O Partido em 2008

O ano de 2007 para nossa luta foi, sem dúvida, exitoso em vários aspectos. Nesta edição de Inverta, que registra a passagem de calendário para 2008, é importante realizar um breve balanço de nossa atuação para sabermos que tarefas mais imediatas nos aguardam nos primeiros meses desse ano que se inicia e sua importância para seguirmos adiante em nossos objetivos revolucionários.

O Partido em 2008

 

O ano de 2007 para nossa luta foi, sem dúvida, exitoso em vários aspectos. Nesta edição de Inverta, que registra a passagem de calendário para 2008, é importante realizar um breve balanço de nossa atuação para sabermos que tarefas mais imediatas nos aguardam nos primeiros meses desse ano que se inicia e sua importância para seguirmos adiante em nossos objetivos revolucionários. Antes, porém, é também uma tarefa revolucionária saudar a todos os camaradas, companheiros, amigos e colaboradores que com seu empenho e solidariedade contribuíram para o êxito de nossas tarefas em 2007.

 


Como enunciamos no editorial anterior, para concluirmos nossas tarefas no ano que termina, restavam apenas duas atividades fundamentais: o lançamento da revista Tricontinental, juntamente com a exposição que relembra os 40 anos da queda em combate de Che Guevara, e o trabalho de apoio e solidariedade aos povos originários do Cerrado e sua entidade o MOPIC, que realizaram um grande evento de reflexão e luta na aldeia dos Terena, em Cachoeirinha, e um vigoroso ato de protesto na capital do estado de Mato Grosso do Sul, denunciando o assassinato, prisão, maus-tratos, a usurpação de suas terras e destruição da natureza (comprometendo o bioma) pelas grandes multinacionais e o programa de biocombustível do governo federal. E como ficou visível, pela própria imprensa burguesa, estas duas tarefas foram bem-sucedidas.


As duas fizeram história. A primeira com abrangência nacional se efetuou em 5 estados do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, em um total de 7 exposições, nas principais capitais e cidades estratégicas para o trabalho revolucionário, dentro do objetivo de levar à frente a “grande batalha de idéias”, defendida pelo Comandante Fidel Castro. Assim, esta atividade foi iniciada no Memorial da América Latina, em São Paulo; depois aconteceu na Casa Brasil (Fundação do Jornal do Brasil), no Rio de Janeiro; em seguida foi realizada no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza (CE); logo depois, no Centro de Artes em Nova Friburgo (RJ); chegou à Aldeia dos Terena, em Cachoeirinha (MS), na grande atividade dos mais de 18 povos indígenas do Cerrado; e finalizou na Universidade Federal de Pelotas (RS). Milhares de pessoas em todo o país puderam participar da atividade. A presença do Secretário Geral da OSPAAAL – Organização de Solidariedade dos Povos da África, Ásia e América Latina, o ex-embaixador Alfonso Fraga, elevou ainda mais a atividade para esfera da reflexão revolucionária e combativa.


A segunda atividade, a assembléia e protesto dos povos indígenas realizados pela MOPIC, também foi de grande sucesso, embora realizada em uma aldeia indígena no interior do Estado, o fato inusitado do lançamento da Revista Tricontinental e a exposição sobre Che Guevara como parte do evento, fez com que o ato fosse noticiado internacionalmente, pela Prensa Latina, por outro lado, a reunião, pela primeira vez, dos povos do Cerrado, por iniciativa e liderança dos próprios indígenas, também fez história. O protesto, sem dúvida, arrancou a simpatia da população de Campo Grande, capital do Estado. Embora o governo do Estado seja considerado antiindígena, a disposição dos guerreiros e a própria denúncia internacional (em Relatório da ONU), mostrando o número de assassinatos e prisões arbitrárias e discriminação contra as populações originárias, fez com que o governo recuasse de uma repressão direta. Assim, o evento teve bom resultado, e com ele nosso trabalho de apoio e solidariedade também.


Mas o êxito destes eventos, apenas foram parte de um processo muito mais amplo, iniciado com o lançamento nacional do segundo número da Revista Ciência e Luta de Classes, do CEPPES – Centro de Educação Popular e Pesquisas Econômicas e Socais, no IFCHS, na Universidade Federal do Rio de Janeiro; uma edição comemorativa do centenário de Oscar Niemeyer, com uma entrevista exclusiva e uma página especial com desenhos realizados pelo arquiteto especialmente para o Jornal Inverta. Após este evento, realizou-se a grande comemoração dos 16 anos do Jornal Inverta e 15 anos de circulação do Granma Internacional no Brasil, com o IV Seminário Internacional de Luta Contra o Neoliberalismo e o lançamento da CCB – Coordenadora Continental Bolivariana – Capítulo Luis Carlos Prestes (Brasil), na UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro e UFF – Universidade Federal Fluminense.


Sem dúvida, esta atividade se tornou um acontecimento histórico, contou com a presença de delegações de Cuba (do Granma Internacional, Instituto Internacional de Periodismo José Martí, da Prensa Latina, da OSPAAAL, do Consulado Geral em São Paulo), da Venezuela (Prefeitura de Caracas, Consulado Geral em São Paulo), do Parlamento Latino-Americano (Presidência Alterna e Presidência da Comissão de Meio Ambiente e Turismo); da República Dominicana (Membro da Presidência Coletiva da CCB); da Bolívia (Consulado Geral no Rio de Janeiro); também tomaram parte nas diversas mesas durante o seminário uma plêiade de intelectuais brasileiros e lideranças do movimento popular e revolucionário. Finalmente, um público formado por centenas de militantes, simpatizantes e amigos do Jornal Inverta e do Movimento Nacional de Lutas Contra o Neoliberalismo, vindo dos diferentes estados do país (RJ, MG, RS, SP, BA, CE, DF, MS, GO, PR, PE, ES). O lançamento da CCB foi um marco, pela primeira vez, um movimento de caráter continental se tornou um fato no Brasil, integrando a luta revolucionária brasileira à luta dos países da região (Cuba, Venezuela, Bolívia, Equador e Nicarágua) e organizações revolucionárias (FARC-EP, MRTA, FMLN, PCML, PCC, PCV, PCM, Refundação Comunista de Porto Rico, Círculos Camaños), entre outros.


Por último, realizou-se o III Congresso do Partido Comunista Marxista-Leninista (Brasil), que foi o principal dirigente de todo este processo. Ao congresso participou mais de uma centena de delegados eleitos em conferências estaduais, abrangendo cerca de 4 regiões do país: Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. O Congresso precisou as tarefas revolucionárias no âmbito nacional e internacional, em especial, para a América Latina e Caribe, bem como aprofundou a diretriz do Partido para sua atuação no movimento popular no país (Sindical, Sem Terra, Sem Teto, Movimento de Bairros, Desempregados, Juventude, Movimento Negro, Indígenas, Mulheres etc.). Finalizou elegendo o novo Comitê Central, Órgão Central e Conselho do Partido. A Reunião do CC que se seguiu, definiu as funções e responsabilidades, definiu as prioridades partidárias e a agenda de trabalho revolucionário, interna e externa, nacional e internacional.


Assim, no ano de 2007, avançou significativamente o trabalho do Partido e sua luta revolucionária, contudo, é preciso também ter claro algumas questões estratégicas, que no curso deste agitado e exaustivo processo de trabalho, ficaram por se fazer e outras que a própria atuação e realização dos eventos demandaram para o início de 2008. A primeira é referente à formação política, pois as atividades relativas à formação de quadros – em termos da formação marxista-leninista – limitaram-se apenas ao curso realizado no Rio Grande do Sul, ficando os outros estados sem realizá-lo (refiro-me ao curso oficial do Partido realizado pelo Centro Ideológico); outra tarefa que ficou sem uma concretização é a aquisição da infra-estrutura para o OC, e da EDQ, que deve ser uma prioridade fundamental neste ano de 2008. Também o projeto no âmbito cultural, apesar de todos os esforços no ano de 2007, ainda não aconteceu por inteiro, cabendo uma ação decisiva do Partido neste aspecto no início deste ano. Por último, e de importância histórica, a preparação e participação decisiva do Partido no II Congresso da Coordenadora Continental Bolivariana em Quito, no Equador, no final de fevereiro.


Deste modo, o ano de 2008, nos coloca novos desafios importantes e decisivos para nossa luta; se no ano de 2007 avançamos mais no sentido do comando sobre o movimento prático e na capacidade da luta na batalhas das idéias, agora no ano que se inicia nossa tarefa é avançar na formação dos quadros, na infra-estrutura de comunicação e solidariedade e luta internacional. Camaradas, nada deve nos deter em nossa iniciativa histórica, mas é sempre importante não retirarmos os pés do chão, pois as batalhas são vencidas por aqueles que estão mais preparados para elas, seja com a força da luta justa, seja pela destreza em suas manobras táticas e combates. Nossa luta é justa, mas é preciso aperfeiçoar mais os combatentes e as técnicas de combate. E somente assim podemos afirmar com convicção: Até a Vitória Final! Venceremos!


Viva a militância Revolucionária do PCML!

Viva a Revolução Comunista Brasileira e Mundial

Viva a Coordenadora Continental Bolivariana!

Viva 110 anos de Luis Carlos Prestes!


Não esquecemos nossos mortos e prisioneiros políticos, Lutaremos!


P.I.Bvilla P/OC do PCML

Rio de Janeiro, 26 de dezembro de 2007