O “Renan” do governador José Serra

A oposição denuncia a ascensão econômica e política do parlamentar governista. Joga infinitas acusações e provas no “Conselho de Ética” do parlamento, ameaça instaurar CPIs (Comissão Parlamentar de Inquéritos) para investigá-lo e, de quebra, o governo. Com isso, esconde seu rabo para passar de portadores da moralidade pública e verdadeiros representantes do povo saqueado, explorado e oprimido.

O “Renan” do governador José Serra


A oposição denuncia a ascensão econômica e política do parlamentar governista. Joga infinitas acusações e provas no “Conselho de Ética” do parlamento, ameaça instaurar CPIs (Comissão Parlamentar de Inquéritos) para investigá-lo e, de quebra, o governo. Com isso, esconde seu rabo para passar de portadores da moralidade pública e verdadeiros representantes do povo saqueado, explorado e oprimido. Passam-se meses e o processo vai rolando, enrolando e nada. O parlamentar nega tudo, o governo desconversa, a empreiteira continua fraudando as “licitações” e superfaturando os contratos e o povo trabalhador com a corda no pescoço vendo tudo acabar “em pizza”.

Estamos falando do presidente do Senado Renan Calheiros? Não. Estamos falando do líder da bancada do governo em São Paulo, o deputado Mauro Bragato, o “Renan” do governador José Serra. A história se repete, não mais como tragédia, mas como farsa da democracia representativa burguesa. O roubo das verbas públicas acumuladas na máquina estatal através de pesados impostos sobre a massa trabalhadora e a impunidade e liberdade dos ladrões que comentem este tipo de crime - a regra do sistema.

Bragato é deputado estadual e líder do partido da bancada governista (PSDB) na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp). Fez carreira política a serviço dos interesses do capital das “construtoras” de casas populares. A cada casa levantada sob o comando da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU, órgão do governo do estado), o valor equivalente era roubado pelo esquema de corrupção das oligarquias paulistas. Para cada casa disputada por milhões de proletários sem-teto, uma deixa de ser construída para reproduzir o sistema de domínio e roubo do capital e enriquecimento privado de seus elementos. A ligação do “Renan” de José Serra com a política habitacional do estado o levou à secretaria de Habitação do governo do PSDB de Geraldo Alckmin, no período de maio de 2004 à janeiro de 2005. Seu patrimônio decolou em escala geométrica num curto espaço de tempo, desafiando a teoria da relatividade de Einstein.

Apesar de tão comum Brasil afora, Bragato só foi flagrado no esquema por assim dizer, ao acaso. O Ministério Público montou uma operação, a Operação Pomar, para investigar o esquema de fraudes em licitações e superfaturamento nas obras de casas populares na região de Presidente Prudente, interior de São Paulo, a partir de denúncias apresentadas pelo Tribunal de Contas do Estado. O chefe da quadrilha era o empresário Francisco Emílio de Oliveira, apelidado não por acaso de Chiquinho da CDHU. O empresário, dono da FT Construções, comandava todos os processos de licitações públicas do governo tucano (PSDB) e aliados (PFL e PPS principalmente), preços das obras e qualidade dos serviços na região havia pelos menos sete anos, segundo informação da procuradoria. O rombo causado pela máfia do Chiquinho da CDHU está estimado em 40 milhões de reais. No livro-caixa da empreiteira apreendido pela operação, o nome de Bragato aparece em pelo menos 30 ocasiões, todas associadas a doações que vão de 1.500 à 4.000 reais. Além do “Renan” de José Serra, aparecem outros deputados, funcionários, vereadores e prefeitos ligados a base governista paulista.

A FT de Chiquinho da CDHU, assim como a Gautama de Zuleido Veras, é peixe pequeno. Pelas contas do Ministério Público, nos últimos 10 anos do governo neoliberal do PSDB (Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra) foram roubados mais de 2 bilhões de reais (1,1 bi sem correção) por conta das fraudes e superfaturamento nas construções de casas populares, isto é, o equivalente à pelo menos 100.000 mil casas foram expropriados da população trabalhadora. São 102 processos sobre o roubo na CDHU rolando desde 1998.

O Tribunal Regional Eleitoral também está atrás do “Renan” de José Serra. Ele fez uma doação a sua própria campanha de um valor 6 vezes superior ao seu humilde patrimônio. Mas como Bragato está roubando e servindo à classe dominante, tem o direito de negar tudo e ser julgado pelo que diz e não pelo que fez. O Conselho de Ética da Alesp, conselho acima do bem e do mal, passou por cima de todas as denúncias e provas apresentadas e o absolveu. A CPI da CDHU está numa fila de outras 15 CPIs que não andam. A mesma imprensa burguesa que “cai de pau” contra qualquer manifestação por moradias dos sem-teto, contra as ocupações de prédios abandonados e contra os protestos pelas precárias condições e falta de pagamento das casas do CDHU, silenciou. São comprados pelas oficiais e “legais” propagandas caluniosas de construção de milhares e milhares de luxuosas casas popular do governo de Covas, Alckmin e, agora, José Serra. O círculo vicioso do roubo público é fechado para se reiniciar outro.

José Tafarel