Padre Júlio Lancelotti: de vítima a réu

Mais uma vez a imprensa corrupta, aproveitando-se de acusações não comprovadas, volta-se contra um defensor dos direitos humanos.Desta vez o alvo é o padre Júlio Lancellotti, transformado de vítima em réu por ter denunciado que o ex-interno da Febem, Anderson Batista, sua mulher, Conceição Eletério e pelos irmãos Everson e Evandro Guimarães o estão extorquindo há 3 anos.

Padre Júlio Lancelotti: de vítima a réu



Mais uma vez a imprensa corrupta, aproveitando-se de acusações não comprovadas, volta-se contra um defensor dos direitos humanos.Desta vez o alvo é o padre Júlio Lancellotti, transformado de vítima em réu por ter denunciado que o ex-interno da Febem, Anderson Batista, sua mulher, Conceição Eletério e pelos irmãos Everson e Evandro Guimarães o estão extorquindo há 3 anos.

Depois de preso, Anderson Batista afirmou que mantinha relações sexuais com Júlio Lancellotti, que foi quem sempre procurou ver a humanidade das pessoas e das coisas e o ajudou a conseguir emprego e moradia.

Outro envolvido no caso de extorsão do padre também afirmou que mantinha relações com ele em troca de dinheiro. O mais estranho nas acusações de Marcos José de Lima é que ao ser preso em flagrante, no dia 19 de abril, com 49 pedras de crack, não mencionou o nome do padre. Somente em 03 de setembro é que resolve acusar o mesmo. Acusações que foram negadas, inclusive, pelos investigadores que o prenderam e consideradas irrelevantes pela promotora Paula Lamenza. Em 27 de setembro, ele foi condenado a 1 ano e 8 meses de prisão pela juíza da 21ª Vara, Maria Isabel Dias.

As notícias sobre as acusações têm sido apresentadas com grande destaque pelos veículos de divulgação dos oligopólios das comunicações.Os jornais da imprensa corrupta muito pouco ou nada dizem sobre sua atuação.

Júlio Lancellotti sempre ajudou moradores de rua, menores infratores e abandonados. É grande referência na defesa dos pobres, dos excluídos por este sistema de injustiças do Brasil. Foi contemplado com a Medalha Chico Mendes, concedida pelo Grupo Tortura Nunca Mais/RJ todos os anos a todas às pessoas que se destacam na defesa dos direitos humanos aqui e no exterior.

Em conseqüências de suas denúncias, inclusive, contra o poder público por abusos (repressão), e, omissões, passou a ter vários inimigos.

Após as denúncias, A Arquidiocese de SP e a direção da CNBB manifestaram sua solidariedade.

O bispo de Jales (Estado de SP), dom Demétrio Valentino, também, manifestou sua preocupação. Ele considera que a imersão do processo deve-se ao fato de, há mais de trinta anos, Júlio Lancellotti se dedicar inteiramente à defesa dos direitos humanos.

Ao que tudo indica, o padre é outra vítima de uma campanha difamatória contra os defensores dos direitos humanos e para a criminalização dos movimentos sociais.

Por esse motivo, o Jornal Inverta foi ao encontro de defensores dos direitos humanos na cidade de SP para se pronunciarem sobre as estas acusações.

Ariel de Castro Alves, advogado, coordenador do Movimento Nacional dos Direitos Humanos, que reúne várias outras entidades de direitos humanos e secretário-geral do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana no Estado de SP.

- “Nós entendemos que as acusações contra o padre são totalmente absurdas e improcedentes. Acima de tudo, ele é um símbolo da luta pelos direitos humanos, principalmente entre os setores mais progressistas da própria Igreja, exatamente, porque trabalha com moradores de rua, com adolescentes infratores, com presidiários, com crianças com HIV, ou seja, os setores mais fracos, mais vulneráveis. E Júlio Lancellotti, nos últimos anos, devido sua autenticidade, tem criado vários desafetos e, certamente, boa parte das críticas que recebe, até as acusações que nós entendemos não serem verdadeiras são reações desses desafetos do padre, que hoje vive um momento de execração pública, que atinge a sua moral, honra e a todos nós. Por isso, as entidades já manifestaram total apoio, não só as católicas, mas também as da sociedade civil, porque entendem que ele é extremamente importante para a nossa luta. E, nos últimos dias, a verdade tem aparecido e muitas daquelas acusações lançadas contra ele estão sendo totalmente esclarecidas e esperamos que a Justiça e o advogado do padre possam mostrar para a sociedade que ele é realmente vítima e não réu.”

Lúcio França, advogado, diretor do Grupo Tortura Nunca Mais/SP, organização que trata das questões dos presos políticos, mortos e desaparecidos durante a ditadura militar e diretor do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana no Estado de SP.

“Nós vemos com bastante tristeza essa campanha de difamação de Júlio Lancellotti porque entendemos que, até agora as provas apresentadas estão sendo desditas. O que percebemos nessas denúncias infundadas de alguns veículos de divulgação é que existe uma questão religiosa envolvida. Entendemos que a história do padre está acima das acusações. Não existem provas sobre as mesmas e, por isso, acreditamos nele. Temos que nos mobilizar porque entendemos que existe uma campanha para desqualificar, desmoralizar os defensores de direitos humanos e criminalizá-los. Temos que reagir contra isso, vários atos já estão programados. Fizemos uma reunião para tomar posição em defesa dele, lançamos um manifesto e o entregamos na Casa Vida. Acreditamos na sua inocência e que a verdade será apurada pelas autoridades.

Rose Nogueira, jornalista, é presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana no Estado de SP."

“Nós, defensores dos direitos humanos, queremos ressaltar a defesa da história do padre no que se refere há mais ou menos trinta anos. Quando apareceu a AIDS no Brasil, as mães contaminadas morriam no parto, e ninguém sabia o que era, ninguém queria chegar perto, todo mundo chamava de peste, e ele teve coragem de pegar essas crianças, abandonadas pela família e por todos e montou a Casa Vida e, graças a ele, elas sobreviveram. A ciência percebeu que nas crianças a doença pode retroceder. Hoje, muitas delas são adultos. Nós somos gratos a ele e, também, por sempre defender os moradores de rua. Com relação ao processo, não podemos nos pronunciar porque está em segredo de Justiça. Mas o que percebemos é que por trás disso está a criminalização dos movimentos sociais. Queremos também ressaltar que foi o padre que foi à Polícia denunciar a chantagem, a extorsão e, de repente, passa de vítima a réu.

José Augusto de Oliveira Camargo (Guto), presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de SP.

"A situação que vivemos nos últimos anos, setores conservadores tentando imputar ações, crimes, contra diversas entidades e pessoas do movimento social, que têm se destacado na luta pela defesa dos direitos humanos, na luta contra as arbitrariedades. Isso está se tornando um movimento organizado. Não são mais atitudes individuais, isoladas. São forças anti-democráticas que estão se articulando e se transformando num movimento dirigido por várias frentes, porque na verdade não está se discutindo a culpa ou não do padre e tantos outros. Estão atacando o que representa esta luta pelos direitos humanos, a luta pela liberdade de expressão, a luta contra o monopólio das comunicações. Isso não é bom para a democracia."




Délson Plácido