Aos que lutam e aos que choram: Viva a revolução bolivariana!

Para nós do Partido Comunista Marxista Leninista (Brasil), o processo vivido nestes dois anos de governo de Evo Morales é mais uma porta que se abre à liberdade, à igualdade, à justiça reclamada, à independência contida, ao resgate da dignidade usurpada e direitos pisoteados daqueles que com seu sangue irrigaram nossa América e desde a conquista colonial não se entregaram e ao invés de chorar lutaram - como escreveu Jorge Masseti, argentino que ao entrevistar Fidel, Raul e Guevara, ainda em Sierra Maestra, durante a guerrilha de libertação definitiva de Cuba.

Aos que lutam e aos que choram:

 

Viva a revolução boliviana!


. . . A mí solo me mataréis, pero mañana volveré y seré millones” (Tupac Katari)


70 milhões de indígenas foram exterminados no chamado Novo Mundo; 45 milhões de africanos foram aniquilados e seus descendentes; o assassinato de 4 milhões de lutadores pela independência da também chamada “América Espanhola”; 1.100.000 paraguaios, incluindo centenas de milhares de mulheres e crianças; mais de 1 milhão de mortos e desaparecidos na América Latina entre 1945 e 1982. (Madre América – Um século de violência e dor (1898-1998) Luis Suárez Salazar)


Zumbi dos Palmares vive!

Tupac Katari vive!

Simón Bolívar vive!

Ernesto Che Guevara vive!


A eleição de Evo Morales em 2005 na Bolívia, confirmou a tendência que hoje toma corpo em todo o continente da América Latina e Caribe, a tendência à reconquista da soberania, unidade e dignidade dos povos de Nossa América, partilhados em países, pela cobiça das oligarquias locais e a lógica de domínio, exploração e opressão antes pelos impérios coloniais e hoje pelo imperialismo neocolonial. Ao longo de cinco séculos processos similares foram vividos em nosso continente, acumulando uma história de lutas pela unidade, independência e autodeterminação, quanto ao modo de produção e vida, econômica, social, política e cultural. A Bolívia, ao refletir este novo processo de insurgência dos povos de Nossa América, mais uma vez, faz renascer em milhões Tupac Katari, o personagem ímpar e sua história na luta contra a exploração e opressão colonial; unindo-o a outros dois personagens que continuaram o ideário de soberania, justiça e liberdade do povo boliviano, Simón Bolívar e Ernesto Che Guevara, em síntese, é deste aspecto que se pode definir o processo revolucionário boliviano, que após derrubar o governo de Sánchez de Losada em 2003, e levar à renúncia de Carlos Mesa, em 2005, conduziu à presidência do país, em 2006, o líder do Movimento ao Socialismo (MAS) e membro do povo Aymará, Evo Morales.

Tupac Katari diante dos verdugos afirmou:

a mim somente podereis matar, mas amanhã voltarei e serei milhões”.

Julián Apaza - que adotou o nome Tupac Katari, unindo o nome de Tupac Amaru II (líder da revolta de 1781) e Tomás Katari (chefe indígena que continuou a revolta em Potosí) - foi esquartejado, mãos, cabeça, pernas separadas e levados aos quatro cantos do país e apresentados aos diversos povos para servir de exemplo do terror dos colonizadores contra os rebeldes; Simón Bolívar, ao conquistar a definitiva independência da Bolívia, após a Batalha do alto Peru, com a proclamação da República em 6 de agosto de 1825, viu toda a luta de libertação se fragmentar sobrepujada pelas ambições mesquinhas das oligarquias locais, apoiadas pelo imperialismo norte-americano e europeu, morreu de tuberculose, isolado na Colômbia; Guevara, que após a vitoriosa Revolução Cubana, nas montanhas da Bolívia, à frente do Exército de Libertação Nacional, caiu em combate e, a exemplo de Tupac katari, foi esquartejado, somou-se à histórica luta dos povos originários da Bolívia dos libertadores de Nossa América, dando curso ao novo conteúdo da luta revolucionária que cresce uma vez mais em nosso continente e que inspira o governo de Evo Morales.

A Bolívia, que após sua luta secular para sair do garrote colonial e neocolonial em pouco mais de dois anos viu os reclames de sua classe operária e camponesa tomarem expressão de leis levadas a cabo corajosamente pelo governo Evo Morales, tais como as leis de nacionalização dos hidrocarbonetos e as leis de reforma agrária, apoiando-se nas comunidades e cooperativas camponesas; a Bolívia que viu os reclames de autonomia dos povos originários ganhar dimensão constitucional através da Assembléia Nacional Constituinte convocada pelo governo aprofundando a revolução e seus aspectos democráticos e antiimperialista sem dúvida, emerge das sombras da pobreza, da miséria, da opressão, da história de servilismo para erguer-se com soberania, altivez e dignidade ombreando-se à Revolução Bolivariana, comandada por Hugo Chávez, a Revolução Cubana, comandada por Fidel Castro e a Revolução Colombiana, comandada por Manuel Marulanda, neste novo cenário de insurgência de Nossa América frente à nova política de dominação do imperialismo norte-americano, que se expressa economicamente através do paradigma neoliberal, geopoliticamente pelo controle das fontes de energia, biodiversidade, terras cultiváveis e militarmente, pela subordinação dos exércitos nacionais ao exército norte-americano através da implantação de bases militares geoestratégicas no continente ao formar fileiras com Venezuela, Cuba, Nicarágua, Equador, constituindo a ALBA eleva a qualidade de sua revolução à dimensão estratégica continental, a exemplo do papel desempenhado pela Revolução Bolivariana na Venezuela.

Se a Bolívia, que hoje se ergue, se confronta com um quadro em que 80% da população vive abaixo da linha de pobreza, em algumas regiões, 7 em cada 10 bolivianos sofrem com a pobreza e a riqueza concentrada em 5% da população; não se pode chegar à outra conclusão, se trata de uma verdadeira batalha em todos os terrenos para derrotar a herança de cinco séculos de saque colonial e neocolonial, de aculturação pela evangelização criminosa de civilizações exuberantes, como as Aymaras e Quíchuas. E ainda que esta batalha, se dê em condições totalmente diferentes, em termos da situação política nacional e internacional, das que se sucederam ao longo de sua história. Que sobre este novo processo faz peso, a exemplo dos outros países da América Latina, as últimas duas décadas em que a correlação de forças, no plano internacional, entre as classes sociais em luta (trabalhadores e patrões) se alterou, acumulando-se ao período de guerra-fria, quando ditaduras militares sanguinárias assassinaram as lideranças revolucionária na tortura e terror, como foi o caso da Ditadura comandada por René Barrientos, na Bolívia, que a serviço do imperialismo norte-americano e das oligarquias locais assassinou Hernesto Che Guevara, ceifando este momento de pujança revolucionária em Nossa América.

Por outro lado, também é importante considerar o peso do período de retorno à democracia burguesa, que nos últimos 23 anos que antecederam este momento revolucionário em nosso continente, em especial na Bolívia, levou às últimas conseqüências o entreguismo e o servilismo, em todos os sentidos a partir da implantação do neoliberalismo, através dos planos de reestruturação econômica, ditados pelo FMI, e após os desgastes destes, na América Latina, (Venezuela, Argentina, Brasil, Equador, Chile, Uruguai, Paraguai, México, Colômbia etc), trocaram de pele para Tratados de Livre Comércios com os EUA, cujo objetivo último continua sendo a implantação da ALCA (projeto de domínio econômico formal do imperialismo norte-americano para o nosso continente). Portanto, neste contexto após a queda do campo socialista do Leste e da URSS, em que a globalização neoliberal, hegemonista e imperialista das oligarquias financeiras dos EUA, dominam a cena histórica recriando um mundo de horror econômico e terror de guerras e genocídios, pensar o processo original que inaugurou a Bolívia, traduzindo Carlos Mariátegui, em um governo que une as idéias do socialismo a luta pela autodeterminação dos povos originários, e as idéias de unidade continental de Bolívar e José Martí, é algo mais que notável, é uma demonstração da força de imaginação, resistência e luta dos povos de nosso continente e uma esperança que se alça para toda a humanidade.

Para nós do Partido Comunista Marxista Leninista (Brasil), o processo vivido nestes dois anos de governo de Evo Morales é mais uma porta que se abre à liberdade, à igualdade, à justiça reclamada, à independência contida, ao resgate da dignidade usurpada e direitos pisoteados daqueles que com seu sangue irrigaram nossa América e desde a conquista colonial não se entregaram e ao invés de chorar lutaram - como escreveu Jorge Masseti, argentino que ao entrevistar Fidel, Raul e Guevara, ainda em Sierra Maestra, durante a guerrilha de libertação definitiva de Cuba. Sem dúvida em nossa América “Há os que Lutam e Há os Que Choram”, para nós o governo Evo Morales expressam sem dúvida os tipos que lutam, não se entregam e levam, como fizeram tantos e tantos mártires de nossa história sua luta às últimas conseqüências. Para Evo Morales e sua organização, o MAS (Movimento ao Socialismo), estas últimas conseqüências são muito claras: a revolução socialista! Esta nossa posição também parece ser a dos povos originários da Bolívia e compartilhada pelos originários dos outros países, em especial o Brasil.


Que se aprofunde a revolução democrática e cultural boliviana dirigida por nosso novo Tupac Katari – Evo Morales!


Que cada vez mais a revolução democrática e cultural antiimperialista boliviana se ombreie à Revolução Bolivariana da Venezuela, liderada por Hugo Chavéz; à Revolução Colombiana, liderada pelas FARC-EP; pela Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro!


Todo apoio e solidariedade ao povo boliviano ao governo Evo Morales e à revolução boliviana!


 

Rio de Janeiro, 15 de Janeiro de 2008,

P. I. Bvilla

Pelo OC do PCML

thamyres
thamyres disse:
13/01/2011 17h31
Espero profundamente que a causa pela qual estamos lutando não seja em vão, e que algum dia iremos contemplr a verdadeira liberdade que tantos buscam. Adoto também o comunismo marxista. Viva a Revolução!
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