A luta comunista contra os oportunistas de esquerda

Os comunistas, para lutarem com êxito contra o imperialismo, devem defender consequentemente os seus próprios princípios, lutando pelo triunfo do marxismo-leninismo e combatendo, segundo os casos, as deformações oportunistas de direita e de “esquerda”, da sua teoria e da sua política, tanto o revisionismo como o dogmatismo e o aventureirismo sectário de “esquerda”.

As condições da luta internacional de classes e o rumo do movimento comunista internacional em direção a ações anti-imperialistas conjuntas exigem de forma imperiosa que se eleve o papel ideopolítico dos partidos marxistas-leninistas no processo revolucionário mundial. Isto implica a necessidade de intensificar a luta contra a ideologia burguesa e oportunista e de desenvolver, sem desfalecimento e com espírito criador, a teoria revolucionária.

As deformações oportunistas do marxismo-leninismo no seio do movimento comunista adquirem diversas formas de oportunismo de direita e de “esquerda”, de dogmatismo e sectarismo, de aventureirismo e nacionalismo. Ideologicamente, estas formas de oportunismo têm íntima ligação com a ideologia burguesa e pequeno-burguesa. Por isso, a luta contra o oportunismo dentro do movimento comunista surge ligada à denúncia do anticomunismo da burguesia imperialista e do reformismo da social-democracia de direita.

Desmascarar o oportunismo de todos os matizes é uma das condições determinantes para o êxito de toda a atividade dos comunistas. A luta de princípios contra o oportunismo, que não deixa de ser uma luta anti-imperialista, é essencial na época em que vivemos – no momento atual -, em que é mais importante que nunca a missão histórica das ideias comunistas, a responsabilidade dos comunistas pelo destino da humanidade e a sorte da paz e da revolução.

Os comunistas, para lutarem com êxito contra o imperialismo, devem defender consequentemente os seus próprios princípios, lutando pelo triunfo do marxismo-leninismo e combatendo, segundo os casos, as deformações oportunistas de direita e de “esquerda”, da sua teoria e da sua política, tanto o revisionismo como o dogmatismo e o aventureirismo sectário de “esquerda”.

As origens sociopolíticas do oportunismo

Como explicar que no movimento operário e comunista existam diversos tipos de oportunismo? O marxismo-leninismo entende que o surgimento do oportunismo não resulta do acaso, nem dos erros de certos indivíduos ou grupos, nem das particularidades nacionais ou das tradições do movimento operário. As raízes do oportunismo, suas origens, provêm do regime socioeconômico da sociedade capitalista, da sua estrutura de classes e do caráter do desenvolvimento do movimento operário.

A base social do oportunismo

O oportunismo tem variadas raízes e origens socioeconômicas e políticas. Na luta contra o imperialismo, hoje codinominado de globalização, alargam-se as fileiras dos aliados da classe operária. Isto aproxima a emancipação social e nacional dos povos subjugados e de todos os trabalhadores (principalmente na atualidade). Por sua vez, as forças não proletárias integradas no movimento revolucionário trazem para ele as suas opiniões, idiossincrasias, e ideias (das quais se nutre o oportunismo), diferentes da ideologia proletária. Nas vigorosas ações políticas incorporam-se milhões de pessoas – isso presenciamos nas manifestações de rua recentemente ocorridas no país -, pertencentes a diferentes camadas sociais. Muitas delas entram na vida política com uma grande carga de energia revolucionária, mas tendo, ao mesmo tempo, uma ideia bastante imprecisa acerca das vias para a solução dos problemas que as inquietam. Daí procedem as suas vacilações que vão das ruidosas manifestações políticas até à passividade, das ilusões reformistas até a impaciência anarquista.

A base social do oportunismo no movimento operário é formada sobretudo por certa camada intermediária da classe operária, pequeno burguesa pela sua origem e pelas suas concepções. O pequeno burguês – professor, funcionário público, intelectuais e pequenos comerciantes, arruinados pelo grande capital - entra no seio do proletariado, trazendo a sua ideologia ao movimento operário.

Nos países capitalistas desenvolvidos – como no caso do Brasil atual -, graças à luta tenaz da classe operária e em resultado do aumento da produção em diversos ramos, produziu-se a elevação dos salários de algumas categorias de operários – caso dos metalúrgicos - e foram por outras formas novas, mais flexíveis e dissimuladas. Estas e outras circunstâncias aumentaram em certa medidas as ilusões reformistas entre parte dos trabalhadores. Impossibilitada de compreender a essência do caráter contraditório do desenvolvimento do capitalismo, parte dos trabalhadores eleva, como dizia Lenin, este ou aquele traço do desenvolvimento capitalista à teoria unilateral, a sistema unilateral de tática (Lenin – As Divergências no Movimento Operário Europeu – Obras Escolhidas), adotando por vezes as posições do reformismo.

A influência da ideologia burguesa sobre o proletariado deve-se também a outras razões. Os operários vivem na sociedade burguesa, na qual os meios de informação de massas – rádios, jornais, revistas e TV -, as instituições culturais e o sistema de ensino pertencem à classe capitalista ou são por ela controlados. A classe dominante procura sempre inculcar, de qualquer (e toda) forma, nos trabalhadores as suas concepções ideológicas, e isto contribui também para impulsionar o espírito oportunista.

Por último, não se deve esquecer que, como reflexo da revolução científico-tecnológica, é hoje maior o peso dos intelectuais na sociedade. Nos partidos comunistas militam muitos que, em boa medida, estudam seriamente o marxismo-leninismo e se tornam autênticos revolucionários. Mas há também os que continuam fiéis às suas ideias pequeno-burguesas e se convertem em portadores de influências não proletárias nos partidos comunistas. (continua)

Valdir Izidoro Silveira - PCML-Paraná