Influenza tipo A/H1N1 e descontrole na saúde pública em GO

Em março de 2009, a OMS (Organização Mundial da Saúde) tornou pública a ocorrência de casos da chamada Gripe A no México, e posteriormente nos Estados Unidos, no Canadá e na Espanha. Daí para frente a doença atingiu outras partes do mundo, inclusive o Brasil.

Em março de 2009, a OMS (Organização Mundial da Saúde) tornou pública a ocorrência de casos da chamada Gripe A no México, e posteriormente nos Estados Unidos, no Canadá e na Espanha. Daí para frente a doença atingiu outras partes do mundo, inclusive o Brasil. Na ocasião, o mundo enfrentava uma pandemia da doença, dada por encerrada em agosto de 2010. De acordo com o Gazeta do povo, em 2009 foram registradas 2.060 vítimas mortais no país. Apesar do fim da pandemia, o vírus H1N1 não saiu de cena e este ano volta a assustar a população. Segundo dados do Ministério da Saúde até o dia 2 de abril do corrente ano foram centenas de casos registrados e um total de 102 mortes de pessoas que contraíram a doença no Brasil, quase o triplo das (36) mortes ocorridas em 2015.

O mais preocupante, porém, não é o potencial de transmissão do vírus, mas saber que esse potencial pode ser neutralizado com simples medidas profiláticas, resultantes de um saudável processo de educação nacional, coisa que infelizmente não temos.

O estado de Goiás, conhecido pelas belezas naturais e pelas riquezas advindas do agronegócio, insiste, em sucessivos governos, inclusive os do atual Marconi Perillo, em negligenciar a dobradinha educação e saúde tão necessária à maioria da população goiana. E é esta mesma população a mais vitimada pelos descasos do governo. Trata-se do acirramento, para lembrar as palavras de Minayo, da “arbitrariedade impositiva das classes dominantes por meio dos sistemas de saúde” que, pode-se por assim dizer, quando não são precários são precarizados.

Exemplos disso são os tumultos e o empurra-empurra em filas de vacinação no estado, causando verdadeiro constrangimento em idosos a partir de 60 anos, crianças entre 6 meses e 4 anos e 11 meses, mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias, povos indígenas, gestantes e portadores de doenças crônicas, além dos próprios trabalhadores da saúde, tão vitimados pela precarização do trabalho quanto os pacientes a quem devem atender.

A Secretaria de Saúde do Estado de Goiás (SES-GO) divulgou no dia 13/04/2016 que de 3 de janeiro a 12 de abril deste ano já foram registrados 42 casos de H1N1 em Goiás, com 9 mortes.

Para completar o quadro, estouram denúncias e pedidos de investigação pelo Ministério Público Federal frente aos desvios de verbas e de materiais federais para a saúde no estado. Enquanto não se resolve a situação, a população goiana sofre cada vez mais com o descaso do governo estadual. Há, por exemplo, cidades com um único hospital: sem condições de realizar cirurgias, partos ou exames. Faltam até materiais para diagnosticar a dengue, por exemplo.

Mas como nem tudo é crise, e os donos de clínicas particulares que o digam, há quem ganhe bastante com a influenza A/H1N1, como noticiou o G1/Goiás em 03/04/2016:

“Moradores da capital e de cidades do interior estão procurando as unidades de saúde de Goiânia atrás da vacina contra a gripe H1N1. Com a grande demanda, muitas clínicas estão sem as doses. Em alguns locais, chegam a aplicar 80 vacinas por hora.

Nas clínicas particulares, a dose da vacina que custava R$ 100 pode ser encontrada por R$ 130 e até R$ 150. “A gente veio de Rio Verde e lá está com o maior surto do H1N1. Mesmo que a gente não venha a conseguir, a gente fica nas filas esperando para tentar, porque está assustador o surto, muitas pessoas preocupadas”, disse a psicóloga”.

Nota-se, pois, cada vez mais o aumento do fosso entre a realidade cotidiana enfrentada pelos goianos, sobretudo os mais necessitados, e o que é propagado pelo governo estadual através dos meios oficiais e não oficiais.

Adelmar Santos de Araújo Goiânia-GO