A extrema riqueza e a extrema miséria

Uma das características mais marcantes do sistema capitalista, seja em Zimbábue, Brasil ou Suíça, é a extrema concentração de riqueza no topo da pirâmide social e, no outro extremo, o despejo de um amontoado de centenas de milhões de proletários.

De um lado, a ostentação com mercadorias de alto luxo e personalizadas, mobilidade aérea (via jatinhos e helicópteros), saúde e educação exclusivas, alimentação e acompanhamento requintados, joias extravagantes e até a água é Perrier; de outro, aonde ser encontra a superpopulação relativa do sistema, a absoluta miséria, mendicância e barbárie.

A Forbes revista dos EUA divulga anualmente um ranking da evolução financeira, recentemente esta revista publicou a lista das famílias mais ricas do Brasil.

Nesta encontramos aqueles que estão enriquecendo com a manipulação da opinião pública, com a estratosférica taxas de juros e especulação financeira, monopolização do cimento, com as privatizações e monopólio das vias de transportes, com latifúndio e monocultura da soja e da carne, respectivamente as famílias Marinho (donos da Rede Globo), com fortuna de R$ 66,5 bilhões; Safra (donos do Banco Safra), fortuna de R$ 46,3 bilhões; Ermírio de Moraes (Siderurgia, Cimento e Banco), fortuna de R$ 35,4 bilhões; Moreira Salles (Unibanco), fortuna de R$ 28,5 bilhões; Camargo (Construtora Camargo Corrêa), fortuna de R$ 18,5 bilhões; Villela (Banco Itaú), fortuna de R$ 11,5 bilhões; Maggi (rei da Soja), fortuna de R$ 11,3 bilhões; Aguiar (Banco Bradesco), fortuna de R$ 10,5 bilhões; Batista (rei do gado e dono da JBS Friboi), fortuna de R$ 9,9 bilhões; Odebrecht (construtora e petroquímica), fortuna de R$ 9 bilhões. Em suma, os donos do Brasil!

O setor aonde se concentra a superpopulação relativa do sistema não sai nas revistas da socialite ou nas colunas sociais da mídia monopolizada. Este setor encontramos diariamente nas colunas policiais e nas estatísticas da violência e da mortandade.

É aí que é o lugar do subproduto do sistema capitalista, seus filhos bastardos, o exército industrial de reserva da grande indústria, latifúndio e bancos. Esses “trapos sociais” se somam aos milhões somente no Brasil, e uma parte dela não estão em condições sub-humanas devido aos programas de inclusão do governo federal. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, são pouco mais de 14,1 milhões de famílias extremamente pobres que estão sendo atendidas pelo programa Bolsa família.

No entanto, existe pouco mais de 500 mil famílias que ainda sequer foi possível identifica-las, não havendo qualquer possibilidade de enquadra-las em algum dos programas de transferência, permanecendo na “condição miserabilidade”.

O custo anual para o atendimento do programa Bolsa Família para as 14,1 milhões de famílias extremamente pobres foi de R$ 24,5 bilhões, no ano de 2013. De acordo com a revista Forbes, somente a família Moreira Salles (dono do Banco Unibanco, agora associado ao Itaú) possui uma fortuna de R$ 28,5 bilhões (US$ 12,4 bilhões).

Um ricaço sozinho possui fortuna maior que todo o programa Bolsa Família, que é destinado à mais de 14 milhões de famílias! Cabe ressaltar que os donos do (ex)Unibanco são a 4ª família mais rica do país, possuindo menos da metade da riqueza da família mais rica: a família Marinho.

Com a riqueza da família proprietária da Rede Globo, por exemplo, se pagaria praticamente 3 anos do programa Bolsa Família, ou alimentaríamos 42 milhões de famílias por ano!

Qual a diferença entre os R$ 247 bilhões nas mãos de 10 famílias bilionárias mencionada acima e os R$ 24,5 bilhões nas mãos de mais de 14 mil famílias? De acordo com um estudo do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) publicado recentemente, sob o título “Programa Bolsa Família – uma década de inclusão e cidadania”, “De acordo com o modelo, se o governo aumentasse os gastos com o Bolsa Família em 1% do PIB, a atividade econômica aumentaria 1,78%” (p. 38). Os gastos com o Bolsa Família representaram no ano passado 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além disso, a “cada R$ 1,00 gasto com o programa ‘gira’ R$ 2,4 no consumo das famílias e adiciona R$ 1,78 no PIB”. Os ricaços brasileiros, de acordo com o documento “The Price of Offshore Revisited”, escrito por James Henry, ex-economista-chefe da consultoria McKinsey, depositaram até 2010 cerca de US$ 520 bilhões (ou R$ 1,17 trilhões) em offshore, isto é, em bancos localizados em paraísos fiscais.

O montante equivalente a um terço do Produto Interno Bruto (soma da produção geral no país em um ano).
Enquanto o setor mais pobre multiplica cada real recebido, aumentando o PIB (a soma da riqueza nacional), o outro, os ricaços, saqueiam a riqueza nacional para exportá-la clandestinamente aos paraísos fiscais! Mas, estes bilionários que estão sentados no trono do Brasil.

Como monarcas medievais, engordam sua riqueza, poder e egocentrismo com a subserviência ao imperialismo estadunidense, com a brutal repressão a qualquer iniciativa popular e com a reputação produzido pela sua própria mídia nazifascista.

Estão pouco se lixando com a brutalidade policial, subdesenvolvimento colonial e escolas que formam escravos. No entanto, ao contrário dos fatos, na sua mídia aparecem como “empreendedores”, “democratas” e “progressistas”; enquanto que os elementos do seu exército industrial de reserva são “vagabundos”, “preconceituosos” e “ignorantes”! É esta secular e abominável condição que deve ser transformada de cabo a rabo.


José Tafarel