Jornal INVERTA: 17 anos de Resistência e Luta pela Revolução Socialista no Brasil

No dia 27 de Setembro, o Jornal INVERTA comemora seus 17 anos de resistência e luta pela Revolução Socialista no Brasil em ato na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói-RJ. Também será comemorado os 16 anos de reimpressão do Granma Internacional de Cuba no Brasil, 1 ano da Coordenadora Continental Bolivariana - Capítulo Brasil Luiz Carlos Prestes. Talvez este fato possa parecer pouco diante da história de resistência e luta de nosso povo. Mas é necessário considerar, antes de tudo, sua origem, conteúdo e contexto histórico de sua existência para entender seu real significado e importância em relação a outras organizações e artifícios na luta de classes presente no país. No ato de comemoração de seu XVII aniversário, o tema político principal será a luta pela libertação dos presos políticos do império, um tema central da estratégia de dominação e hegemonia dos EUA sobre o mundo e particularmente a América Latina.

Jornal INVERTA: 17 anos de Resistência e Luta pela Revolução Socialista no Brasil


No dia 21 de Setembro, o Jornal INVERTA completará 17 anos de resistência e luta pela Revolução Socialista no Brasil. Talvez este fato possa parecer pouco diante da história de resistência e luta de nosso povo. Mas é necessário considerar, antes de tudo, sua origem, conteúdo e contexto histórico de sua existência para entender seu real significado e importância em relação a outras organizações e artifícios na luta de classes presente no país. No ato de comemoração de seu XVII aniversário, o tema político principal será a luta pela libertação dos presos políticos do império, um tema central da estratégia de dominação e hegemonia dos EUA sobre o mundo e particularmente a América Latina. É importante ressaltar que este fato, mais que uma derivação da estratégia da política de hegemonia e domínio neocolonial dos EUA, é uma tendência histórica do desenvolvimento de sua formação econômica-social, cuja consolidação da independência exigiu a passagem de suas estruturas socioeconômicas capitalistas ao imperialismo. Portanto, mais que uma luta por liberdade reclamada, é uma luta que se funde com a luta pela independência de toda a América Latina e que só é possível mediante a revolução socialista em escala continental.


E por que o Jornal INVERTA estabeleceu este tema? Antes de tudo, é necessário entender um pouco a história deste periódico para entender porque este tema é importante para luta de classes no país. O Jornal INVERTA é um periódico de origem genuinamente proletária, nasceu em 21 de Setembro de 1991, como ato de resistência à campanha ideológica do imperialismo, mundialmente, diante da queda da ex-URSS, por iniciativa de um grupo de trabalhadores revolucionários radicados em Nova Iguaçu - Baixada Fluminense - no Estado do Rio de Janeiro,  a OPPL – Organização Popular P’rá Lutar. O próprio nome do Jornal, INVERTA, com o N e R invertidos sintetizam esta condição ao lembrar duas letras do alfabeto russo, bem como o sentido denotativo da expressão, indicando mudança de posição, movimento em verbo imperativo conota uma palavra de ordem aos leitores e militantes. Como se insere no contexto da luta de classes e da ideologia marxista-leninista, toda sua compreensão implica a idéia de Marx sobre a ideologia alemã, expressa na “Introdução a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel”, ou seja, a ideologia como reflexo invertido da realidade, então para se ter a verdade é necessário dialeticamente inverter as coisas, sair da aparência e chegar a essência.


Outro elemento fundamental é como se produz este processo de inversão da realidade aparente para se chegar à realidade concreta, através da análise de classe, como expressou Lénine em seu escrito, “As Três Fontes e as Três Partes Constitutivas do Marxismo”: “Em política, os homens sempre foram vítimas ingênuas dos enganos políticos do outros e de si próprios, e continuarão a sê-lo, enquanto não aprenderem a descobrir por trás de todas as frases, declarações e promessas morais, religiosas, política e sociais os interesses de uma ou outra classe social”. Mas, de Lénine, o Jornal INVERTA seguiria a idéia do método de construção de uma organização revolucionária de combate, desempenhando o papel de agitador e organizador coletivo, conformando-se num centro ideológico e prático de um movimento que se desenvolve em torno dos princípios de organização e programa revolucionários. Sustenta a idéia fundamental de que “se não se consegue formar a opinião do povo, como se pode aspirar a liderar seus movimentos?”.


Mas a palavra INVERTA, também tem uma conotação popular, de raiz puramente nacional, como se pode observar numa partida de futebol, pois, quando se ataca por um lado e a resistência do time adversário é grande, com boa marcação, a solução é se inverter o jogo; também no “jogo do bicho”, quando se quer acertar, se joga invertido e cercando por todos os lados. Eis porque o nome INVERTA, surgido do pensamento de um grupo de trabalhadores, tem tanto sucesso, e hoje é quase uma palavra de ordem diante da situação a que chegou o país e as condições de vida e trabalho para o povo brasileiro. E se pensarmos em termos de exploração e opressão da classe operária e do povo pobre em nosso país e continente, então o seu nome se constitui num grito de guerra contra as oligarquias locais e regionais, em termos continentais, quase um sinônimo de “ao combate!”. É por isso que nestes 17 anos de existência saiu da condição de expressão de uma luta local ou regional, em termos do país, para expressar a luta de abrangência nacional e em certas circunstâncias continental.


A este avanço no significado do Jornal INVERTA, que também traz em si um combate a idéias preconceituosas de todas as formas, está o papel que desempenhou em expandir a organização que lhe deu origem. A OPPL, tornou-se um centro catalizador de centenas de lutadores no país, e em pouco menos de 10 anos de existência, ao ritmo da direção apontada pelo Jornal INVERTA, se desdobrou em dois movimentos de abrangência nacional: o Movimento 5 de Julho, que hoje se converteu no Movimento Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo, e o Movimento de Refundação do Partido Comunista, hoje Partido Comunista Marxista Leninista (Brasil). O INVERTA, contudo, não seria apenas protagonista destes dois processos, ele também se tornou responsável por vincular todo este esforço organizativo e revolucionário no país, de caráter proletário, a luta de classes em termos continentais e mundiais. É assim que o Jornal INVERTA se torna responsável pela publicação no Brasil do Jornal Granma Internacional – Órgão Oficial do Partido Comunista Cubano no exterior. Também passou a representar a Agência de Notícias Latino Americana – Prensa Latina (fundada a partir da Operação Verdade em Cuba, por iniciativa de Che Guevara e Fidel Castro, tendo à frente Jorge Masetti e dezenas de jornalistas revolucionários de todo o continente). O Jornal INVERTA também possou a ser o ponto de conexão entre a luta no Brasil e a luta em outros países do continente e na Europa, como é caso da luta das FARC-EP, na Colômbia, através da distribuição da Revista Resistência Internacional.


Finalmente, hoje o Jornal INVERTA levou mais longe a luta revolucionária nacional convertendo-a em vertebra da luta continental ao se constituir representante da Revista Tricontinental da OSPAAAL no Brasil, e ao conduzir o PCML e o Movimento Nacional de Luta Contra o Neoliberalismo à representação do Capítulo Brasil - Luiz Carlos Prestes da Coordenadora Continental Bolivariana, que em breve se converterá oficialmente em Movimento Continental Bolivariano. Por isso, tornou-se também o representante oficial no Brasil da Agência Bolivariana de Prensa – ABP. Sem dúvida, há que se responder qual o segredo do Jornal INVERTA, como chegou a este ponto, qual é sua base de sustentação intelectual, dada sua origem proletária e todas aquelas questões que advêm dos preconceitos burgueses e pequeno-burgueses quando se trata da capacidade da classe operária expressar suas idéias. A resposta é: CEPPES – Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas Sociais, que já tem cerca de 21 anos de existência e a sua principal publicação é a Revista Ciência e Luta de Classes. Este foi o organismo criado pela OPPL, que não somente formou os quadros, como constituiu e constitui o fundamento ideológico que expressa cientificamente as idéias e luta revolucionárias daquele pioneiro grupo de trabalhadores revolucionários que se formou do desmembramento do Partido Comunista no Brasil, após a saída de Luiz Carlos Prestes do mesmo, e do desmembramento das organizações da luta armada na década dos anos 70, em especial a ALN, VPR, PCdoB – Ala Vermelha, conformando a ALP – Aliança de Libertação Proletária. Mas o maior segredo mesmo é sua identidade proletária e sua sustentação pelo mesmo.


Nestes termos, o ato de comemoração do XVII aniversário do Jornal INVERTA, mais que se voltar para uma comemoração interna, visando apenas a conjuntura eleitoral no Brasil, a qual não nos abstemos de participar indicando candidatos que ajudem a organização do povo e o combate à estratégia neoliberal do imperialismo em nosso país, ele se volta para a campanha continental de luta pela libertação de todos os prisioneiros políticos do império. Consideramos prisioneiros político do império não somente os que estão nos cárceres nos EUA, os que também são mantidos nas colônias, como é o caso de Abu Ghraib, no Iraque; Guantânamo, em Cuba; nos cárceres-tumbas no Perú e na Colômbia, entre outros. Por isso, destacamos os nomes e exigimos libertação imediata para:


Simón Trinidad, Sonia Rojas (FARC-EP, extraditados ilegalmente para os EUA), os mais de 500 camaradas das FARC-EP presos em solo colombiano e tantos outros prisioneiros políticos fruto da guerra contra o Estado colombiano; Carlos Alberto Torres, Haydee Beltran Torres, Oscar Lopez Rivera e Avelino Gonzalez Claudio (os 4 que ainda continuam presos, dos 15 de Porto Rico); Victor Polay e os demais camaradas do MRTA e da CCB (Perú), incluso Roque Gonzáles de La Rosa, que continua encarceirado como preso político da CCB depois de seu II Congreso; Abimael Guzmán (Sendero Luminoso - Perú) e os demais prisioneros vítimas do Estado fujimontesinista que segue vigente; os Cinco Heróis Cubanos: Gerardo Hernández, Antonio Guerrero, Ramón Labañino, Fernando González e René González (Cuba), Mumia Abu Jamal, Jalil Muntaqim e Herman Bell, (Panteras Negras, EUA); Leonard Peltier (indígena estadunidense); os mapuches das comunidades Temulemu, Choin Lafkenche, Juan Paillalef e outras: Patrícia Troncoso, Jaime Marileo Saravia, Hector Llaitul, José Huanchenao, Juán Millalen, Lonko e Werken Llankileo Antileo, Pedro Queipul, Pascual Pichun Paillalao, Rafael Pichun Collonao, Víctor Ancalaf Llaupe, Juan Carlos Huenulao, Patricio Marileo Saravia, Waikilaf Cadin Calfunao, Antonio Cadin Jorge, Landero, Ernesto Lincopan, Juana Calfunao, Pedro Cesar Cayuqueo e tantos outros companheiros e companheiras; os 800 indígenas de Mato Grosso do Sul (Brasil) e todos os milhares de prisioneiros e prisioneiras da luta por terra, moradia e nas favelas neste país; os chilenos Mauricio Hernandez Norambuena del FPMR, Alfredo Canales e Marcos Rodríguez. do MIR, os colombianos William Gaona e Marta Uroga e a espanhola-argentina Karina López (presos no Brasil); Ilich Ramírez Sánchez, (venezolano); Remedios Garcia Albert (ex-dirigente da OSPAAAL, detida na Espanha sob alegação de estar vinculada às FARC, atualmente sob fiança), e para tantos outros companheiros e companheiras detidos nos cárceres do sistema.


Por isso nossa palavra de ordem é Liberdade para os Prisioneiros Políticos do Império!


Fora com a IV Frota da América Latina!


Pela Troca Humanitária de Prisioneiros de Guerra na Colômbia!


Salve os 80 anos de Ernesto Che Guevara!


Salve os 100 anos de Olga Benário!


Viva XVII aniversário do Jornal INVERTA!


Viva a Revolução Continental!


Rio de Janeiro, 25 de Agosto de 2008

P. I. B’villa

Pelo OC do PCML (br)