As eleições 2012 e a política das oligarquias financeiras

As oligarquias financeiras partiram para uma ofensiva onde querem demonstrar a sua existência perene e os telejornais e informativos, em geral, pagam para ver até onde irão aqueles que procuram caminhos alternativos de alianças sociais, econômicas e políticas

Mais do que nunca, em função dos acontecimentos sociais, econômicos e principalmente políticos, as eleições municipais majoritárias e proporcionais revestiram-se de um forte caráter plebiscitário, como já se tinha previsto em editorial recente de INVERTA sobre as eleições brasileiras. Este aspecto acontece por não haver em nosso país correntes ideológicas definidas, que estariam presentes em todo espectro de agremiações partidárias nacionais, onde, inclusive, os chamados partidos de “esquerda” se organizam em termos eleitorais, como a “tonelada” de oportunistas de última hora que prometem mentiras e corrompem de verdade. A corrupção, outrossim, tem sido o fiel da balança de nossas eleições há um bom tempo. Estes fatos que queimaram figuras conhecidas da política parlamentar em nosso território serviram de justificativa sobre o desinteresse de nosso povo pobre, em geral, em relação à política. Análises quase sempre desenvolvidas por “especialistas” políticos da burguesia e a serviço das oligarquias financeiras nacionais.


Observando, de forma geral, os resultados destas eleições demonstram, ao contrário, que o povo pobre e o proletariado do campo e da cidade, apesar da inexistência de forças parlamentares que representam a teoria e a prática da classe submetida no modo de produção capitalista, se vislumbram aspectos de maturidade onde a propaganda da grande mídia das oligarquias burguesas não interferiu no resultado final do primeiro turno das eleições. Ao mesmo tempo podemos também verificar o afastamento da inteligência do país dos anseios do povo, absorvendo, portanto posições elitistas e afastadas do povo brasileiro, inclusive os “especialistas” citados acima.


Entendendo estas questões fica esclarecido o porquê do partido PMDB ter alcançado um número expressivo de prefeituras em todo país e ao mesmo tempo ter quase sempre conseguido fazer bancadas com maioria onde venceu suas prefeituras. Assim deve ser entendido o fraco desempenho do partido da presidente Dilma Rousseff, o PT, porque continua sua via crucis de sangrar em função dos que se achavam “iluminados” como Dirceu, Cunha, Genoíno condenados pelo Supremo Tribunal Federal, que veio a tornar-se instrumento das oligarquias financeiras, pois, enquanto demonstravam o seu “show” de justiça e defesa constitucional, a CPMI contra os crimes do mafioso nacional Carlinhos Cachoeira e seu protegido político Demóstenes Torres ficaram trancados por mais de um mês, onde poderiam surgir novas acusações contra elementos do PSDB e do DEMO. Quando foi reaberta já pesavam obrigações de depoimentos contra um deputado federal do partido tucano que afirmou em plenário que é amigo íntimo do mafioso, porém, nunca realizou medidas de favorecimento ao mesmo. Talvez tenha afirmado tudo isso com tanta convicção por seu partido ter sido o segundo campeão nestas eleições.


O que não deve haver passado pela sua cabeça é que houve um péssimo desempenho do DEMO e do partido saído de suas entranhas, o PSD, ressuscitado pelo prefeito paulista, e o PT teve um dos melhores desempenhos em São Paulo, vencendo em várias cidades do interior e na região metropolitana da capital, onde inclusive ameaça a carreira política de Serra, que irá se bater com o candidato do PT em segundo turno, demonstrando que a estratégia da desmoralização petista teve efeito reduzido neste estado. Além disso, impressiona o crescimento espetacular do PSB, que ampliou sobremaneira sua influência política, onde só por curiosidade derrotou Zito, e se baterá em segundo turno com possibilidade de mais uma vitória no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, região metropolitana da cidade do Rio de Janeiro.


Na verdade, quem acompanhou os fracos desempenhos dos partidos da direita nazifascista foram o PCdoB e, em especial, o PDT, que se propuseram a caminhar isolados do conjunto dos partidos aliados que fazem parte da base aliada do governo Dilma, assim como o PSB, porém, sem demonstrar crescimento de influência política junto ao povo pobre e ao proletariado, e menos ainda junto aos setores médios e burgueses da sociedade.


Houve uma mudança, portanto, nestas eleições que, mais do que um ensaio para o processo eleitoral presidencial, representa alteração do poder das oligarquias burguesas financeiras no atual governo. Novamente o PMDB se torna a principal força política dirigente e é preciso ter o conhecimento que este partido, apesar de nominalmente estar na base aliada, possui grupos em seu interior contrários ao partido da presidente e, principalmente, a sua política internacional. O PSDB, tornando-se a segunda força, pode estar caminhando para vazar a aliança entre PMDB e PT justamente a partir destas organizações de velhos caciques encasteladas no partido campeão de prefeituras. Importante para o PT seria ser vitorioso em todas as cidades e, em especial, nas capitais aonde irá para uma segunda disputa eleitoral, onde fortaleceria sua base de apoio através de suas forças, porque tem pela frente um governo onde a maior influência será dos peemedebistas. Espera-se que o crescimento do PSB possa ser um fiel da balança política do governo, evitando mudanças de alinhamento político como aqueles demonstrados pela presidente em seus discursos atuais na ONU e no Encontro entre a América Latina e os Países Árabes, quando defendeu uma saída negociada diplomaticamente para o impasse entre governo e forças rebeldes na Síria. Também defendeu o direito do Irã de desenvolver energia atômica para fins pacíficos, além da integração cada vez maior entre os países do Cone Sul com ampla aproximação da Venezuela Bolivariana, do Equador, da Bolívia, do atual Peru, que recentemente, com seu novo presidente, aproximou-se dos países progressistas da região, ampliando uma forte contratendência em relação à política internacional dos EUA e de seus aliados europeus unificados.


Estas posições de governo podem abrir luta intraoligárquica em nosso território, como foi aberta recentemente na Venezuela, onde investiram fortemente pela derrota presidencial de Hugo Chaves. Além disso, o mesmo aspecto transparece pela torcida da mídia internacional pela derrota do presidente Obama, para um dos representantes das fortunas dos EUA e pelo apoio incondicional ao governo alemão ao endurecimento com relação aos países da Europa Unificada, endividados e com taxas de desemprego e pobreza cada vez maiores e mais insolúveis dentro do sistema de produção burguês. Está demonstrado que a violência seja diplomática, ou seja, criando teatros de guerra como a atual invasão concedida à Turquia pela OTAN a Síria são as soluções do Capital diante de sua crise de transição que seu sistema não consegue resolver.


Porém, as oligarquias financeiras partiram para uma ofensiva onde querem demonstrar a sua existência perene e os telejornais e informativos, em geral, pagam para ver até onde irão aqueles que procuram caminhos alternativos de alianças sociais, econômicas e políticas. E neste mundo em crise, não só econômica e financeira, mas também de valores éticos e morais, que o povo pobre e o proletariado, em particular, precisa desenvolver seu futuro e criar bases fortes para sua libertação. As eleições de todos os níveis não respondem a esta necessidade. Somente a força de uma organização subjetiva criará o futuro da solução de todas as crises capitalistas e estabelecerá um mundo proletário livre dos exploradores de toda ordem.


Haroldo de Moura