José Mujica fala aos jovens na UERJ

O ex-presidente do Uruguai José Mujica esteve na Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ no dia 27 de agosto, conversando com os jovens e universitários sobre relevância de lutar por uma sociedade igualitária, solidária e responsável.

O ex-presidente do Uruguai José Mujica esteve na Universidade Estadual do Rio de Janeiro - UERJ no dia 27 de agosto, conversando com os jovens e universitários sobre relevância de lutar por uma sociedade igualitária, solidária e responsável.

Mujica abriu diálogo sobre temas polêmicos e destacou a importância de uma consciência coletiva e um governo democrático exaltando também a integração da América do Sul.

Com diversas forças políticas representadas no cenário acadêmico, como a UNE – União Nacional dos Estudantes, a CUT – Central Única dos Trabalhadores, a J5J- Juventude 5 de julho (PCML), o PT- Partido dos Trabalhadores, KIZOMBA entre outras, o ex-presidente mujica disse que veio para ascender a militância aos jovens.

O evento de grande magnitude para a cidade do Rio de Janeiro pautou-se em  apresentar aos jovens a atual conjuntura e a crise estrutural do capitalismo, diante do quadro político em que o Brasil encontra-se desde as eleições de outubro de 2014, com diversas manifestações iniciadas em junho de 2013.

Apontou a cultura mercadológica como devastadora para a humanidade, que se resume no egoísmo, tornando o cidadão escravo do consumo e fortalecendo uma minoria privilegiada.

Afirmou que o pensamento tem que ser coletivo, visando não pensar como um país, mas sim como espécie humana, onde temos responsabilidades  mundial.

Respondendo as perguntas, o ex-presidente falou o que pensa sobre temas como movimentos golpistas, a união da América Latina na economia através da UNASUL e MERCOSUL, descriminalização das drogas, a redução da maior idade penal, a questão de gênero e seus maiores exemplos históricos.

Segundo Mujica, o que está em crise são os valores de nossas civilizações, essa etapa do capitalismo está no momento de sepultura, trazendo formas ancestrais para dentro das repúblicas, por vias feudais.

Respondendo aos gritos de “Não vai ter golpe” dos participantes, Mujica explica que a democracia não é perfeita, porque não somos perfeitos, mas temos que defendê-la para melhorar e não para sepultá-la e complementa dizendo que os valores da extrema direita são deles, mas nós temos que viver com os valores que vivem a maioria do nosso povo, não se pode dar oportunidade de confundirmos que triunfar na vida é ter riqueza. Mostrando que grande problema da América Latina são as desigualdades e tende a multiplicar se não houver um estado forte com políticas fiscais, para haver equidades sociais.

Que mesmo o Brasil tendo dimensões continentais ele precisa da ajuda de seus irmãos latinos, principalmente para o campo da pesquisa, porque só assim travamos uma batalha pela liberdade.

Ao falar de gênero, Mujica coloca que as mulheres vêm ganhando seu lugar na luta, porém não acredita em igualdade de gêneros, mas sim em igualdade de direitos. Porque vivemos em uma cultura extremamente machista.

Quanto a descriminalização das drogas, o mesmo enfatiza que não existe comparação com seu País (Uruguai e  Brasil) os mesmos tem dimensões geográficas e políticas diferentes, portanto não se trata de legalização e sim de regularização.

Questionado sobre a redução da maior idade penal que será pela segunda vez votada no Brasil, entende que as prisões na América Latina não são reabilitadoras, e que essas medidas reducionistas não são válidas e que nenhum ser humano nasce com vocação para viver em um cárcere, mostra que temos que oferecer uma outra realidade.

Estar dentro de um ambiente universitário discutindo política com uma pessoa que sofreu durante o período de ditadura militar no Uruguai, revela que juventude brasileira quer sim discutir o futuro do seu país e mais quer discutir o futuro da América Latina.

Construindo junto um continente com políticas justa, desenvolvidas e socialistas.


Beatriz Morais - J5J-RJ