Copa 2014: América Latina mostra sua força!

É uma falsa polêmica culpar os gastos com a Copa pela falta de recursos para a saúde e educação e ao mesmo tempo silenciar sobre a sangria diária que representa ao país o pagamento de juros de dívida ao setor financeiro internacional. Segundo a ONG Auditoria Cidadã da Dívida, gastamos 3,4 bilhões de reais, a cada dia, com o pagamento direto aos banqueiros, mais de metade dos gastos do orçamento federal.

A escolha dos países ditos emergentes para sediar os grandes eventos, como o caso das Copas na África do Sul e no Brasil e das Olimpíadas na China e no Brasil, é uma confirmação da análise que temos feito sobre o papel dessas economias na estratégia do sistema de superação da Crise do Capital.

Com a utilização intensiva de capital constante (máquinas), as economias dos países centrais sofreram uma estagnação, pois essa aplicação da tecnologia levou a uma mudança na mensuração do valor das mercadorias, transitando do tempo de trabalho socialmente necessário para o tempo livre, o que demonstra que o sistema capitalista se converteu em uma barreira ao desenvolvimento global das forças produtivas.

A organização da Copa do Mundo no Brasil de 2014 não está alheia a todas as contradições advindas do fato de nossa economia ser capitalista.

É da natureza do desenvolvimento capitalista promover ao mesmo tempo a concentração de riqueza em um polo da sociedade e de miséria e torturas do trabalho no polo oposto (proletariado), e apenas uma Revolução Comunista é capaz de mudar esse quadro.

A organização das Olimpíadas na China foi uma demonstração de que dentro do socialismo é possível organizar um grande evento em benefício das grandes maiorias.

No nosso caso é difícil computar o custo exato que representou para o país a realização da Copa do Mundo, e também as entradas geradas por este evento, cálculo que exige um estudo que só poderá ser feito a posteriori.

O que podemos afirmar é que existe uma superação dos prognósticos cataclísmicos repetidos constantemente pela mídia burguesa, e pela oposição, como demonstraram os números favoráveis esboçados pelos setores de turismo (hotéis e passagens) e pelo comércio.

Desde que foi anunciado o Brasil como sede da Copa, o Inverta denunciou os abusos cometidos contra os moradores dos grandes centros urbanos, principalmente os que foram vítimas das políticas de remoções forçadas, que beneficiou principalmente o setor imobiliário e as grandes empreiteiras.

A execução das obras gerou um número considerável de empregos, um ponto importante em um período no qual o fantasma do desemprego açoita os trabalhadores em todo o mundo.

Porém devemos questionar em quais condições são gerados estes postos de trabalho. A alta rotatividade da mão de obra, os constantes acidentes de trabalho, que ocorrem em consequência de uma negligência assassina dos patrões, além da falta de condições dignas, como a assistência à saúde, que foi uma das reivindicações que levaram os operários que trabalharam no Maracanã a realizar uma greve.

Muitos setores aproveitaram o momento da Copa para exigir o atendimento às suas justas reivindicações. É importante a experiência positiva de lutas como a do MTST, que conseguiu um compromisso do governo federal de desapropriar o terreno da Ocupação Copa do Povo, além da criação da Comissão de Prevenção de Despejos, além de mudanças no programa Minha Casa Minha Vida.

Porém, não podemos estabelecer uma relação causal entre todos os problemas sociais que enfrentamos e a realização deste tipo de evento.

É uma falsa polêmica culpar os gastos com a Copa pela falta de recursos para a saúde e educação e ao mesmo tempo silenciar sobre a sangria diária que representa ao país o pagamento de juros de dívida ao setor financeiro internacional.

Segundo a ONG Auditoria Cidadã da Dívida, gastamos 3,4 bilhões de reais, a cada dia, com o pagamento direto aos banqueiros, mais de metade dos gastos do orçamento federal.

Ou seja, em aproximadamente cinco dias, o Brasil repassa aos tubarões do setor financeiro o mesmo montante que foi gasto na construção de todos os estádios da Copa.

Cabe perguntar por que a grande imprensa e certos setores oportunistas não se escandalizam com isso.
Dentro da lógica de alguns, nenhum país em desenvolvimento poderia organizar um evento como a Copa do Mundo.

É preciso analisar atentamente o que representa para a projeção do nosso continente estar no foco da atenção mundial. Uma final de Copa do Mundo representa mais de 3 bilhões de pessoas com o foco no mesmo local, número não repetido nem mesmo pelas manifestações religiosas.

Das 16 seleções classificadas para as oitavas de final, 7 são de países latino-americanos. A unidade desta região se favorece da presença massiva de turistas destes países irmãos, dos quais muitos vieram em grandes caravanas ao Brasil, improvisando acampamentos, e que, dianto do alto custo dos ingressos imposto pela FIFA, assistem aos jogos em telões junto aos brasileiros.

A receptividade do nosso povo demonstra que não fez efeito a campanha de preconceito trabalhada diuturnamente pela mídia que desdenha de nossos irmãos, como o caso das propagandas nas quais os argentinos são ridicularizados e alvos de violência.

Esse bom momento da nossa Pátria Grande latino-americana levou a presidenta Dilma a afirmar: “Eu cheguei à conclusão depois de olhar o resultado desses jogos que é uma Copa da Celac, ou seja, o que é a Celac? São todos os países do México até lá na Patagônia.

Porque a quantidade de latino-americanos que têm nessa Copa chances, bons times, é muito grande. É muito bonito ver a América Latina com tanta força.”


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