Repressão policial nas favelas do Rio de Janeiro

Uma operação no Complexo de favelas de Manguinhos, que reuniu 200 homens, foi coordenada pela Delegacia de repressão a Armas e Explosivos (Drae), teve apoio da Delegacia de Roubos e furtos de automóveis (DRFA), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), das Delegacias de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e de Combate as drogas (Dcod), apreendeu 4 mil pedras de crack, cocaína, 150 kg de maconha, além de estourarem um paiol de armas - 25 foram recolhidas -, recuperaram 6 carros e 42 motos roubadas, prenderem 23 suspeitos e matarem 4 homens “após intenso confronto”. O inspetor da DRFA Vagner Rodrigo de Oliveira, de 44 anos, foi baleado e levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, onde segundo informações foi operado e esta em recuperação.

Repressão policial nas favelas do Rio de Janeiro

 

Uma operação no Complexo de favelas de Manguinhos, que reuniu 200 homens, foi coordenada pela Delegacia de repressão a Armas e Explosivos (Drae), teve apoio da Delegacia de Roubos e furtos de automóveis (DRFA), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), das Delegacias de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e de Combate as drogas (Dcod), apreendeu 4 mil pedras de crack, cocaína, 150 kg de maconha, além de estourarem um paiol de armas - 25 foram recolhidas -, recuperaram 6 carros e 42 motos roubadas, prenderem 23 suspeitos e matarem 4 homens “após intenso confronto”. O inspetor da DRFA Vagner Rodrigo de Oliveira, de 44 anos, foi baleado e levado para o Hospital Geral de Bonsucesso, onde segundo informações foi operado e esta em recuperação.

Uma outra operação na favela Vila Vintém, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, contou com a participação de 80 homens da Drae e da Core, acabou com a morte de uma pessoa e a prisão de mais duas. Segundo a polícia civil, a vítima, um homem não identificado, foi morta depois de trocar tiros com os agentes. O objetivo da operação era localizar e apreender armas e drogas da facção criminosa que “controla” o tráfico de drogas no local. E a apreensão foi grande de acordo com a polícia: 40 mil “sacolés” de cocaína, além de um fuzil e um revólver. Mais uma vez, segundo a polícia, os dois homens que foram presos estavam com drogas e foram levados para a delegacia.

Em suposta troca de tiros, no morro Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, na Zona Sul da cidade, um homem ficou ferido e foi preso juntamente com outro homem. Estas três operações demonstram claramente a política do governo do estado do Rio de Janeiro, que não deixa de ser a política dos estados brasileiros em geral, com relação à segurança pública e mais especificamente com relação ao tráfico e consumo de drogas ilícitas.

O objetivo deste artigo é justamente fazer um debate e desenvolver o exercício de ultrapassar a aparência e chegar até a essência da questão, ou seja, o que aparenta ser e o que realmente é o tráfico de entorpecentes nos morros e favelas do Rio de Janeiro e porque não falar do Brasil, o consequente consumo e as políticas adotadas para se “superar” este flagelo da humanidade. Com relação a estas últimas iremos levantar algumas questões para refletir, considerando a proposta do chamado “policiamento comunitário”, que já está em execução na favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, e no morro Santa Marta, em Botafogo. As obras estão sendo finalizadas no morro Chapéu Mangueira, no Leme, e na Babilônia, que se estende por Urca, Botafogo e Leme, para que o “policiamento comunitário” seja implementado.

Sempre que abordado na mídia burguesa, o consumo e principalmente o tráfico de drogas são colocados de uma forma unilateral, ficando presos à superficialidade da aparência e nunca se desenvolvendo um debate sério e profundo com vistas a esclarecer, envolver e fazer com que a sociedade participe de todas as questões que envolvem o problema, assim como dos caminhos a serem adotados para que de uma forma coerente se possa chegar à superação dos males, possibilitando uma melhor qualidade de vida de todos os envolvidos. Pelo contrário, a grande mídia burguesa tem uma postura hipócrita, cumprindo um papel de desinformação, fazendo “peixes pequenos” parecerem grandes tubarões. Neste sentido, um negócio que é capitalista e, portanto, dirigido por setores da classe burguesa, que movimenta bilhões e bilhões de dólares por ano, nunca poderia ser dirigido por líderes de facções criminosas que “controlam” o tráfico de drogas nas diferentes favelas e morros do Rio de Janeiro e do Brasil. Aqui vale a pena ressaltar que alguns desses líderes de facções se passaram para a classe dominante, mas não são de forma alguma aqueles que controlam tudo “da ponta da caneta”.

O primeiro passo que deve ser dado com relação a compreensão do flagelo do tráfico de drogas é entender o mesmo como fazendo parte de um negócio capitalista de acumulação primitiva de capital, onde setores da classe dominante burlam as regras institucionais de seu Estado de classe e acumulam riquezas sem precisar reparti-las com seus sócios maiores imperialistas. Temos que entender que é um dos maiores negócios internacionais, que necessita de políticas internacionais em conjunto para combatê-lo e que o consumo está diretamente ligado à oferta, alienação e desilusão criadas pela sociedade capitalista, que passa um modelo de vida expressado pelo consumismo desenfreado que a extrema maioria das pessoas em nível mundial não tem acesso, a chamada sociedade da aparência, onde tudo é superficial. Devemos entender também que os países produtores em geral são os países pobres dependentes que, para citar o exemplo concreto da Colômbia, por uma questão de sobrevivência, os camponeses são levados à produção de folhas de coca, maconha e papoula, como matéria-prima para a transformação destas em psicotrópicos que abasteçam, entre outros, os mercados da Europa e principalmente dos EUA, o maior consumidor de drogas do mundo.

Com relação ao Brasil, e particularmente ao Rio de Janeiro, o tráfico de drogas cumpre uma função de controle da população das comunidades, pois justifica as contínuas operações policiais nas favelas e morros, mostrando a força do aparelho de repressão oficial do Estado capitalista, assim como canaliza boa parte da revolta da população destas mesmas comunidades para uma “luta” que não questiona este mesmo Estado, mas ao contrário, o reproduz. Podemos ver bem isto no “glamour” que envolve a figura do traficante e nos “proibidões” que são cantados pelas crianças e jovens das comunidades e também do asfalto. Desta forma devemos entender a política de repressão ao tráfico como uma justificativa, já que a repressão unicamente desassociada de outras políticas não tem surtido efeito, para na verdade se exercer esse controle.

Com relação à chamada política de “policiamento comunitário”, é importante que duas questões sejam colocadas: a primeira é que a presença constante das forças policiais nas comunidades, mesmo que leve ao fim do tráfico nas mesmas, fariam com que se acabasse a violência na região onde se localiza? Ou só faria com que a violência descesse os morros de forma mais intensa e se expressasse através do aumento de assaltos, sequestros relâmpagos, etc.? A outra questão, que para nós é mais importante e está diretamente ligada a ideia do controle social, é que não seria essa nova política uma forma do Estado capitalista brasileiro estar se prevenindo, devido à crise estrutural e geral do sistema capitalista, de futuras mobilizações e insurreições populares nos grandes centros urbanos, já que existem demonstrações por parte do governo da intenção de se estender essa política para várias comunidades?

O problema deve ser encarado e com seriedade, entendendo os diferentes aspectos que envolvem o mesmo e sabendo que somente com a revolução proletária nos diferentes países e em nível mundial iniciaremos o verdadeiro caminho para nos livrar desta e de todas as pragas que direta e indiretamente estão ligadas ao modo de produção capitalista. Somente quando a humanidade sair do reino da alienação e chegar ao reino da liberdade, expressado pelo conhecimento, produção e satisfação de suas necessidades reais, tanto materiais quanto espirituais, é que alcançaremos a felicidade verdadeira.


Maria do Socorro

 

 

roberto
roberto disse:
14/09/2011 02h01

Encuãnto não fazer limpeza nos povos de poder auto do lado que ajente acha que bom e nos povos mandante do lado ruim não vai acabar nunca a tendencia é piorar.

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