“Ditabranda” ou Nazi-militarismo?

Com a participação de várias entidades defensoras dos direitos humanos e movimentos sociais como o Movimento dos Sem Mídia (organizador do Ato), ANAPI (Associação dos Anistiados, Aposentados e Idosos do Estado de São Paulo), Fórum de Ex-Presos Políticos, Militantes que participaram da construção do Tribunal Popular - O Estado brasileiro no banco dos réus, Comissões de Mortos e Desaparecidos, Grupos Tortura Nunca Mais/SP e Paraná, representantes de organizações não governamentais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Ceará e outros estados, dirigentes sindicais, foi realizada uma manifestação contra o jornal Folha de São Paulo, em frente à sede do jornal, no centro da capital paulista.

“Ditabranda” ou Nazi-militarismo?

 

Com a participação de várias entidades defensoras dos direitos humanos e movimentos sociais como o Movimento dos Sem Mídia (organizador do Ato), ANAPI (Associação dos Anistiados, Aposentados e Idosos do Estado de São Paulo), Fórum de Ex-Presos Políticos, Militantes que participaram da construção do Tribunal Popular - O Estado brasileiro no banco dos réus, Comissões de Mortos e Desaparecidos, Grupos Tortura Nunca Mais/SP e Paraná, representantes de organizações não governamentais do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Ceará e outros estados, dirigentes sindicais, foi realizada uma manifestação contra o jornal Folha de São Paulo, em frente à sede do jornal, no centro da capital paulista.

 A Manifestação que contou com a participação de mais de 500 pessoas e que não teve nenhuma divulgação prévia na imprensa corrupta, teve como objetivo protestar contra o editorial publicado na Folha de São Paulo, no dia l7 de fevereiro, classificando de “ditabranda” o regime nazi-militarista (1964-1985), quando na verdade, as atrocidades cometidas contra opositores foram mais cruéis e mais covardes que na Alemanha de Adolf Hitler (ver artigo “Operação Condor - Uma Articulação Multinacional do Terror” publicado no número 432 do Jornal INVERTA).

Outro objetivo da Manifestação foi prestar solidariedade aos professores Maria Victória Benevides e Fábio Komparato atacados cinicamente pelo jornal em artigo assinado pelo sr. Otávio Frias Filho. Por sua luta em favor dos Direitos Humanos e por uma sociedade justa e por um país soberano, independente, Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o respeito de todo o povo brasileiro.

Vários participantes que fizeram, uso da palavra criticaram severamente o jornal Folha de São Paulo que tenta reescrever a História do que aconteceu antes, durante e depois do Golpe de Estado classificando a ditadura de “ditabranda” quando o regime militar prendeu, torturou, matou e desapareceu com os corpos de vários opositores.

A Folha de São Paulo e outros veículos de divulgação da chamada grande imprensa (grande só no nome) tentam esconder outra consequência grave do regime militar que foi a concentração de renda com o empobrecimento cada vez maior dos mais pobres e o enriquecimento cada vez maior dos mais ricos. O recrudescimento da violência, o aumento assustador da corrupção, da criminalidade, da repressão com a criminalização dos movimentos sociais são consequências daquele período em que fomos governados por aprendizes de nazistas com a total cobertura  dos abutres da imprensa corrupta.

Segundo o Manifesto distribuído pelos organizadores do Tribunal Popular - O Estado brasileiro no banco dos réus, “nunca é demais frisar o quanto essa forma conciliadora de se referir ao passado ditatorial, que vem sempre ligada à defesa da impunidade dos crimes da ditadura, está diretamente relacionada à violência com que o Estado brasileiro criminaliza a pobreza hoje, a violência dos policiais concretizada em abordagens truculentas, torturas, prisões cruéis e desumanas e execuções sumárias”.

Durante a Manifestação foram mostrados cartazes denunciando e revelando os nomes de  pessoas que foram torturadas e assassinadas pelos agentes do terrorismo de estado, ou como quer a Folha “ditabranda” - Luiz Eduardo Merlino (1971), padre Antônio Henrique Pereira Neto (1969), Luiz Hirato (1971), Mário de Souza Prata (1971), Manoel Lisboa de Moura (1973), José Arantes de Almeida (1971) Eremias Delizoikov (1969), Luiz José Cunha (1973), Pedro Ventura Felipe de Araújo Pomar (1976), Antônio Benetago (1972), Marco Antônio Brás de Carvalho (1969), Joaquim Seixas (1971) Flávio Molina de Carvalho (1971), Emanuel Bezerra dos Santos. As fisionomias de Joaquim Seixas e Luiz José Cunha mostradas nos cartazes, durante a Manifestação, estavam totalmente deformadas devido às cruéis torturas praticadas pelos agentes do nazi-militarismo.

Alguns oradores denunciaram o trabalho de cooperação da Folha de São Paulo com o regime militar, quando cedeu veículos para transportar opositores da ditadura os porões clandestinos para serem torturados e mortos pelos agentes assassinos do terrorismo de estado.

Os manifestantes, também, voltaram a denunciar as relações promíscuas, ou seja, as relações perigosas com o regime nazi-militarista de empresários, banqueiros, proprietários de jornais e empresas estrangeiras para financiar os órgãos de repressão e que terão de ser investigadas.


Delson Plácido