Considerações sobre a Operação “cinematográfica” de Uribe na fuga de Ingrid Betancourt e com os 14 prisioneiros de guerra das FARC

A ação “cinematográfica” do exército colombiano no resgate da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt e de mais 14 prisioneiros das FARC-EP, entre estes, os 3 norte-americanos, agentes da CIA, se configura num grande espetáculo de mídia e troféu de guerra que as oligarquias burguesas colombianas e o imperialismo erguem como epílogo da guerra revolucionária que por mais de 44 anos a organização guerrilheira trava contra as oligarquias locais e o imperialismo. Sem dúvida, na aparência, no mundo das imagens e do cinema, tudo leva a crer que a versão oficial da mídia nazi-fascista burguesa condiz com as imagens cinematográficas e os discursos dos resgatados e resgatadores apresentados na televisão, internet, impressos e rádio. Mas entre as imagens e discursos, entre a aparência e a essência dos fatos, são necessários elementos mais concretos para uma análise consistente tanto das causas, como das implicações que este evento acarreta para a luta de classes no continente e a posição que devemos tomar frente a ele.

Considerações sobre a Operação “cinematográfica” de Uribe na fuga de Ingrid Betancourt e com os 14 prisioneiros de guerra das FARC

 


A ação “cinematográfica” do exército colombiano no resgate da ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt e de mais 14 prisioneiros das FARC-EP, entre estes, os 3 norte-americanos, agentes da CIA, se configura num grande espetáculo de mídia e troféu de guerra que as oligarquias burguesas colombianas e o imperialismo erguem como epílogo da guerra revolucionária que por mais de 44 anos a organização guerrilheira trava contra as oligarquias locais e o imperialismo. Sem dúvida, na aparência, no mundo das imagens e do cinema, tudo leva a crer que a versão oficial da mídia nazi-fascista burguesa condiz com as imagens cinematográficas e os discursos dos resgatados e resgatadores apresentados na televisão, internet, impressos e rádio. Mas entre as imagens e discursos, entre a aparência e a essência dos fatos, são necessários elementos mais concretos para uma análise consistente tanto das causas, como das implicações que este evento acarreta para a luta de classes no continente e a posição que devemos tomar frente a ele.

 

Colocadas as ponderações acima, a primeira consideração que se pode fazer sobre a “espetacular ação” denominada “Xeque” (uma alusão a situação no jogo de xadrez em que o rei se encontra ameaçado por uma peça inimiga) é quanto a própria denominação da operação. Para quem conhece o jogo de xadrez, um xeque ao rei não significa fim de jogo e, dependendo da habilidade do jogador, com o rei em xeque pode ser que esta posição seja nada mais que uma tática para desferir um golpe fatal ao adversário, ou uma sucessão de movimentos cujo resultado final seja o xeque-mate. Outra possibilidade é xeque como tática defensiva, visando ganhar tempo quando se está numa posição difícil, ou ainda, como ato de desespero, quando a partida está literalmente perdida o perdedor dá o xeque para retardar a derrota ou para ter a satisfação de pelo menos ter dado um xeque no adversário e psicologicamente assimilar a derrota. Assim, o nome da operação “cinematográfica” já traduz de per si um engodo, pois para se saber o que ela representa de fato é necessário conhecer a realidade dos fatos e, deste modo, a conclusão a que se pode chegar é que o nome da operação de Xeque é uma trampa que visa passar a impressão de que a guerrilha está prestes a ser derrotada, aproveitando-se da idéia vulgar e amadora que as massas têm do jogo de xadrez e do imediatismo de análise que julga toda uma partida a partir de um único lance.


E isto é ainda mais sintomático quando se adjetiva de ação “cinematográfica”, pois o que é um filme senão uma série de cenas fotografadas montadas quadro a quadro? Daqui já se pode deduzir que esta operação se trata de uma grande farsa, bem diferente do filme do bombardeio ao acampamento das FARC, no Equador, em que ficou evidente a barbárie contra os revolucionários, inclusive com a morte do principal negociador da libertação de Ingrid Betancourt, o comandante Raúl Reyes. Portanto, concluir que, tanto o nome como a adjetivação desta operação, revelam a montagem, produzida pelo governo Uribe e a mídia nazi-fascista do imperialismo, é uma dedução lógica e que esta mentira está vendida para o mundo como verdade do tipo: “repita uma mentira mil vezes até que se torne uma verdade” -como ensinou o secretário de impressa nazista, Josef Goebbels- uma comprovação real. A outra conclusão é quase cômica, porque se tudo que afirma o faz porque acredita que é verdadeiro, então, tanto o governo Uribe, como suas forças armadas ao denominarem o nome da operação de Xeque e sua adjetivação de “cinematográfica”, não entendem nada de xadrez, são amadores e terão que estudar muito para compreendê-lo de fato, pois este xadrez, em especial, é jogado na tática da luta de classes, sob a ciência do marxismo-leninismo.


Uma análise breve, mas concreta, do processo político que vive a Colômbia, em especial, o governo Uribe, leva a crer que a situação deste é bastante frágil, apesar das pesquisas “contratadas pelo governo” esgrimirem índices de popularidade que hoje chegam a 90%, quer dizer, Uribe é uma unanimidade! No Brasil havia um jornalista e teatrólogo chamado Nelson Rodrigues que afirmava: “toda unanimidade é burra”! Também acreditamos nisso, mas não fazemos este juízo da sociedade e muito menos do povo colombiano. E isto é fato. O governo Uribe está na defensiva não apenas em relação à guerrilha. Quem faça um balanço efetivo dos combates e ações realizados pela guerrilha e o governo nos últimos dois anos verá, claramente, a vantagem da guerrilha. Para se ter uma idéia deste fato, desde a implantação do Plano Colômbia – afirmou a ANNCOL – , em 2002, o governo dos Estados Unidos já investiu mais de 4,7 bilhões de dólares (cifras do New York Times) e somando-se aos gastos do governo de Álvaro Uribe Vélez a cifra chega a 23,6 bilhões de dólares – segundo o Ministério da Defesa Colombiano -, gastos da seguinte forma: 4,8 bilhões de dólares em 2003; 5,5 bilhões, em 2004: 6,4 bilhões, em 2005 e 6,9 bilhões em 2006. No ano de 2006, por exemplo, os governos da Colômbia e dos Estados Unidos gastaram 18,9 milhões de dólares diários com a guerra.


E qual foi o resultado de todo este gasto econômico em equipamentos e operativos militares, policiais e narco-paramilitares contra guerrilha? Numa comparação com o governo Andrés Pastrana, cujos gastos não se comparam – foram muito inferiores – produziram-se um total de 3.211 combates entre as tropas militares e narco-paramilitares contra a guerrilha: 510 combates em 1999; 682 em 2000 (no início do Plano Colômbia); 825 em 2001; e 1.194 em 2002. Durante o governo de Uribe se produziram 2.050 combates em 2003; 2.248 em 2004; e 1.782 em 2005, num total de 6.080 combates, em três anos, contra um total de 3.211 dos quatro anos de Pastrana, o que mostra o aprofundamento da guerra. Nestes combates do Plano Colômbia (ou Patriota, como queiram) as FARC produziram 2.058 baixas militares oficiais em 2005 e 2.657 baixas em 2006. Portanto, em apenas dois anos a guerrilha efetuou 4.715 baixas às tropas oficiais! É importante mencionar que este número de baixas às forças armadas oficiais, por fogo guerrilheiro, é muito maior que as baixas infringidas às tropas estadunidenses no Iraque. Os governos da Colômbia e dos EUA, avaliando a situação numa tentativa desesperada para reverter o quadro, passaram a despejar, desde 2007, a cifra de 43,836 bilhões de dólares que se estenderá até 2013. Deste breve balanço se deduz a real força da guerrilha.


Do ponto de vista das ações que vão além do combate militar, pode-se considerar que as FARC, sem o mesmo poder de mídia do governo Uribe, conseguiu brilhantemente romper o muro de mentiras e calúnias da mídia imperialista com ações, estas sim, de inteligência e genialidade estratégica, como foi a libertação unilateral em 15 de Junho de 1997 de 60 soldados e 10 marinheiros, conquistando uma área desmilitarizada sob sua administração em San Vicente de Caguán, bem como o reconhecimento de força beligerante de forma oficial pelo governo de Pastrana. Para demonstrar sua vontade política de conseguir o intercâmbio de prisioneiros, em Junho de 2000, libertou unilateralmente mais 350 militares (soldados e policiais) prisioneiros em combates. Quando o governo Pastrana rompeu o acordo de cessar fogo, na zona desmilitarizada e iniciou o “Plano Colômbia”, a guerrilha respondeu com a captura dos políticos e inimigos do povo, passando à ofensiva. Em 23 de fevereiro: a candidata presidencial Ingrid Betancourt e sua companheira de chapa, Clara Rojas, são capturadas durante uma visita a antiga zona de distensão. Em 21 de abril: o governador do departamento de Antioquia, Guillermo Gaviria, e seu assessor de paz, o ex-ministro da Defesa, Gilberto Echeverri, são capturados. Em 11 de abril: as FARC atacam a Assembléia Departamental de Vale do Cauca, em Cáli, e tomam prisioneiros 12 deputados. situação se tornou ainda mais patente. Com a proposta de Troca Humanitária de prisioneiros, as FARC desferiram um golpe mortal contra o governo Uribe, elevaram o problema colombiano ao status de problema continental e atraíram personalidades de estatura nacional, continental e mundial, para o apoio de sua proposta. O engajamento na proposta de Troca Humanitária da senadora Piedad Córdoba; do presidente da Venezuela, Hugo Chávez; do presidente do Equador, Rafael Correa; do presidente da Bolívia, Evo Morales; do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega; do então presidente da Argentina, Néstor Kirchner; e do presidente da França, Nicolas Sarkozy, deu curso a uma situação de isolamento e emparedamento ao governo Uribe, em termos nacionais, continentais e mundiais. Com ele, a cabeça de ponte da estratégia dos EUA na região.


Porém, a situação defensiva do governo Uribe não se limitou apenas ao fracasso do Plano Colômbia no embate com as FARC, naturalmente, ele é a base principal do seu desgaste. Contudo, concorre também para sua situação crítica a crise institucional em que mergulhou o país. A recente decisão da Suprema Corte de Justiça condenando o ato do congresso nacional que aprovou a emenda da reeleição de Uribe, em 2006, como ato ilegal, dada a comprovada compra de votos tomando por base o caso da ex-senadora Yidis Medina, condenada pelo crime confesso de suborno, elevou a crise a contornos dramáticos. O poder dos “Doze Apóstolos” - denominação da coligação dos principais chefes mafiosos dos cartéis do narcotráfico e do paramilitarismo na Colômbia – com o pacto secreto de Ralito, assinado em julho de 2001, por prefeitos, deputados, camponeses, empresários e paramilitares, formou-se a aliança fundamental de sustentação do governo Uribe, a base de sua reeleição no Congresso. Como declarou Salvatore Mancuso, um dos principais chefes narco-paramilitar: “Pelo menos metade do Congresso colombiano tem conexões com os grupos armados irregulares de esquerda e de direita que atuam no país”, o que jogou lama até mesmo sobre a presidente do Congresso, Nancy Gutiérrez, e sobre o diretor do partido da U (Unidade), Carlos García, que estão sendo investigados. O processo aberto da para-política já atingiu 63 do total de 268 parlamentares do congresso, a maioria da coalizão do governo. Com captura e prisão do senador Mário Uribe (primo do presidente) o número de parlamentares presos chegou a 32, e outra gama de mandatos de capturas já foram expedidos para serem executados.


A Suprema Corte, como noticiou a imprensa em 18 de abril de 2008, ao proferir a sentença que condenou a ex-senadora Yidis Medina, afirmou:

“Fica incontestável que das altas esferas do poder da época, por alguns de seus membros, se impulsione a desinstitucionalização ao promover a quebra das regras básicas do modelo de Estado, quando em busca de um benefício particular se impulsionou a todo custo um Ato Legislativo, sem se importar que para o levar adiante tenha se chegado até condutas puníveis”.

“A aprovação da reforma constitucional foi a expressão de um claro desvio de poder, na medida em que o apoio de uma congressista à iniciativa de emenda constitucional se obteve a partir de ações delitivas”.

“O agravamento inferido à administração pública traduz-se num desprezo evidente dos valores que nutrem um modelo de Estado democrático”.

“Não há dúvida que das provas armazenadas flui patente que as dádivas, subornos e promessas burocráticas foram aceitas pela congressista e oferecidas por vários servidores públicos do governo”.

“A Corte Constitucional destacou que é possível advertir atos de desvio de poder nos trâmites que cumpre o Congresso da República, tornando-se paradigmática tal circunstância quando por meio do suborno se consegue que um de seus membros apóie uma iniciativa que não era de seu agrado, a qual inclusive havia recusado publicamente”.

“Tal respaldo definitivo para sua aprovação não surgiu como fruto de seu livre exame e convencimento sobre a justeza da proposta, mas graças às impudicas ofertas que foram oferecidas e recebidas; então, advém ilegítima a atividade constitucional realizada”.


Diante destes fatos, a senadora Gina Parodia propôs a revogatória do Congresso da República, dado seu alto grau de ilegitimidade, derivado do elevado número de congressistas capturados pela justiça, em virtude de seus vínculos com as estruturas do paramilitarismo. E foi, justamente, neste contexto que Uribe realizou, em conluio com a CIA e o DEA, a manobra da extradição dos 14 chefões narco-paramilitares para os EUA – Salva tore Mancuso; Diego Fernando Murillo (“Don Berna”); Francisco Javier Zuluaga, (‘Gordolindo’); Rodrigo Tovar Pupo, (‘Jorge 40’); Hernán Giraldo Serna, (‘El Patrón’); Nodier Giraldo; Eduardo Vengoechea; Ramiro Vanoy, (‘Cuco Vanoy’); Guillermo Pérez (‘Pablo Sevillano’); Juan Carlos Sierra (‘El Tuso’); Martín Peñaranda (‘El burro’); e Hubert Gómez – ; visando dar-lhes segurança e afastá-los do cenário político colombiano. Esta manobra, embora tenha jogado uma cortina de fumaça sobre o escândalo, não foi capaz de deter o processo. A oposição colombiana acusou o governo de realizar a extradição para atrapalhar as investigações que transcorrem sobre os vínculos entre a ultra-direita e políticos próximos ao governo. Iván Cepeda, diretor de uma fundação de vítimas dos paramilitares, segundo a AFP, declarou: “Esta decisão é uma tentativa de impedir que se identifiquem os cúmplices políticos, militares e econômicos, uma parte dos quais estão sendo investigados pela Suprema Corte de Justiça”. O debate sobre a legalidade e legitimidade do Congresso e com ele do governo Uribe se acentua cada vez mais, o escândalo da para-narco-política, segundo vários analistas, levou a Suprema Corte de Justiça da Colômbia a expor um crime de lesa-humanidade, um genocídio praticado no país que chega a 300.000 (trezentos mil) crimes confessados por seus autores (assassinatos, seqüestros, estupros e desaparecimentos, entre outros); se constitui no maior massacre coletivo que presenciamos na história recente.


Entretanto, o governo Uribe enfrenta um dilema ainda mais grave em termos econômicos e sociais. Com o fracasso do “Plano Colômbia” e da repudiada política de “Segurança Democrática”, vendidos ao povo e ao imperialismo como a fórmula mágica capaz de exterminar a guerrilha das FARC-EP e do ELN e garantir a paz na Colômbia, em especial aos investimentos imperialistas no país, na verdade, apesar de todo o derrame de dólares, das privatizações e o dinheiro sujo do narcotráfico, não foi além do crescimento do PIB, em torno de 5% nos últimos 3 anos, mas que ameaça despencar, afogado na crise do imperialismo que se desenvolve nos EUA, como comprova a projeção do Banco Mundial, de crescimento de 4,8% do PIB para o ano de 2008. O informe do Banco Mundial, de 2006, ano da reeleição de Uribe, indicava que as desigualdades sociais na Colômbia continuavam iguais às de 60 anos atrás e atribuía como fatores do crescimento econômico ao salto nas exportações de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões e à recuperação do consumo, que cresceu 4,87%, sustentado tanto pelo crescimento do consumo privado (4,89%) quanto do público (4,8%). Aqui há uma relação direta do consumo militar derivado da intensificação da guerra, em termos de consumo público, com o dinheiro sujo do narcotráfico em relação ao consumo privado. Mas é necessário explicar que em termos de endividamento externo e público a Colômbia saiu de uma situação positiva, de 0,9% em 1999, para -3,9% em 2007. Quer dizer, par e passo ao crescimento do PIB está também o endividamento público.


Mas, tratando-se de estatísticas oficiais é melhor analisar com mais cuidado estes números, pois além do governo mudar a base dos cálculos para mensurar a situação interna, deve se considerar a queda do valor do dólar em termos mundiais, a emigração forçada de 3 milhões de colombianos para o exterior, ou seja, cerca de 10% da população neste período, e ainda que 60% da população vive abaixo da linha de pobreza; que apenas 31% da população ativa tem emprego formal; que a 13% da população oficialmente considerada desempregada deve-se somar os 69% que sustentam suas famílias às custas de esmolas ou de algum serviço nas ruas de Bogotá, durante o dia, sobrevivendo em albergues, acomodações improvisadas e insalubres, ou embaixo de marquises, enrolados em jornais e abrigos de papelão. O processo de privatização jogou no desemprego milhares de trabalhadores e esta situação social levou aos grandes centros urbanos o caos e a violência de todas as formas: aumentou a pobreza e a mendicância, que atinge a 70% da população; o analfabetismo a 15%; 2,5 milhões de crianças sofrem de exploração do trabalho infantil; 2,3 milhões de crianças não podem ir à escola; não é garantido o acesso à saúde; fecham-se os hospitais e morrem as crianças nos chamados ‘passeios da morte’. Contra a revolta crescente do povo, a receita do governo para controlar a massa de desesperados é a odiada política de “Segurança Democrática”, elevando a população carcerária ao extremo da indignidade humana. Quando o primo de Uribe foi preso, a massa de vítimas dos esquadrões da morte e milícias paramilitares avançaram contra o carro que o conduzia ao cárcere e quase o lincharam. É assim que Uribe ficou emparedado economicamente também, posto que a crise política e social impediram a implantação do Tratado de Livre Comércio (TLC) no país, ameaçando jogar por terra seus “êxitos econômicos” e o aplauso das oligarquias aos seus feitos.


Finalmente, para uma real idéia sobre a situação do governo Uribe antes da ação “cinematográfica e perfeita”, isto é, seu “Xeque” às FARC-EP, (que afirma ser obra e graça “autenticamente das forças armadas colombianas”), é importante visualizar os números da catástrofe social e humanitária que vivem os colombianos, após 8 anos de “Plano Colômbia” e da política de “Segurança Democrática”:

1) Segundo o Observatório de Direitos Humanos, durante os primeiros quatro anos de Uribe produziram-se 11.382 assassinatos “fora de combate”, 85% deles realizados pelas forças militares e narco-paramilitares. Durante a administração de Pastrana foram assassinadas 28.408 pessoas, vítimas de desaparecimentos ou assassinatos seletivos. O que nos dá um acumulado de 39.790 pessoas assassinadas pela aplicação do Plano Colômbia.


2) Por sua parte, a Comissão Colombiana de Juristas informa que:

a) De cada dez sindicalistas assassinados no mundo, 9 são assassinados na Colômbia. Nos primeiros nove meses do governo de Uribe aumentaram os desaparecimentos forçados em 40%. No ano de 2002, aconteceram 2.000 detenções arbitrárias a mais que no ano de 2001. Entre os anos de 2002 e 2004 foram presas 4.750 pessoas, em sua maioria camponeses, acusados de serem “auxiliadores da guerrilha”.

b) São desalojadas forçadamente 7 pessoas por dia. Os grupos narco-paramilitares assassinaram 3.200 pessoas desde que se iniciaram os Sainetes de Ralito. Desde julho de 2000 até junho de 2006 foram registrados 8.202 assassinatos por razões políticas, ou seja, assassinatos seletivos.

c) Durante os primeiros quatro anos de administração de Uribe foram desabrigadas 1.025.155 pessoas. Durante a administração de Andrés Pastrana (governo que iniciou o Plano Colômbia) foram desalojadas forçadamente 1.359.853 pessoas. O número de pessoas desabrigadas desde o início do Plano Colômbia é de 2.385.008.

d) O acumulado histórico de desabrigados forçados está em 3.940.008 pessoas, que somado aos desabrigados silenciosos, que não denunciam por medo de continuarem sendo perseguidos, de 1.500.000 pessoas, nos dá um total de 5.440.008 pessoas desabrigadas, camponeses e indígenas em sua imensa maioria, cujas terras e propriedades passam às mãos dos grupos narco-paramilitares.


Portanto, diante dos dados até aqui expostos, o mínimo razoável para concluirmos o significado desta propagandeada ação militar do governo Uribe sobre a guerrilha intitulada de “Xeque” e adjetivada de “cinematográfica” e “perfeita”, é que ela não passa de uma burla, uma montagem, como ato de desespero de um governo que se vê derrotado militar, política e socialmente e prestes a cair a máscara. Todos sabem que a política que controla a sociedade colombiana, diante de sua dependência econômica estrutural do imperialismo e do narcotráfico, se constitui numa política de bandos, atualmente o bando dos primos Uribes e o bando dos primos Santos, que a Antioquia, parte da Colômbia de onde surgiu Uribe, foi o berço do poder de Pablo Escobar e como afirma a própria autobiografia da ex-mulher de Pablo Escobar, Uribe foi um protegido e a esperança do chefão do cartel de Medelín e Cali de controlar o poder na Colômbia. Um jovem oficial da Aeronáutica, que durante o serviço de controle de vôos aconteciam as decolagens dos aviões carregados de cocaína para todos as partes do mundo. E que a sua chegada à presidência da república, em 2002, sendo precedido pelo “pacto secreto de Ralito”, de julho de 2001, entre os dois bandos, não é mera coincidência, mas fato que cedo ou tarde se comprovará, como nos indica a prisão do seu primo e ex-senador Mário Uribe. Portanto, o “Xeque” às FARC dado por Uribe não passa de uma ação desesperada visando ganhar tempo.


Uma outra conclusão razoável que se pode extrair deste fato é que esta “operação cinematográfica”, não saiu das forças armadas oficiais colombianas e menos ainda do governo Uribe, pois uma força armada e inteligência militar que utilizando todo o aparato do Estado e mais a força especial dos EUA, durante 44 anos, e não foi capaz de derrotar a guerrilha, não é possível concluir que de um momento para outro se tornaram especialistas e capazes de uma ação a este nível. Portanto, é mais razoável concluir que esta operação teve a presença direta da CIA e DEA (EUA), MOSSAD (Israel) e DGSE (França). E é muito fácil de se comprovar tal fato na declaração do próprio porta-voz do Comando Sul dos EUA: “entre 13 de fevereiro de 2003 e 2 de julho de 2008, quando se deu a fuga dos 15 prisioneiros de guerra das FARC, entre eles, os três americanos agentes da CIA e a senadora e ex-candidata à presidência Ingrid Betancourt, o Comando Sul dos EUA realizou 17.000 horas de vôo, durante 54 missões operacionais na Colômbia”. Com o objetivo de conseguir libertar os seus agentes Thomas Howes, Marc Gonsalves e Keith Stansell, o Comando Sul gastou 50 milhões de dólares anuais em operações diretas e indiretas de resgate, e planejou 6 cenários críticos, em que intervieram 300 homens do Departamento de Defesa e pessoal de inter-agências.


O mesmo se pode comprovar da presença da França e Israel nesta operação “100% colombiana”. Entre os dias 9 e 13 de julho, o diplomata francês, Pierre-Henri Guignard, em missão com o objetivo de libertar a ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt, aterrizou em Manaus, sem autorização do governo brasileiro, para se encontrar com representantes das FARC, fontes do Ministério da Defesa francês informaram que vários agentes da Direção Geral de Segurança Externa (DGSE, serviços de inteligência), subordinada à Defesa, estavam a bordo do avião: “a Direção Geral da Segurança Externa (DGSE) foi criada em 1982 para reunir em uma só organização todos os serviços de inteligência externos franceses do pós-guerra. Vinculada ao Ministério da Defesa e ao gabinete do primeiro-ministro, a DGSE é famosa por suas ligações com os regimes do Irã, do Zaire e da Arábia Saudita. Seus agentes são conhecidos por executarem missões de seqüestro e assassinato sem deixar pistas”. Segundo o diário Haaretz, dois oficiais superiores há pouco tempo reformados, os generais na reserva israelense, Ziv e Yossi Kuperwasser, dirigem em Bogotá uma empresa de consultoria que emprega dezenas de antigos membros de unidades de elite e dos serviços secretos de Israel. Esta empresa, a Global CST, obteve um contrato de dez milhões de dólares (6, 37 milhões de euros) na Colômbia, após autorização do Ministério da Defesa para ajudar as forças especiais na luta contra as FARC, conta ainda Haaretz: “Fornecemos meios sofisticados às forças especiais para combaterem a guerrilha”, disse por seu lado o israelense Ziv ao diário Yediot Aharonot. Segundo este antigo chefe de operações do exército israelense, a sua empresa “está profundamente implicada” na ajuda às forças especiais colombianas.


O jornal espanhol ‘La Vanguardia’, afirmou: “Os serviços secretos dos três países trabalharam por mais de um ano. Os serviços secretos de Israel (Mossad), Estados Unidos e França trabalharam durante mais de um ano com as autoridades colombianas para elaborar o plano de resgate dos 15 reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). O periódico afirma que um reduzido número de especialistas em inteligência colombianos, israelenses, americanos e franceses formaram “o núcleo” encarregado de elaborar o plano que originou a “Operação Xeque”, que acabou com a libertação dos seqüestrados. Além da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, três americanos estavam no grupo de reféns libertados”.


Por último, a farsa da “operação perfeita” foi noticiada pelo repórter Frédéric Blassel da Rádio Suíça Romanda (RSR), citando “uma fonte confiável”. A reportagem afirma que a operação de resgate de Ingrid Betancourt foi encenada e que a libertação dos seqüestrados custou US$ 20 milhões, pagos ao carcereiro. O acordo para a entrega dos prisioneiros foi feito com César, codinome de Gerardo Aguilar, responsável pela escolta dos prisioneiros. O contato para a entrega dos US$ 20 milhões teria sido feito pela companheira de César, presa em fevereiro. O governo, ao tentar desmentir a reportagem, acabou por revelar o vídeo original, de 3 minutos e 36 segundos, diferente da versão editada, de 2 minutos e 23 segundos, que foi divulgada, em que o áudio desaparece por encanto. Também foi obrigado a admitir que Álvaro Uribe havia autorizado uma reunião entre os mediadores estrangeiros e às FARC, como foi noticiado com destaque pelo principal jornal do país, “El Tiempo”. Admitiu assim, o encontro dos representantes da França, Suíça e Espanha com as “FARC” (no caso César). O vídeo liberado pelo ministro da defesa colombiano, sem cortes, começa com imagens dos guerrilheiros em um descampado e os prisioneiros ao fundo. Um agente de colete e camisa vermelha, fazendo as vezes de repórter, se aproxima do guerrilheiro César e pergunta: “Comandante, só uma pergunta?” César, sorridente, responde que as regras o impedem de falar. Um dos prisioneiros se oferece à câmera, diz que ficou preso por dez anos. É interrompido. “Por política do canal não podemos transmitir (...) mas sabemos o sofrimento”, diz o “repórter”. Já na versão editada e divulgada, o vídeo perde o áudio. Vêem-se os prisioneiros, alguns irritados por terem de usar algemas de plástico, subindo no helicóptero. Não há cenas sobre a rendição de César. Há um corte e cenas do interior do aparelho: “Estão livres, já passou!”, diz um agente aos prisioneiros, que comemoram. Faz-se um close em Ingrid Betancourt, que chora. O vídeo original mostra um “repórter” hesitante, mas os prisioneiros reagem à seqüência dos fatos. “Mesmo os reféns foram enganados (no resgate), ao que parece”, diz o texto suíço.


A reportagem da RSR arrancou declarações tragicômicas do comandante do Exército, Fredy Padilla de León, e do ministro da Defesa, Juan Manuel Santos: “É absolutamente falso que tenham pago resgate”, e acrescentou que a companheira de César “não teve nada a ver, não foi contratada para a operação, não foi pagou a ela nem um só centavo”. Já Padilla afirmou: “Juro como comandante, dou minha palavra de honra, de que era mais benéfico que César tivesse recebido US$ 20 milhões. Teria sido demolidor para as FARC”. Não sei porque, mas este episódio me fez lembrar muito do General Newton Cruz ao ser entrevistado sobre o caso Baumgarten no Brasil. Emile Zolá ao escrever o manifesto de acusação ao Exército francês sobre o caso Dreiffus afirmou: “a Pátria é o último refúgio dos covardes”, me parece que no caso dos exércitos de alguns países da América Latina, no manifesto de acusação a eles pelos assassinatos e barbáries, devia-se afirmar: “a honra é o último refúgio dos covardes”.

 

O Secretariado das FARC-EP, diante dos fatos, tornou público um comunicado em que afirma tacitamente:

A fuga dos 15 prisioneiros de guerra, na quarta-feira, 2 de julho, foi conseqüência direta da desprezível conduta de César e Enrique, que traíram seu compromisso revolucionário e a confiança neles depositada.

Independente de um episódio como o sucedido, inerente a qualquer confrontação política e militar onde se apresentam vitórias e derrotas, mantemos vigente nossa política por concretizar acordos humanitários que levem à troca humanitária e também protejam a população civil dos efeitos do conflito. Ao persistir no resgate como única via, o governo deve assumir todas as conseqüências de sua temerária e aventureira decisão.

A luta por libertar nossos combatentes políticos presos sempre estará na ordem do dia no conjunto das unidades farianas, especialmente em sua direção. Todos eles os levamos na mente e no coração.

O caminho para conseguir as transformações revolucionárias, em nenhuma parte do mundo, nem em nenhum momento da história foi fácil, pelo contrário e por isso nosso compromisso cresce diante de cada novo desafio e dificuldade.

A paz que requer Colômbia deve ser resultado de acordos que beneficiem as maiorias, não vai ser a paz das sepulturas sustentada sobre a corrupção, o terror de Estado, a deslealdade e a traição. As causas pelas que lutam as FARC-EP continuam vivas, o presente é de luta e o futuro é nosso.

Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP / Montanhas da Colômbia, 5 de julho de 2008.


Diante de todos os fatos aqui expostos torna-se desnecessário concluir que o comunicado oficial do Secretariado Geral das FARC-EP foi preciso ao afirmar que a “operação Xeque” não passou de uma fuga de prisioneiros de guerra facilitada por aqueles membros da guerrilha a quem estava confiada a tarefa. E que esta facilitação custou cerca 20 milhões de dólares pagos aos traidores da revolução colombiana, como se pode deduzir de todos os fatos. Contudo, não se pode negar que com a perda de 3 comandantes, antes de tal episódio, dois deles pela ação direta e indireta do aparato militar oficial e não oficial do governo Uribe, associado a CIA, DEA, Mossad, DGSE, Raúl Reyes e Iván Ríos, respectivamente, somando-se a morte natural do seu Comandante máximo, Manuel Marulanda Vélez, a guerrilha atravessou um de seus momentos mais difíceis, em termos de recomposição de comandos e articulação interna. Naturalmente, formou-se um momento em que o governo Uribe pôde aproveitar com certa eficiência, através da corrupção e suborno, como é prática do seu governo e da ajuda do imperialismo dos EUA.


No entanto, é necessário se ater ao fato que neste 27 de Maio de 2008 as FARC-EP completaram 44 anos de luta contra as oligarquias colombianas e o imperialismo; e que já nesta data os golpes recebidos com a morte de Raúl Reyes, Iván Ríos e Manuel Marulanda, já haviam sido assimilados, em termos dos princípios leninistas de organização -o princípio da direção coletiva e da responsabilidade pessoal frente ao partido; o princípio do centralismo-democrático; e o princípio da crítica e da autocrítica-, de modo que, nesta mesma data, já havia sido superado o debate interno em torno do novo Comandante-em-Chefe da guerrilha, definindo para este posto o Comandante Alfonso Cano, restando, portanto, por definir, oficialmente, apenas o novo responsável pela Secretaria das Relações Internacionais, para a qual foi nomeado o Comandante Iván Márquez; e o novo responsável pelo Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, para o qual foi nomeado o Comandante Pablo Catatumbo, recentemente, como afirma o primeiro comunicado oficial do novo Comandante em Chefe das FARC, Alfonso Cano.


Também é importante considerar uma guerrilha que se desenvolve há 44 anos contra todo o aparato policial-militar oficial e paramilitar apoiado militar, econômica e tecnologicamente pelo imperialismo dos EUA. Não é alguma coisa que se possa desdenhar, pelo contrário, respeitar profundamente. Acreditar na onda de propaganda da mídia nazi-fascista das oligarquias imperialistas que as FARC estão enfraquecidas e que a disposição de luta dos farianos chegou ao fim, ou que o governo Uribe está próximo do “xeque-mate”, é no mínimo um engano terrível e primário, pois um movimento guerrilheiro que se auto-reproduz e cresce em componentes, chegando à importância a qual chegou as FARC, capaz de influenciar a ação do próprio governo Uribe e outros, que tentam tomar carona na sua luta, hora a favor e hora recuando; é porque sua sustentação transcende os efeitos especiais e tem expressão muito concreta e real nas massas operárias, camponesas e intelectuais revolucionárias da sociedade. Portanto, deve ser mesmo respeitada. E, ao contrário do pensam muitos, que até ontem eram defensores das FARC, para tomar carona na mídia internacional, face as suas ações espetaculares e revolucionárias de fato, na tradição de Bolívar, Che Guevara, Fidel e tantos outros que a inspiram; deste processo, ela sairá mais fortalecida e amadurecida.


É possível afirmarmos isto porque a posição tomada por Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, de certa forma recuando diante dos fatos e declarando “que a luta armada é coisa do século passado e que a guerrilha deveria abandonar as armas”, ao estilo da formulação burlesca do “Socialismo do Século XXI”, é no mínimo uma lição importante e deve ser assimilada crítica e autocriticamente, em termos das suas relações com os processos políticos venezuelano, equatoriano e boliviano, freando uma certa tendência de que tais processos possam avançar para além das amarras institucionais e que, portanto, poderia se confiar nestas relações ao ponto de se tornarem confiáveis mais que o necessário à segurança da luta. E também porque é necessário redimensionar a ação em torno das forças de reservas, depurando-as para que através delas não venham a infiltração e o fio da traição. Em terceiro, a guerrilha será ainda mais seletiva no recrutamento dos quadros, ampliando a experiência do Partido Comunista Clandestino como instrumento principal e seletivo dos quadros; e finalmente porque agora a guerrilha não necessita de interlocutores para se comunicar com o mundo sem um controle rígido do que falam, com quem falam e como falam.

 

Ao iniciar esta reflexão sobre o caso Ingrid e a “operação Xeque” do governo Uribe em relação às FARC-EP, não era nosso objetivo se posicionar sobre o debate aberto com as declarações de Hugo Chávez, acompanhadas por Rafael Correa e Evo Morales e que também de forma mais consistente apareceu em uma reflexão oficial do Comandante Fidel Castro. Portanto, limitaremos apenas a relembrar dois ou três fatos importantes ao se considerar a luta das FARC-EP, na forma de luta armada, guerra de guerrilhas, e como a inteligência burguesa e imperialista tratou historicamente isto. Quando triunfou a revolução cubana, o governo revolucionário, para quebrar a barreira de mentiras sobre o que ocorria de fato em Cuba foi obrigado a montar a “Operação Verdade”, para desmentir o que o imperialismo plantava aos olhos do mundo. Quando a revolução vietnamita avançava sobre Saigon, o imperialismo e sua máquina de propaganda afirmavam que o Exército de Ho Chi Min era sustentando pela venda de ópio, o mesmo argumento escatológico que usou para invadir o Afeganistão recentemente. Os bolcheviques quando chegaram ao poder, em 1917, na Rússia, comandados por Lênin, o imperialismo dizia que era um grupo de bandidos.


Sobre os prisioneiros de guerra feitos pelos revolucionários, Cuba tem uma amostra do que diz o imperialismo até hoje, ao afirmar que em Cuba não existe direitos humanos. Com efeito, o tratamento que se pode dar a um prisioneiro político nas selvas é desumano, isto é um fato, mas também é um fato que uma sociedade que assassina, violenta, desaparece, seqüestra 300.000 (trezentos mil) de seus filhos, não pode ser tratada como humana e quem apóia esta política e pede para população abandonar as armas e ficar refém diante dela tão pouco parece humano. Também é importante lembrar aqui a captura e prisão de personalidades de expressão, no processo de guerra de guerrilhas, sob o princípio da luta de classes, não é uma invenção das FARC-EP. O próprio Movimento 26 de Julho, em 1958, capturou o piloto argentino Juan Manuel Fangio, em Cuba, onde participaria do Grande Prêmio de Fórmula 1. Esta ação do 26 de Julho foi um golpe contra a ditadura de Fulgêncio Batista e uma tremenda publicidade para a guerrilha, liderada pelo Comandante Fidel Castro. Nestes termos, estamos inteiramente de acordo com a parte da reflexão de Fidel quando afirma que nenhuma revolução que depôs armas foi vitoriosa. Já quanto aos que imaginam que o destino da revolução na Colômbia será igual ao destino que teve no Peru, que prestem muito atenção, Fujimori hoje está no banco dos réus, por crime de lesa humanidade, ao passo que a guerrilha do MRTA, após todo o episódio trágico derivado da tomada da Embaixada do Japão e a morte de todos os revolucionários sob a direção do Comandante Nestor Cerpa Carpolini, continua mais viva que nunca e caminhando para construir a vitória final sobre o fascismo.


Por isso nós do Partido Comunista Marxista Leninista no Brasil, continuaremos do lado das FARC-EP, bem com do MRTA, e com eles lutaremos e avançaremos na libertação de toda a América Latina. Nossas palavras de ordem são:


Viva as FARC-EP e a Revolução Colombiana!

Viva a Revolução Continental!

Pela libertação de todos os presos políticos do Império e a serviço dele em todos os países da América Latina e do mundo!

Pela imediata troca de prisioneiros!

Fora com a IV Frota dos EUA da América Latina!

Ousar Lutar! Ousar Vencer! Venceremos!

 

Rio de Janeiro 22 de Julho de 2008
P. I. Bvilla
pelo OC do PCML (Brasil)

 

1) “Reféns da guerra trágica”, Maurice Lemoine; Le Monde Diplomatic, edição online, http: //diplo. uol.com.br/ 2006-04,a1294.html;
2) “Economía crece, pero no reduce la miséria”, José Meirelles Passos, Enviado Especial, O Globo, 28/05/2006;
3) “A maior parte das pesquisas indica que o presidente deve se reeleger com o sucesso da política de segurança”
Lourival Sant’Anna, Enviado especial; Estado de São Paulo, de 28/05/2008;
4) “La “parapolítica” sigue desmando al Congreso colombiano”; La Nacional online, Martes 15 de mayo de 2007;
5) “O Bando dos Primos”, Por ANNCOL, terça-feira, 29 de Abril de 2008, http://anncolbrasil.blogspot.com/2008/04/os-bandos-dos-primos.html;
6) “Revogar ou convocar”, Segunda-feira, 21 de Abril de 2008, José Cuesta, é membro da Direção Nacional do Polo; http://anncol-brasil.blogspot.com/2008/04/revogar-ou-convocar.html
7) “Ingrid Betancourt, França recebe com festa a ex-refém”; Actualité, 04/07/2008 Última atualização 07/07/2008 16:05; http://www.rfi.fr/actufr/pages/001/accueil.asp
8) “Corte Suprema cuestionó legitimidad de la reelección de Uribe en fallo contra Yidis Medina”, eltiempo.com / colombia / justicia ; Jueves 10 de julio de 2008 - actualizado hace 2 horas 19 minutos;
9) “As conseqüências do Plano Colômbia; Por Allende La Paz, ANNCOL, Quarta-feira, 21 de Março de 2007, http://anncol-brasil.blogspot.com/2007/03/as-consequencias-do-plano-colombia.html
10) “‘Cesar’, carcelero de las Farc, reconoció que el Ejército interceptó sus correos y comunicaciones”, eltiempo.com / colombia / justicia ; Jueves 10 de julio de 2008;
11) “Primo de Uribe passa a noite preso por ligações com paramilitares” , AFP, Qua, 23 Abr, 02h51; in Yahoo Brasil notícias;
12) “Colômbia extradita chefes paramilitares aos EUA”, AFP, in Yahoo Brasil notícias;
13) “Colômbia extradita para os EUA chefões do narcotráfico; oposição protesta”, 13/05 – AFP, in IG Último Segundo;
14) “Israelenses participaram de libertação”, Revista A Semana”, 04/07/2008, http://revistadasemana.abril.com.br/conteudo/mundo/conteudo_mundo_288109.shtml
15) “Bogotá usou mediadores para enganar Farc”, FLÁVIA MARREIRO, Folha de São Paulo, in NOTIMP: 187/2008 de 05/07/2008; http://www.fab.mil.br/portal/capa/index.php?datan=05/07/2008&page=mostra_no;
16) “ Cronología de la Crisis Parapolítica”, Posted by Editor Colombia Hoy at 12/18/2006 and is filed under JUSTICIA, Grupos Paramilitares,Congreso,PARAPOLITICA,GOBIERNO;
17) “Soldados colombianos que resgataram Ingrid foram treinados por Israel”, ZERO HORA.com Mundo, 03/07/2008, 19h41min, Porto Alegre,21 de Julho de 2008;
18) “Prensa europea destaca liberación de Ingrid Betancourt”, EFE, Jueves 3 de Julio de 2008, 05:08; in El Mercurio Online;
19) “El escándalo de la ‘parapolítica’ en Colombia”, EcoDiário.es, Mundo, 14:55 – 9/04/2008, http://www.ecodiario.es/index.html;
20) “”COMUNICADO SOBRE LA FUGA DE LOS 15 PRISIONEROS DE GUERRA” , Secretariado General de las FARC-EP; Publicado por FRENTEAN en 11:16 . http://frentean.blogspot.com/
21) “A Los Combatientes Y Luchadores Por La Patria Grande Y El Socialismo”, Alfonso Cano, Comandante en Chefe de las FARC-EP, Publicado por FRENTEAN en 11:18 . sábado 19 de julio de 2008, http://frentean.blogspot.com/
22) “Más de 175 operaciones de inteligencia realizó el Comando Sur de E.U. tras rastro de secuestrados”; AFP, eltiempo.com /colombia / justicia, Jueves 10 de julio de 2008 - actualizado hace 2 horas 14 minutos;
23) “Israel, EUA e França ajudaram a libertar Ingrid, diz jornal”, EFE, estadão.com.br, 21 de Julho de 2008 | Atualizado às 22:11h
24) “Lo que dice la Corte Suprema sobre la aprobación de la reelección”; eltiempo.com/ colombia/ justicia, Jueves 10 de julio de 2008 , - actualizado hace 2 horas 27 minutos
25) “Proceso contra Yidis Medina por secuestro es estrafalario, dice su abogado, Ramón Ballesteros”, eltiempo.com/ colombia/ justicia, Jueves 10 de julio de 2008 , - actualizado hace 2 horas 33 minutos
26) “Colômbia anuncia resgate de Ingrid Betancourt”, Folha da Bahia,15:25:38 de 02/07/2008; http://www.folhadabahia.com.br/noticias/lerNoticia.php?id=401
27) “PERSPECTIVAS DE LA ECONOMÍA MUNDIAL , Globalización y desigualdad”, FMI, Octubre de 2007 ;
28)“Estudios económicos y financieros , Perspectivas económicas Las Américas “, FMI, Abril de 2008;
29)“Algumas de las demonstraciones de las FARC-EP y su voluntad política por lograr un intercambio de prisioneiros” in Resistencia - Suplemento Digital, Frente Antonio Nariño Bloque Oriental – FARC-EP, Julio 2008; http://issuu.com/frentean/docs/resistencia?mode=embed&documentId=080716133924-c68675a9ec4e48c5b945cef781c38e97&layout=grey
30) “Fangio e Cuba na TV – Operación Fangio (1999)”, Flavio Gomes – IG Esportes, 26/08/2007 – 19:53, http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/2007/08/26/fangio-e-cuba-na-tv/.