Organização de Comitê acirra a luta de classes em Petrópolis

“Lutas como a de Petrópolis precisam ser preparadas e levadas a efeito em todo o Brasil”
Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança


No dia 18 de novembro o Comitê Petrópolis em Luta realizou uma manifestação pela redução do preço da passagem (atualmente R$ 2,50) e por qualidade no transporte público municipal, que está em crise há vários anos (como denunciou a edição 448 do Jornal Inverta). O ato contou com a presença de cerca de 50 petropolitanos. Além da entrega de panfletos, também foi realizada a assinatura do abaixo-assinado que já conta com cerca de 500 nomes.
A manifestação teve início às 18 horas na Praça Dom Pedro II e por volta das 19:30 os participantes que ainda encontravam-se no local partiram em uma caminhada pelo centro até o terminal de ônibus, onde dialogaram com a população e distribuíram o Inverta.


Além dos membros do Comitê, representantes de outras organizações participaram do evento, destacando-se Cláudio Campos, membro do Movimento 12 de Janeiro (organização dos desabrigados de Itaipava, vítimas das chuvas de janeiro), que denunciou a situação de descaso que se arrasta por meses. O poder público municipal ainda não deu nenhuma solução concreta para os moradores atingidos pela catástrofe. Muitas casas foram demolidas de forma arbitrária e até agora novas moradias não foram concedidas, apenas um auxílio aluguel menor que o salário mínimo. Para enfrentar essa situação, os desabrigados realizaram uma série de manifestações nas últimas semanas, esquentando ainda mais o clima político da cidade.


No dia 30 de novembro o governo municipal convocou uma audiência pública para discutir o processo de licitação para que novas empresas assumam o transporte municipal, porém não houve nenhuma resposta concreta aos anseios da população. Diante desta situação, o Comitê pretende intensificar ainda mais a campanha, que além de lutar pela questão da passagem exige a incorporação de todas as linhas ao sistema de integração (hoje restrito), um processo licitatório transparente e uma CPI sobre a crise no sistema municipal público de transportes.


As campanhas em curso do Comitê e as demais manifestações do povo petropolitano (como a luta dos desabrigados de janeiro) resgatam as tradições mais combativas dessa cidade, que na década de 30 contou com o segundo maior núcleo da Aliança Nacional Libertadora e teve sua luta operária dada como exemplo para todo o Brasil pelo próprio Luiz Carlos Prestes. Diferente da visão emitida pela mídia (principalmente novelas da TV Globo) sobre uma Petrópolis perfeita, o capitalismo é tão cruel nessa cidade como em qualquer lugar do mundo e seu povo é parte do povo brasileiro e como tal “não foge à luta”.

Diego Grossi – Coordenador do CPL