A corrida armamentista na América Latina

A corrida armamentista que vem sendo desenvolvida neste hemisférico sul da América, tem trazido algumas preocupações para esse continente, pois há anos que os povos latinos não se envolvem em conflitos entre sí.

A corrida armamentista na América Latina




A corrida armamentista que vem sendo desenvolvida neste hemisférico sul da América, tem trazido algumas preocupações para esse continente, pois há anos que os povos latinos não se envolvem em conflitos entre si, o último ocorreu na segunda metade do século XIX, quando Brasil, Argentina e Uruguai uniram-se e criaram uma tríplice aliança para lutar contra o Paraguai, que surgia com uma forte política de nacionalismo na América e desenvolvia uma economia industrial própria e independente dos países imperialistas - na época o que se apresentava como poderoso era a Inglaterra. Esse país da América Latina começava a atrapalhar o crescimento econômico do imperialista, e apresentava uma nova alternativa política e comercial para os países vizinhos.


Hoje o cenário é outro e o incomodado também, tão poderoso quanto a Inglaterra do século XIX, são os EUA. E quem incomoda é a Venezuela, o quarto maior exportador de petróleo do mundo, um país que se localiza ao norte América do Sul, limitado ao norte pelo Mar do Caribe, a leste pelo Oceano Atlântico e pela Guiana, ao sul pelo Brasil e ao oeste pela Colômbia. Em 05 de Dezembro de 2005 deixou de ser membro do pacto político dos povos Andino e protocolou seu pedido de adesão ao mercosul, este país possui uma população de aproximadamente 27.483.200 habitantes.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, representa uma política contrária aos interesses imperialistas. A guerra hoje desenvolvida no Iraque forçou todos os países a se reorganizarem militarmente. A América Latina é um continente que possui grande quantidade de recursos minerais favoráveis aos grandes grupos empresariais que desejam lucrar com a exploração dessa matéria-prima. Sendo assim, dessa forma os países latinos se preparam para uma possível invasão dos países imperialistas. A Venezuela foi a primeira a investir pesado em uma grande quantidade de armamentos, armas estas compradas da Rússia e da China, pois teme uma invasão Norte-americana, já que o seu país possui uma grande quantidade de petróleo, outros países também desse continente passaram a recuperar seu poder bélico, como a Colômbia, que investiu bilhões de dólares em suas forças armadas, parte desse investimento seria para combater as FARC-EP, que luta pela libertação do país, contra as oligarquias que exploram o povo colombiano. O Chile e o Peru investiram também em suas forças armadas, comprando armas dos EUA há algum tempo atrás. Esse equilíbrio de força também chegou ao Brasil depois de anos sem receber incentivo na compra de armamento, o orçamento da forças armadas dobrou para o ano de 2008, chegando a quase 7 bilhões de dólares, cifra esta que pode revigorar a força militar brasileira, que chegou a ser sucateada pelo então ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, pois a avaliação era que o imenso território brasileiro, demonstrava força suficiente sobre os demais vizinhos.

O investimento anunciado pelo atual presidente brasileiro, sinaliza um possível equilíbrio de forças na América Latina, ou para apenas defender seu território? Podemos também perguntar qual o verdadeiro jogo político que estão querendo manipular, estariam então preparando-se para defender os interesses dos países imperialistas ou um protecionismo comercial, pois entra em jogo o interesse econômico. Devemos lembrar que em 1991 foi criada uma política econômica para os países da América Latina, conhecida como Mercosul (Mercado Comum do Sul), iniciada pelo Brasil e a Argentina nos anos 80, logo então ganhou confiabilidade de outros países que uniram-se a esse bloco econômico. A união latina passava a ser globalizada por Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Colômbia e Peru, ganhando mais tarde a adesão da Venezuela. O crescimento econômico desse bloco latino-americano fez com que os EUA criassem um outro bloco conhecido como ALCA (Área de Livre Comércio para as Américas), plano econômico este que iria aumentar a política do neoliberalismo em toda a América. A segunda opção do país imperialista é causar um racha nesse bloco comercial latino, que começa a interferir no crescimento econômico dos EUA. Depois de vender as armas aos povos da AL a idéia é causar um intriga entre esses países e gerar uma guerra desestabilizando a política econômica do bloco mercosul, depois eliminar os hermanos, como acontece hoje no Iraque. Uma guerra na América Latina é favorável aos países imperialistas, pois serão os primeiros a fazerem empréstimos aos países que desejam aumentar sua influência no continente, depois de acabar a guerra, os juros se elevam, os países endividados não cumpririam os compromissos dos pagamentos da dívida contraída. Entra então a terceira parte do plano, logo, seria fácil ingressar nos territórios destruídos material e economicamente e impor suas regras.

No Brasil seria mais desastroso ainda, tendo em vista que o país possui uma extensão territorial de 8.514.876,599 km², é rico em recursos naturais e possui um lençol freático conhecido cientificamente como Aqüífero Guarani, cobre toda região do prata. O Aqüífero Guarani é o maior manancial de água doce subterrânea trans-fronteiriço do mundo. Está localizado na região centro-leste da América do Sul, entre 12º e 35º de latitude sul e entre 47º e 65º de longitude oeste e ocupa uma área de 1,2 milhões de Km², estendendo-se pelo Brasil (840.000l Km²), Paraguai (58.500 Km²), Uruguai (58.500 Km²) e Argentina (255.000 Km²).

Esse é um dos recursos naturais que mais interessa aos países imperialistas, pois a água está em escassez no mundo. Este manancial coloca o Brasil como um futuro exportador desse produto, que vem sendo cobiçado pelas grandes empresas vendedoras desse mineral e que não possuem mais esses recursos hídricos, além disso, põem em risco a nossa mata atlântica, em especial a Amazônia, pois é o desejo de todos os países imperialistas tomar do Brasil esse imenso tapete verde e dali extrair todas as ervas medicinais, alimentando as empresas farmacêuticas e químicas, gerando lucros às grandes empresas do ramo medicinal. Porém essa corrida para a extração máxima de recursos naturais coloca a biodiversidade em sério risco e com ela o homem, podendo ocorrer em um futuro próximo o que ocorreu no passado, uma destruição em massa que eliminou os dinossauros e muitos outros animais que hoje são vistos nos museus, esse é um tema que deve ser refletido pela humanidade.


Josiel Moraes