A vitória de Fernando Lugo no Paraguai

A Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou no dia 8 o Projeto de Decreto Legislativo 406/07, que ratifica o Acordo sobre Complementação Energética Regional entre os Estados do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além da Colômbia, Chile, Equador e Venezuela, que aparecem como países associados).

A vitória de Fernando Lugo no Paraguai


No último dia 20 de abril, nas eleições paraguaias, o candidato de centro-esquerda, Fernando Lugo, quebrou uma hegemonia de mais de 50 anos de poder do Partido Colorado no Paraguai. Com uma coalizão heterogênea de partidos, o novo presidente paraguaio é originário das bases da igreja católica e ligado à Teologia da Libertação e ainda tem uma forte ligação com a organização religiosa da qual se desligou em 2006 para entrar na atividade política. Uma das principais bandeiras de luta do presidente eleito do Paraguai foi a revisão das tarifas da Usina de Itaipu, que é binacional, pois pertence ao Brasil e ao Paraguai, que por ter sido construída na década de 70, quando os militares ainda estavam no poder nos dois países, foi feito um contrato que vale até 2023. A questão é que como o Paraguai não tem como absorver toda a energia produzida por Itaipu ele a revende para o Brasil, mas o grande problema é que o valor das tarifas está abaixo do mercado internacional e o presidente do Paraguai quer mudar estes critérios de reajuste sobre o qual o governo brasileiro paga. Isso é um problema mais comercial do que político e assim precisa ser tratado, não deve haver um sentimento revanchista de nenhum dos lados, uma vez que este é o maior interesse do projeto imperialista dos EUA, que é dividir tanto o Mercosul como a América Latina.

Esta vitória de Fernando Lugo é mais uma demonstração de que o continente latino-americano está se virando para a esquerda contra a hegemonia neoliberal que predominou durante vários anos e que levou à miséria e ao desemprego a maioria dos países da região. Em seu discurso o presidente eleito do Paraguai disse que o seu projeto tinha o objetivo de mudar a imagem do país, que é um dos mais pobres da América Latina e também conhecido como um dos mais corruptos. Em parte esta ascensão de Fernando Lugo é um revés contra a pretensão dos EUA de implantar uma base militar no país, assim como aconteceu no Equador, onde Rafael Correa e o congresso equatoriano não permitiram a ingerência estrangeira em seu território. A luta na América Latina pela sua unidade está repercutindo e faz parte de um objetivo muito maior para libertar a nossa região do jugo estrangeiro e o Jornal Inverta está conectado com essa tendência antiimperialista com a nossa filiação a Coordenadora Continental Bolivariana, que empurra os povos latino-americanos para a luta para que os que choram não tenham mais motivos para chorar.


Carlos Amâncio