Pela retirada das tropas brasileiras do Haiti!

A situação de pobreza e repressão nesse país se intensifica e o Brasil cumpre um papel fundamental, já que lidera as forças de ocupação do território haitiano sob o “argumento” de estar prestando uma ajuda humanitária. Devemos nos perguntar: do que o Haiti realmente precisa? Além disso, devemos exigir a retirada imediata das tropas brasileiras.

Pela retirada das tropas
brasileiras do Haiti!

 

No início deste mês milhares de pessoas foram às ruas no Haiti para protestar contra o aumento dos preços dos alimentos básicos, que triplicaram desde novembro, e contra a ocupação das Forças estrangeiras no país (MINUSTAH). Cinco pessoas morreram nos confrontos com as forças de ocupação e dezenas ficaram feridas.

As políticas neoliberais levaram o Haiti a uma situação dramática, onde 76% da população vive em situação de pobreza e 45% das crianças menores de cinco anos sofre de desnutrição. Na semana passada, o arroz, elemento essencial na dieta da população haitiana, duplicou seu preço, subindo de 35 para 70 dólares a saca de 50 quilos. Segundo um informe do Serviço de Paz e Justiça da América Latina (Serpaj AL), “o Haiti produzia há 20 anos 95% do arroz que consumia; hoje importa dos Estados Unidos 80% desse produto”. Paradoxalmente, o orçamento anual da Missão de “Paz” ascende a 535 milhões de dólares, 9% do PIB do país ocupado, enquanto a população carece do mais elementar. Existem enormes carências de infra-estrutura devido às quais dois terços da população não tem acesso à energia elétrica e mais da metade dos haitianos não dispõe de fontes de água potável.

Didier Dominique, dirigente da Associação de Sindicatos Batay Ouvriye disse: “Levantou-se o povo contra a “vida” miserável, cheia de fome e desilusão à qual está sendo submetido. Também, como tínhamos previsto, a repressão não tardou. Sangue, mortos... As forças armadas da MINUSTAH cumpriram plenamente o propósito para o qual vieram”.

Hoje o Brasil lidera a suposta Missão de Paz da ONU, a MINUSTAH, com 1.211 efetivos, juntamente com o Uruguai (1.147), Argentina (562) e Chile (502). Todos os países com governos que se dizem de esquerda ou progressista, mas que apenas interferem na situação desta nação caribenha com balas, repressão e morte. Existem múltiplas denúncias que demonstram que as tropas ocupantes violaram de forma reiterada os direitos humanos com a mais absoluta impunidade. A própria MINUSTAH teve que repatriar recentemente 114 soldados do Sri Lanka culpados de abuso sexual e violações de mulheres e meninas em várias regiões do país.

Didier Dominique também afirma que “o Haiti está sendo destruído, por intenção explícita de quem constrói paulatinamente um bolsão de mão-de-obra barata para seus propósitos capitalistas. O estado de severa destruição social valida o argumento da ajuda da comunidade internacional a partir de parâmetros hegemônicos que ocultam um projeto de exploração, como são as zonas francas e seu conjunto de maquiladoras”.

Quando nos deparamos com esta situação de fome, desespero e repressão, perguntamos-nos: do que realmente necessita o Haiti?

Com certeza, o Haiti não precisa de tropas de ocupação e sim de brigadas de saúde, alfabetização e de ajuda com infra-estrutura. O Haiti precisa do tipo de ajuda que Cuba dá! Os 400 médicos cubanos que estão no país há mais de cinco anos “atenderam 8 milhões de casos, fizeram mais de 100 mil operações cirúrgicas, das quais 50 mil de alto risco”. Igualmente, Cuba coopera na agricultura, pesca e aqüicultura, e dá apoio à única plantação haitiana que produz açúcar. Além disso, existem 600 bolsistas haitianos que estudam na Universidade de Santiago de Cuba.

Como não é novidade, os médicos cubanos estão espalhados por todo o país, inclusive nas regiões mais remotas, onde os médicos haitianos, concentrados em Porto Príncipe, não vão. Estatísticas afirmam que nas zonas atendidas por médicos cubanos a mortalidade infantil caiu de 80 para 28, de cada mil nascidos vivos, e se estima que mais de 100 mil vidas foram salvas.

Uma vez mais, com o notável exemplo de Cuba, vemos o que realmente é solidariedade. E diante dos fatos, caem as máscaras dos supostos governos de esquerda, que apenas alimentam a lógica capitalista e utilizam a força para consolidar seus interesses na região, à custa da vida do povo haitiano.

Segundo o Serpaj AL “é absurdo pensar em uma solução militar para um conflito que não tem nada a ver com ele”, “dói e envergonha que sejam os exércitos de países irmãos, aqueles que reprimem ao povo haitiano. Precisamos buscar outras formas de cooperação solidária e comprometida, de acordo com a ética dos direitos humanos e respeitando os mesmos. Cada povo deve encontrar seu próprio caminho e o Haiti não o conseguirá num contexto de ocupação, dependência e assistencialismo” (Serpaj AL, 10/04/08).

Cabe agora, a nós, revolucionários, pressionar os nossos governos para que ponham um fim a esse massacre e exigir que saiam definitivamente do Haiti.


Exigimos a retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti!

 

Tânia Castro