A Conjuntura Atual, a Crise Orgânica do Capitalismo e o Brasil em Ano Eleitoral
A intensificação da crise de hegemonia no sistema mundial tem exposto, nos últimos meses, práticas cada vez mais violentas por parte de potências como os Estados Unidos, países europeus e seus aliados, entre eles Israel.
Vivemos um momento de aprofundamento da crise política das forças que até recentemente se afirmavam hegemônicas no plano global e que, por muito tempo, se apresentaram como superiores às demais nações situadas fora do eixo Europa–Estados Unidos. A atual crise do capitalismo contemporâneo começou a se desenvolver quando as forças da reação capitalista se consideravam invencíveis após a imposição do chamado Consenso de Washington a diversas nações do mundo, depois da queda dos países socialistas do Leste europeu e da desintegração da União Soviética, e com a difusão das políticas econômicas neoliberais, essas potências passaram a se considerar incontestáveis no cenário internacional. Porém, esse quadro começou a se alterar rapidamente, especialmente após as crises financeiras do final dos anos 1990, como a crise asiática de 1997-1998.
Essas transformações na conjuntura econômica e social não eliminaram as crises cíclicas do capitalismo nos países centrais. Elas retornaram com intensidade no final dos anos 1990 e persistem até hoje, assumindo formas mais complexas e prolongadas, revelando incapacidade de soluções e demonstrando uma crise mais aprofundada levando ao entendimento que estamos diante de uma crise de transição do sistema do capitalismo a um sistema superior: a Crise Orgânica do Capital.
Entretanto, as forças sociais e políticas capazes de superar esse sistema ainda se encontram em processo de reorganização e enfrentam conflitos com países ou regiões onde atuam diversos mecanismos de beligerância, espionagem e intervenção indireta, incluindo grupos armados e operações de inteligência promovidas por parcelas das mesmas classes dominantes, que vão usar estas situações para imobilizar, de certo modo, aqueles que possuem maior capacidade de organização social ou de defesa de seus territórios e interesses. E com isso atacam outras regiões procurando restaurar por golpes políticos ou guerras abertas parte de seu antigo poder político. É a continuada solução exasperada das classes dominantes atuais.
Apesar disso, também surgem reações populares contrárias a diversas políticas governamentais, principalmente nos Estados Unidos, onde se observam protestos contra políticas migratórias e contra o aumento do custo de vida. Também ocorrem manifestações críticas a pressões e intervenções externas sobre países como a Venezuela, bem como protestos contra os ataques ao Irã e contra a situação persistente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Nesse contexto, também se questiona a política de bloqueio econômico imposta a Cuba e e as sanções aos seus aliados.
Os conflitos atuais não são como aqueles contra os judeus e asiáticos, em geral, nas décadas de 30 e 40, na Europa e Ásia, realizados por alemães e japoneses; esses conflitos assumem hoje outras formas no sudoeste asiático (Oriente Médio), atingindo populações palestinas, libanesas, iranianas e sírias. O número de vítimas civis é elevado, incluindo crianças e mulheres, pessoas que não participam dos combates e que são fundamentais para a continuidade das comunidades atingidas.
Nos processos de crise do sistema capitalista também se observou maior concentração e centralização dos oligopólios financeiros. A redução da concorrência entre grandes conglomerados financeiros arrastou empresas incapazes de enfrentar suas obrigações econômicas, provocando falências em empresas de médio e pequeno porte criando também um contingente significativo da população relativa de trabalhadores desempregados ou em condições precárias de trabalho, empobrecendo amplos setores da força de trabalho industrial e de serviços; criando uma composição orgânica de capital modificada no sentido de presença maior de trabalho constante, trabalho morto, contido em máquinas e matérias-primas ao contrário do trabalho variável ou trabalho vivo, presente na mão de obra.
O desenvolvimento científico e tecnológico ampliou a utilização de sistemas automatizados e métodos inteligentes de produção. Ao mesmo tempo, os trabalhadores, o trabalho vivo, são transformados em apêndice das máquinas, passaram a exercer atividades fragmentadas ou flexíveis, tanto dentro quanto fora do ambiente tradicional de trabalho, como no caso do teletrabalho, dos serviços de entrega, como motoristas de aplicativos, nas plataformas digitais, etc.
O autômato perfeito alcançou a fábrica. E isso transformou o capitalismo em um sistema superior por suas próprias estratégias? Engano. Sem braços suficientes no ambiente de trabalho quem consome a produção desenvolvida com tanta complexidade científica? As crises de realização dão sinais claros da falência desta corrida no processo de composição orgânica do capital, levando há vários anos de crescimento decrescente em regiões da Europa, EUA e Japão.
Políticas que buscavam controlar a concorrência entre grandes monopólios industriais acabaram por consolidar crises de crescimento econômico negativo. Diante da dificuldade de resolução dessas crises apenas pela expansão produtiva, parte das classes dominantes passou a recorrer à superexploração de mercados periféricos ou a intervenções militares diretas, incluindo guerras locais ou a imposição de governos alinhados aos interesses das potências centrais.
Também é necessário observar que muitos dos avanços tecnológicos aplicados na produção são igualmente utilizados no campo militar. Sistemas de drones, radares, energia elétrica e tecnologia nuclear são incorporados aos armamentos, da mesma forma que tecnologias presentes em celulares, veículos elétricos e outros equipamentos civis. Com isso, a capacidade tecnológica de precisão militar aumenta significativamente. Quando estruturas civis, como escolas ou centros de ajuda humanitária, são atingidas em conflitos armados, isso suscita questionamentos sobre as escolhas estratégicas e os objetivos militares envolvidos nessas ações. Foi erro ou mataram crianças e civis, em geral, porque eram os alvos escolhidos?
As guerras produzem sofrimento humano e perdas sociais profundas. Entretanto, quando conflitos armados estão associados à disputa por recursos estratégicos, tornam-se ainda mais difíceis de justificar sob qualquer perspectiva humanitária. Recentemente, ataques ao Irã atingiram espaços onde se reuniam líderes religiosos e políticos para definir um novo substituto do líder assassinado anteriormente por ordem dos governos de Israel e dos EUA, países que julgam-se capazes de condenar tudo e todos e potencializam seu poder através de seus arsenais, nucleares, inclusive. Tais ações evidenciam o grau de tensão e escalada presente na região.
Nesse cenário, a situação internacional torna-se cada vez mais complexa. A eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também trouxe novos elementos de instabilidade nas relações internacionais. O governo estadunidense passou a adotar posições que inclusive tensionam relações com aliados tradicionais, como demonstram declarações envolvendo a Groenlândia ou o Canadá. Essas atitudes geraram reações em fóruns internacionais, como o G7 e o G20, contrárias aos seus interesses. Mas o que observamos é o verdadeiro interesse de Trump e do governo de seu país, em invadir diversas regiões do mundo, incluindo países integrantes do BRICS e áreas da América Latina e do Caribe.
A região formada pelos países do BRICS destaca-se atualmente pelo dinamismo econômico, científico e tecnológico. A América Latina e Caribe por serem importantes para o domínio dos EUA, como sua defesa, e além disso, a pretensão maior é que grandes territórios como o Brasil serviriam para desenvolver políticas subimperialistas nos outros países em benefício dos EUA.
Assim, na América Latina e Caribe observamos a criação de governos contrários aos trabalhadores, e que são aliados dos EUA, como os governos do Equador, Argentina e Paraguai, na América do Sul, além de Suriname e Guiana, contrários ao bolivarianismo. El Salvador, Guatemala, Honduras, Panamá, recentemente se renderam aos EUA, por isso, precisamos observar com cuidado nossa região porque já estamos afetados pelo que já ocorre com a Venezuela, Nicarágua e, principalmente Cuba Socialista, onde querem usar a crise econômica e a paralisia de sua infraestrutura, agravadas pelo bloqueio e as recentes medidas dos EUA, para destruir a construção do Socialismo em nossa região.
A Venezuela está sendo coagida a realizar e permitir um governo colaboracionista aos EUA, o Petróleo da Venezuela que na política bolivariana deveria ser um ponto- chave no processo de soberania, libertação e progresso do país se tornou hoje, pela intervenção dos EUA, um produto para domínio e escravização mundiais.
Por outro lado, países como a Nicarágua e, principalmente, Cuba, foram isolados do mundo, em uma tentativa de estrangulamento econômico, por falta de abastecimento geral, em especial, petróleo, que não pode chegar ao país porque os piratas estadunidenses ameaçam atacar qualquer navio que tente que abastecer de combustível a Ilha; com isso, os EUA também querem afirmar que ele é o policial desta região. Precisamos saber a resposta cubana e de seus aliados e que a vitória de Cuba Socialista se produza mais uma vez!
Outras regiões do mundo também enfrentam pressões geopolíticas intensas. O Irã ocupa posição estratégica no sudoeste asiático, e atualmente, configura-se como uma área de conflito permanente entre EUA e Israel; contudo, o poder dos xiitas está desenvolvendo, com as devidas proporções, uma defesa contra uma potência militar, os EUA, e seu aliado, Israel. Ao mesmo tempo, o Irã desenvolve alianças importantes com países como China e Rússia, embora também existam contradições e disputas regionais envolvendo outros atores internacionais.
Temos a situação da China na luta pela busca da concretização da Grande China, que é uma questão geradora de conflitos com o Japão que, auxiliado pelos EUA, vem interferindo em conflitos com Taiwan. E a continuada intervenção da Rússia em regiões do território atual da Ucrânia, que é hoje um país de matriz neonazista, acusada de dizimar populações de origem russa nas áreas protegidas hoje pelos exércitos de Moscou, como na região da Crimeia. Esta ação de choques contraditórios fomentada pela OTAN, visava procurar criar áreas de espionagem e intervenção na Rússia, e apesar da clara vitória russa contra a OTAN, sua negativa de aceitar a Ucrânia como membro desta aliança militar ocidental, não é assinado um acordo de paz definitivo entre russos e ucranianos, com isso, se mantém um esforço continuado de guerra, atingindo até mesmo países europeus nas questões de energia, ocasionadas por falta do gás e petróleo russo, que alimentam a maioria deste continente.
A Rússia também desempenha papel relevante nas disputas geopolíticas contemporâneas, particularmente no conflito envolvendo a Ucrânia, que é hoje um país dirigido por um governo de orientação neonazista um país com um governo de orientação neonazista e fortemente antirrusso, responsável por ações violentas contra populações de origem russa em regiões hoje sob controle das forças de Moscou, como a Crimeia. Esta ação de choques contraditórios fomentada pela OTAN, que explorou as contradições entre os dois países, visava criar áreas de espionagem e intervenção na Rússia. No entanto, o prolongamento do conflito — que frustrou a expectativa de uma vitória rápida da OTAN e representou uma vitória russa contra a aliança militar ocidental — revelando ainda a armadilha em que caiu Ucrânia ao não receber a proteção formal do tratado militar. Assim o bloco ocidental liderado pelos EUA se livra de um acordo de paz definitivo, mantendo a região em estado permanente de tensão. As consequências desse impasse ultrapassam o campo militar e atingem toda a Europa, especialmente no plano energético, devido às restrições ao fornecimento de gás e petróleo russos que abastecem grande parte do continente.
A China, país que possuía dependências incríveis em 1950, é hoje a maior potência em múltiplos fatores: sociais, tecnológicos, científicos, educacionais, além de financeiros e econômicos, superando Europa, EUA e Japão. O país expandiu seu processo econômico até regiões que se apresentavam paralisadas, em todos os continentes e procura desenvolver sua grande rota comercial mundial como uma nova “Rota da Seda”, e toda movimentação, ações e guerras estadunidenses, são, em grande medida, para conter o avanço econômico desta potência asiática.
Diante do quadro apresentado, compete ao nosso país algumas posições protagonistas neste momento, apresentar-se como país por uma força progressista com capacidade de manter o poder interno e ao nível internacional contra o “neonazismo do país mais democrata do mundo”, os EUA, e forjar alianças com governos de esquerda como Colômbia e Uruguai, na América do Sul, aproximando outros por acordos diplomáticos ou por acordos econômicos ou comerciais. Assim, deve aproximar-se do México com os mesmos objetivos e levantar posições de colaboração e ajuda aos países da Venezuela, Nicarágua e principalmente Cuba Socialista. Para isso o próprio governo precisa divulgar as conquistas destes países para a humanidade e para a Ciência, como a vacina cubana contra a Covid-19, assim como a chinesa e a russa, que salvaram milhares de pessoas em várias partes do mundo; as brigadas médicas cubanas que atuam em qualquer parte do mundo. Destruir Cuba, como afirmam, é destruir vidas Humanas! A Ilha precisa de ajuda humanitária, mas também precisa de petróleo e outras fontes de energia.
Diante desse quadro, o Brasil enfrenta importantes desafios e responsabilidades. O país possui condições de desempenhar papel relevante na defesa de uma política internacional baseada na cooperação entre nações, na busca pela paz e na ampliação de relações diplomáticas e econômicas com diversos parceiros.
Nesse sentido, torna-se importante fortalecer relações com países latino-americanos, incluindo Colômbia, Uruguai e México, além de ampliar a cooperação com Venezuela, Nicarágua e Cuba. Experiências desenvolvidas por esses países em áreas como saúde pública e cooperação internacional também merecem ser conhecidas e debatidas.
É mister fazer uma grande campanha interna pela vitória de Lula, mas não só, também precisamos renovar as Casas legislativas estaduais e o Congresso Nacional; afastar milícias, políticos de voto de cabresto. De nossa parte, devemos criar e fortalecer os Comitês de Luta Contra o Neoliberalismo existentes, explicando o papel desta política e por que devemos derrubá-la.
Ousar lutar!
Ousar vencer!
Venceremos!
Haroldo Moura
CEPPES

