Crise climática atinge todo o país
Em diferentes regiões do Brasil, episódios recentes confirmam o caráter nacional da crise climática, em 27 de fevereiro de 2026, a Agência Brasil apontou que desastres associados a chuvas intensas atingiram mais de 336 mil pessoas no ano anterior, mostrando a dimensão crescente da crise. Ainda em fevereiro, Goiás registrou chuvas fortes com alagamentos e ameaças de enchentes em várias cidades, como indicaram reportagens do Jornal Opção e da CBN Goiânia. No início de 2026, alertas de chuvas intensas foram emitidos para diversas regiões, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, com risco de alagamentos e deslizamentos, segundo a Agência Brasil.
No ano anterior, ameaças de temporais já indicavam esses riscos quando enchentes e ventos intensos açoitaram estados do Sul e Sudeste, como indicou à época, O Globo.
Em São Paulo, as autoridades tiveram que implementar um plano permanente de prevenção contra enchentes, o que revelou os impactos da crise climática na cidade.
Os dados e a cobertura da imprensa indicam que as tragédias não são episódios isolados, mas parte de um padrão nacional que atinge, sobretudo, as populações mais vulneráveis.
Desastres anunciados na Zona da Mata mineira: negligência e sofrimento social
Minas Gerais vive mais uma tragédia provocada pelas chuvas, com deslizamentos que atingiram cidades da Zona da Mata, como Juiz de Fora e Ubá. Um mês após os eventos extremos, famílias ainda lutam para reconstruir suas vidas diante das perdas humanas e materiais, evidenciando a dimensão prolongada do desastre e a dificuldade de recuperação das áreas atingidas. Segundo reportagem da Agência Brasil, as consequências seguem presentes no cotidiano da população, que enfrenta não apenas o luto, mas também a precariedade no acesso à moradia e a serviços básicos após as enchentes.
Há 34 anos, em Contagem, na Vila Barraginha, Região Metropolitana de Belo Horizonte, 36 pessoas morreram em decorrência das chuvas e dos deslizamentos, evidenciando que tragédias como essa não são fatos isolados, mas parte de um histórico recorrente.
As alterações climáticas em nosso planeta têm anunciado o desgaste que a Terra tem sofrido com a exploração dos recursos naturais para alimentar o modo de produção capitalista. A reprodução do sistema e as novas tecnologias aceleram a produção; contudo, a forma como tudo isso se dá tem levado a uma crise sem precedentes na história da humanidade. O sistema vive a sua pior crise: a crise orgânica do capital.
Com o sistema capitalista em crise, seus teóricos e economistas burgueses ensaiam fórmulas para superá-la. No entanto, a adoção de políticas neoliberais tem acelerado a destruição das próprias bases sociais, colocando em risco a vida da humanidade e do planeta.
Em 2024, foi o Rio Grande do Sul: as chuvas atingiram milhões de pessoas e deixaram um rastro de destruição. Agora, é a Zona da Mata mineira — Juiz de Fora e Ubá — que sofre com volumes intensos de chuva e seus impactos. Juiz de Fora, inclusive, figura entre cidades brasileiras com áreas de risco para deslizamentos. Mas onde está o governo de Minas Gerais diante do sofrimento do povo?
O governador Romeu Zema, no cargo há quase oito anos, ampliou a dívida do estado com a União e, ao mesmo tempo, elevou significativamente os próprios salários. Sua gestão é marcada por medidas que favorecem interesses empresariais. Um exemplo é o corte drástico nos recursos destinados ao combate às chuvas, reduzidos de R$ 135 milhões para R$ 5,8 milhões — uma diminuição superior a 95%.
A condução do governo estadual segue uma lógica neoliberal, privilegiando grandes empresas e setores econômicos. Enquanto isso, tragédias ambientais como Mariana e Brumadinho seguem como marcas profundas da atuação das mineradoras no estado, evidenciando os riscos de um modelo que prioriza o lucro em detrimento da vida.
O fato é que o sistema não está voltado para atender aos interesses do povo e ao desenvolvimento da nação. Ao contrário, forças políticas alinhadas ao capital financeiro atuam para reduzir direitos e aprofundar desigualdades, negligenciando investimentos essenciais em infraestrutura e prevenção de desastres nas áreas mais vulneráveis.
O jornal Inverta presta sua solidariedade às vítimas de Juiz de Fora e Ubá e reforça a necessidade de denunciar as desigualdades estruturais que seguem colocando em risco a vida do povo trabalhador.
Sidnei martins
Sucursal do Inverta em Minas Gerais
Atualizada em 14 de Abril de 2026

