Assassinatos, violações e impunidades de Israel em Gaza

A matança de mais de uma centena de palestinos por Israel, entre eles 17 crianças, desperta a indignação de boa parte da comunidade internacional, em meio da total impunidade contra os crimes. Organizações regionais e internacionais pediram a condenação dos fatos e detenção do aumento da violência.

Assassinatos, violações
e impunidades de Israel em Gaza


A matança de mais de uma centena de palestinos por Israel, entre eles 17 crianças, desperta a indignação de boa parte da comunidade internacional, em meio da total impunidade contra os crimes. Organizações regionais e internacionais pediram a condenação dos fatos e detenção do aumento da violência. Semelhante atitude poderia ser motivo de esperança para alguns, mas não para os palestinos. Ao menos assim demonstram os fatos dos últimos 60 anos.

Em 29 de novembro de 1947, a ONU aprovou a Resolução 181, que instituía um estado judeu com a partição da Palestina histórica em dois pedaços, cuja maior proporção das terras, 55%, beneficiava aos primeiros e as restantes ficariam para os originários. Assim como os apocalípticos ginetes, o nascente estado faz sua tenebrosa entrada no Oriente Médio, trazendo consigo a morte e a desolação, ainda antes de seu estabelecimento definitivo em maio de 1948.

Os israelenses começam então uma longa história de vexames e uma interminável lista de violações do Direito Internacional e dos acordos da ONU. A expansão territorial israelense implicou a destruição de 418 aldeias e cidades palestinas, 60% da população foi expulsa e convertida em refugiados, e a porcentagem das terras apropriadas por Israel aumentou para 78, segundo as Nações Unidas. Os moradores e donos das terras foram desalojados com extrema violência, o que provocou o êxodo em massa com a expatriação de cerca de 4,5 milhões pessoas, segundo a fonte.

Este fato passou aos anais da história como o Nakba -desastre em árabe-, processos que para muitos analistas regionais continua sendo uma realidade. O governo israelense declara Jerusalém como a capital do estado em dezembro de 1949 e três dias depois a ONU pediu que esta decisão fosse revogada, medida até agora não escutada.

Em 1967, Israel desata a Guerra dos Seis Dias e apropria-se da Faixa de Gaza, Cisjordânia, a península egípcia do Sinai, Jerusalém Leste e os Altos do Golán, na Síria. O fato leva a que o Conselho de Segurança (CS) aprove a Resolução 242 na qual as as conquistas territoriais são qualificadas de “nulas e ineficazes”, é exigida a retirada dos territórios ocupados e se insta ao governo israelense a solucionar o problema dos refugiados. Tão apenas o Sinai foi devolvido aos egípcios em 1982 depois das negociações de Camp David, os territórios restantes continuaram ocupados por Israel.

A situação da Faixa é sintomática, porque com a retirada das Forças de Defesa israelenses em 2005 aumentaram os ataques e incursões militares, assim como as pressões de bloqueio econômico. Em 1970, ao menos três resoluções do CS reiteraram o direito do povo palestino a sua autodeterminação e condenaram as agressões do exército israelense.

O status de Jerusalém, a volta dos refugiados palestinos e a retirada dos territórios ocupados, contemplados na resolução 242, foram sempre pontos álgidos nas negociações de paz, pela intransigência do Tel Aviv de aceitar o estipulado. Interminável seria a lista de resoluções, acordos e leis internacionais violadas e ignoradas por Israel com o apoio e a anuência de seu principal protetor e mentor: Washington.

O ocorrido entre 27 de fevereiro e os primeiros dias de março de 2008 em Gaza, onde 125 palestinos morreram, 17 deles crianças, e ao cerca de 400 sofreram ferimentos, é a expressão da total impunidade e o desapego do Tel Aviv ao cumprimento das leis internacionais. É alarmante a aleivosia e desproporção de um dos exércitos mais poderosos do mundo contra uma população indefesa, despojada de seus direitos e suas terras, enquanto uns poucos no mundo reclamam deter a matança e defendem a autodeterminação.

Prensa Latina