Tragédia nuclear no Japão

O aspecto central que a campanha midiática do grande capital que ofuscar é a relação fatal da tragédia no Japão da atividade do homem na natureza.

 

 

No ultimo dia 11 de março, uma catástrofe assombrou o Japão,o terremoto de 9,0 graus na escala Richter seguido de um tsunami de 10 metros destruiu o nordeste do Japão. Durante os primeiros momentos não houve muito alarde, pois neste país as pessoas estão acostumadas com tremores. Mas à medida que o sismo se propagava de maneira incomum e sua intensidade aumentava, o pânico dominou. O metrô de Tóquio foi paralisado, os carros detidos nas estradas. Os dois grandes aeroportos de Tóquio, Narita, o de maior tráfego internacional, tiveram inúmeros arranha-céus, que durante alguns segundos pareceram elásticos. O sismo provocou 14 incêndios em edifícios da capital japonesa.

 

O primeiro-ministro Naoto Kan diz que o Japão enfrenta a pior crise desde o final da Segunda Guerra Mundial. Milhões de moradores das áreas mais afetadas pelo terremoto na região nordeste do Japão permanecem sem água, comida, eletricidade.

 

Na segunda-feira, dia 14, a companhia de eletricidade Tokyo Electric Power (Tecpo) deu início aos cortes de eletricidade planejados em áreas próximas à capital, para evitar blecautes. O plano, que não tem precedentes na história do país, prevê suspensões de energia durante 3 a 6 horas em regiões alternadas até o fim de abril. De acordo com a embaixada brasileira há 250 mil brasileiros no Japão, a maioria está concentrada em Tóquio.

 

Até o dia 28 de março foram confirmados mais de 11 mil mortos pela tragédia e os desaparecidos chegam a 18 mil. Onde o maior número de mortos se concentra é nas províncias de Fukushima, Miyagi e Iwati. A polícia japonesa disse que pelo menos 18 mil residências foram destruídas. Abrigos de emergência estão acomodando mais de 200 mil pessoas e mais de 30 mil fugiram de suas cidades para outras províncias.

 

Como se não fosse suficiente o desastre em si, a situação japonesa se agrava ainda mais no que se refere as seis Usinas Nucleares de Fukushima. São seis reatores um ao lado do outro. Os tremores provocaram problemas no funcionamento das Usinas. No funcionamento normal das Usinas os reatores ficam imersos na água, garantindo assim a refrigeração dos mesmos. Devido a falta da de energia externa não ocorreu o bombeamento de água e nem o resfriamento. Assim, os níveis de radioatividade aumentaram gerando risco de explosão.

 

O primeiro acidente ocorrido do dia 12 de março se verificou com o desabamento do teto do prédio de contenção do reator 1. O acidente foi catalogado como de nível 4 em 7 na Escala Internacional de Eventos Nucleares. Logo, em seguida o governo mandou evacuar 230.000 pessoas num raio de 20 km foram evacuadas da vizinhança dos reatores atingidos. Como plano de contingência, a técnica é o uso água do mar para resfriar os reatores. Na passagem pelo reator, esta água é contaminada. assim, no ultimo dia 28 foi encontrado, um túnel subterrâneo localizado a apenas 55 metros do mar com indícios de que a água está contaminada. A empresa operadora da usina, a Tepco, afirmou que não há indícios de que a água tivesse chegado ao mar. A Agência de Segurança Nuclear informou ainda que o nível de radiação na água do mar próximo à usina aumentou para 1.850 vezes acima do normal. No sábado, dia 26 de março, o nível era de 1.250 vezes além do limite permitido em lei. Por isso o governo japonês criticou a Tepco pela divulgação de dados incorretos sobre as medições de radioatividade na usina no domingo. Já a empresa pediu desculpas pelo erro, mas isso intensificou questionamentos sobre a capacidade da empresa de lidar com a crise. A companhia foi criticada por cometer uma série de erros, incluindo a vestimenta usada pelos funcionários que tentam conter o vazamento na usina. Isto Acarretou em grave incidente de dois funcionários se contaminaram com radiação ao trabalhar sem a proteção adequada. A exposição em níveis moderados de radiação pode resultar em náusea, vômito, diarreia, dor de cabeça e febre. Em longo prazo, o maior risco do iodo radioativo é o câncer, e as crianças são potencialmente mais vulneráveis. Cerca de 400 brasileiros vivem na região da usina de Fukushima.

 

Um dos problemas neste aspecto das usinas nucleares foi apontada pelo Andreevo, especialista russo em acidentes nucleares Iouli Andreev que acusou as corporações e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de ignorarem solenemente as lições ensinadas pelo pior acidente nuclear do mundo, ocorrido 25 anos atrás, para proteger a expansão da indústria. Numa entrevista em Viena, onde o ex-diretor da agência de limpeza nuclear soviética Spetsatom dá aulas e fornece assessoria sobre segurança no setor disse: "Depois de Chernobyl, toda a força da indústria nuclear foi direcionada para esconder esse evento, para não gerar dano à reputação dela. A experiência de Chernobyl não foi estudada de forma apropriada porque quem tem o dinheiro para os estudos? Apenas a indústria. Mas a indústria não gosta disso."

 

No caso do Japão que está massacrado com esses fatos, não se pode ainda quantificar as consequências nucleares nesta sequência de tragédias. A situação das usinas ainda não está controlada. Ainda existem muitos desaparecidos. O país inteiro vive um caos. E nesse momento é preciso atentar para quantas vidas poderiam ter sido salvas caso a vida humana fosse colocada a frente de qualquer interesse econômico. Com certeza um evento como esse é raro, mas o Japão poderia ter tido medidas emergenciais mais eficientes, no momento do terremoto e do tsunami; e principalmente medidas de prevenção para acidentes com as usinas nucleares.

 

Mas o aspecto central que a campanha midiática do grande capital que ofuscar é a relação fatal da tragédia no Japão da atividade do homem na natureza.

 

A fonte de energia não é apenas a nuclear. A ciência já avançou suficiente para a produção de recursos energéticos que não seja apenas a energia nuclear.

 

Para concluir, destacamos a pergunta que não quer calar de milhares de trabalhadores de todo o mundo: Como pode o homem para atender as suas necessidades, construir usinas nucleares sobre um ponto do solo onde incide sistemáticos e incontroláveis tremores do solo derivado do deslocamento de placas tectônicas?

 

Definitivamente este modo de produção social necessita ser alterado qualitativamente. É urgente o debate da necessidade do planejamento do trabalho humano para a superação do modo de produção capitalista.

 

Maísa Queiroz