Sucateamento das Forças Armadas na AL e a imposição do imperialismo

Diante da arrogância dos EUA sobre os países do Oriente Médio, como Afeganistão, Iraque e agora ameaçando o Irã, o povo latino refletiu sobre suas condições sociais e procura lutar contra o neoliberalismo - política externa implantada pelos capitalistas.

Sucateamento das Forças Armadas na AL e a imposição do imperialismo


As instituições de repressão do tipo SNI, IPEA e outras foram criadas por estrategistas políticos brasileiros e apoiadas pelos países imperialistas. Depois de montar os aparelhos repressores, buscaram eliminar seus opositores políticos e em seguida impuseram suas idéias e desenvolveram mecanismos inteligentes para defender seus interesses econômicos; obtiveram apoio das classes burguesas e dos aparelhos de repressão montados em diversos estados e municípios. Porém, em 1980, a economia mundial dava início de vestígio a uma breve crise financeira, que começava a afetar o povo da América Latina. Nessa mesma década, o Brasil tinha iniciado uma escala altíssima no índice de desemprego e uma crise no setor agrário, surgia então, uma forte e densa movimentação da população nordestina, que abandonava os campos e seguia para as grandes cidades metropolitanas em busca de trabalho. Essa mudança fez elevar o número da população na área urbana, ajudando a pressionar o governo a mudar a política com o pedido de “Diretas Já!”. Esse movimento político histórico fez com que o governo militar cedesse aos desejos da população brasileira pela democracia. Diante desse episódio, os países imperialistas exigiram dos militares que retornassem ao processo político democrático, tendo em vista que haviam cumprido muito bem o papel de defender os interesses da elite brasileira e do capital estrangeiro. No entanto, realizaram uma política de redemocratização cautelosa, pois temiam uma ressurreição da esquerda no território brasileiro.

A preocupação dos países imperialistas era de não perder o controle do processo repressivo que haviam instalado na América Latina, assim, exigiram então precauções nas mudanças políticas do país, pois milhares de pessoas, tanto da classe média como da classe pobre lutaram contra o regime militar.

A crise econômica mundial se agravou ainda mais, afetando diretamente o setor industrial, dessa forma, os países imperialistas incentivaram o crescimento da globalização no mundo. Alguns historiadores afirmam que esse processo econômico teve início nos séculos XV e XVI, com as Grandes Navegações e a Descoberta Marítima. Porém, no ano de 1970, o neoliberalismo ganhou força e impulsionou a criação de uma nova regra econômica. Para os países industrializados a globalização traria estabilidade no setor financeiro, pois os empresários buscavam reduzir seus gastos nas suas produções industriais. A partir de 1980, as políticas de ordem macroeconômica assumiram a centralidade do debate econômico no Brasil. As sucessivas crises como a da dívida externa, a hiperinflação e frustração dos Planos de Estabilização (Cruzado, Bresser, Verão, Collor etc.) fizeram com que os brasileiros atravessassem uma crise econômica avassaladora, pois, segundo o IBGE, a taxa média de crescimento entre 1948 e 1979 foi de 7,4%. Já no ano de 1980, esta taxa caiu para 2,9% e seguiu em uma sucessiva queda por dez anos, com uma taxa de 1,9% ao ano. Essa crise fez com que o governo brasileiro recuasse em seus investimentos em diversos setores: educação, saúde, transporte, segurança pública e na defesa das fronteiras. As Forças Armadas sofreram amargamente, foi o primeiro setor a ser esquecido pelos governos (José Sarney, Fernando Collor, Itamar e FHC).

A estratégia da política externa criada pelos EUA mudou com a queda do muro de Berlim, em 1989, e com o fim do socialismo na URSS. Os norte-americanos mudaram sua estratégica política com os países da América Latina. Justificaram que os países periféricos da América não precisariam mais de um exército forte, pois os capitalistas haviam vencido a batalha contra o comunismo e que a nova ordem seria que as forças armadas da América Latina apenas mantivessem suas frotas existentes e que realizassem pequenas manutenções e alguns ajustes bélicos. O Exército brasileiro já sobrevivia com as sucatas que recebia das guerras anteriores, tendo apenas uma melhora no setor de carros de transporte de combates, criado no ano de 1982, com a criação do Urutu, Cascavel e outros. Além disso, chegaram a vender carros de artilharia pesada para o Iraque, como os Astros I e II, durante a guerra contra o Irã. Época que os EUA financiaram a guerra para os dois países que lutavam, pois seu interesse era de que houvesse um enfraquecimento de ambos os lados. Para a América Latina a estratégia era outra, nesse outro hemisfério já não havia resistência por parte de uma política contrária ao capitalismo, mas poderia ocorrer uma ressurreição de militares com sentimento político nacionalista, e o enfraquecimento das Forças Armadas em toda a América Latina facilitaria uma imposição dos países imperialistas sobre os países submissos. Caso os interesses do capital estrangeiro fossem violados, seria fácil uma invasão territorial. Durante anos essa política deu certo. Alguns países periféricos da América viveram e ainda vivem sobre pressão de órgãos como o FMI e de outras instituições financeiras, pois seus governos anteriores seguiram e ainda seguem a cartilha dessas instituições.

Diante da arrogância dos EUA sobre os países do Oriente Médio, como Afeganistão, Iraque e agora ameaçando o Irã, o povo latino refletiu sobre suas condições sociais e procura lutar contra o neoliberalismo - política externa implantada pelos capitalistas. O tabuleiro do xadrez encontra-se em movimento, pois a regra do jogo está mudando, recuam os bispos e avançam com os cavalos, sempre protegidos pelos peões à frente e pela rainha na retaguarda, depois de um roque na casa longa da torre protegendo o rei.

Sabemos que o imperialismo americano encontra-se enfraquecido na Ásia Menor, os Persas (iraquianos) têm resistido com a guerrilha urbana, fazendo frente à batalha com o inimigo, gerando um grande desgaste à tropa invasora; além disso, a economia americana começa a sofrer com essa guerra, e sendo assim, resta apenas salvar a América Latina, já que nesta região o processo político contra os imperialistas tem aumentado, ameaçando os interesses do capital americano; nesse momento a intenção é de direcionar todas as atenções para o Iraque e o Irã, para depois galopar em direção às riquezas da América. Para isso é necessário movimentar primeiro as peças e apontar para o alvo mais crítico que é a Colômbia, cenário da frente de batalha dos ianques na América Latina, eliminando assim, quaisquer possibilidades de um levante contra os interesses imperialistas. O papel das FFAA nesse momento é de exercitar suas peças de fogo e preparar suas tropas, já que o dever do governo é de cumprir as políticas estratégicas dos imperialistas, pois seu comprometimento com o capital estrangeiro é cada vez maior, pois não tem desenvolvido uma política de ruptura com as políticas externas, mantendo o povo escravizado a um projeto de assistencialismo, defendendo os interesses dos usineiros e dos plantadores de soja; este último deseja acabar com o cerrado brasileiro transformando-o em deserto verde. Esse novo combustível servirá para abastecer os carros de combate dos norte-americanos. O governo ainda não privatizou a segunda maior empresa estatal petrolífera da América Latina, a Petrobras, mas tem realizado a venda dos poços de petróleo em alto-mar, tendo em vista que onde os olhos não alcançam, o povo não sente e não reclama: uma privatização camuflada como FHC sempre desejou realizar em seu período de governo.


Josiel Morais