MTST-SP demonstra grande força na luta por moradia

Trabalhadores Sem Teto da cidade de Itapecerica da Serra arrancam vitórias com resistência, ousadia e solidariedade.

MTST-SP demonstra grande força na luta por moradia


Trabalhadores Sem Teto da cidade de Itapecerica da Serra arrancam vitórias com resistência, ousadia e solidariedade.

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras estão travando uma luta surpreendente em Itapecerica da Serra, cidade da Região Metropolitana de São Paulo.

O início dessa batalha ocorreu com a ocupação de um terreno de 1,2 milhão de m² no dia 16 de março de 2007 por centenas de famílias organizadas pelo MTST - Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. Desde o primeiro dia de ocupação foram realizadas atividades de organização do acampamento, formação da “ciranda” (como uma creche para crianças a partir de 2 anos), diversas atividades culturais, formação política, organização dos setores de educação, saúde e diversas outras tarefas.

Além da organização interna, externamente estão demonstrando uma força incrível com mobilizações periódicas, forçando o governo federal, estadual e municipal a cederem às reivindicações desses trabalhadores. Logo nos primeiros dias, em assembléia geral, os acampados decidiram nomear o acampamento como “João Cândido”, em homenagem ao grande marinheiro que se revoltou contra a opressão e racismo na Marinha Brasileira.

A empresa proprietária do latifúndio ocupado, Itapecerica Golf Urbanização, imediatamente acionou o Poder Judiciário reivindicando a reintegração de posse. Em visita ao acampamento, o prefeito da cidade, José Jorge da Costa, do PSB, demonstrou inicialmente grande “vontade” em resolver a situação desses trabalhadores, porém, logo depois o movimento notou que não passou de retórica.

Uma grande mobilização aconteceu no dia 30 de março, quando cerca de 5.000 moradores da ocupação João Cândido marcharam 18 Km até o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo Paulista. A partir desse ato várias negociações foram firmadas com a Prefeitura, a Secretaria de Habitação do Estado de São Paulo e o Ministério da Habitação.

Nessa negociação conquistaram junto à Prefeitura o compromisso de providenciarem uma área provisória para as famílias permanecerem até que uma área definitiva fosse comprada pelo Ministério das Cidades ou pelo Governo do Estado, construindo aí as moradias para os trabalhadores da ocupação.

Feito formalmente os acordos, veio a luta para garantir que todos eles fossem cumpridos. Não faltou coragem e entusiasmo para a ocupação João Cândido. Houve marchas até a Prefeitura para garantir a área provisória com infra-estrutura básica. Mesmo com as manobras da Prefeitura, articulando com lideranças da Vila Calu, região onde está o terreno provisório, para inviabilizar a permanência das famílias nesta área, a organização em torno do acampamento João Cândido venceu todas as batalhas até agora.

Além das manifestações pela reivindicação por moradia, participaram também do 1º de Maio, na Praça da Sé, da Jornada de Lutas Contra as Reformas e da manifestação dos professores da rede estadual.

No dia 18 de maio foram despejados do local ocupado. Como já tinham a garantida da área provisória, seguiram para lá. O terreno é situado na Vila Calu, também em Itapecerica da Serra.

Na última batalha foi necessário o acorrentamento de pelo menos 7 integrantes do movimento em frente à igreja matriz de Itapecerica da Serra, para que o prefeito recuasse na sua tentativa do segundo despejo, agora da área provisória. Uma outra reivindicação é que a Prefeitura passasse o terreno já escolhido para o Governo do Estado iniciar a construção das casas. Precisaram passar duas semanas acorrentados no centro da cidade para vencer mais uma vez a luta pela moradia.

Através de decisão da Secretaria de Segurança Pública do Estado, foi anunciado no dia 28 de agosto que a ação de despejo será suspensa por pelo menos 15 dias. Com a notícia, os lutadores e lutadoras abandonaram o acorrentamento, reencontram a comunidade e se preparam para mais ações.

Acompanhe a cronologia das manifestações:

16 de março ocupação; 30 de março marcha até o Palácio dos Bandeirantes; 04 de abril ato político-cultural em frente à loja Daslu; 05 de abril marcha até Prefeitura de Itapecerica da Serra;17 de abril manifestação dos professores da rede estadual; 1º de maio - ato 1º de Maio na Praça da Sé; 02 de maio marcha até prefeitura de Itapecerica da Serra; 14 de Maio vigília em frente à Prefeitura; 15 de Maio vigília em frente Prefeitura; 18 de maio despejo; 26 de maio ato na câmara municipal; 28 de maio ato em frente à Prefeitura; 07 de agosto acampamento em frente à Prefeitura; 13 de agosto marcha até Palácio dos Bandeirantes; 15 de agosto acorrentamento em frente à igreja matriz de Itapecerica da Serra.

João Pereira - SP