressas em papel ou publicadas em uma tela. Trata-se de compreender que a palavra também é uma forma de luta quando está ligada à organização, à consciência e à prática.
Assim, 35 anos depois, o Inverta continua defendendo a soberania nacional, os direitos do Povo trabalhador, a autodeterminação dos povos e o Socialismo; continua acreditando que a comunicação pode ser instrumento de consciência e organização, e não mercadoria; continua procurando estar ao lado daqueles que não aceitam transformar a desigualdade e a exploração em destino inevitável. E reafirma a escolha histórica de continuar existindo e colocando nossas páginas a serviço da Humanidade, sem abrir mão daquilo que, desde sua origem, nos mantém fora do pântano: a defesa intransigente do Povo, da soberania, do Socialismo e da emancipação da Humanidade.
Assim, desde seu lançamento na ABI, continua defendendo que a comunicação pode e deve ser instrumento de consciência e organização, e não mercadoria; continua procurando estar ao lado daqueles que não aceitam transformar a desigualdade e a exploração em destino inevitável. E reafirma a escolha histórica de seguir existindo e colocando nossas páginas a serviço da Humanidade, sem abrir mão daquilo que, desde sua origem, nos mantém fora do pântano: a defesa intransigente do Povo, da soberania, do Socialismo e da emancipação da Humanidade.
Redação de Inverta
Setembro de 2026
