SP: Universidades estaduais em greve

As universidades estaduais paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) estão em greve em defesa da educação pública, quando os decretos do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que entraram em vigor no dia 2 de janeiro de 2007, ameaçam a autonomia universitária, atrelando os interesses do ensino superior e das pesquisas realizadas dentro das universidades aos interesses de uma política neoliberal, que prioriza o setor privado e seu lucro à participação do estado e da sociedade, com suas necessidades, fazendo isso através de uma secretaria e seu representante do governo.

SP: Universidades estaduais em greve


As universidades estaduais paulistas (USP, UNESP e UNICAMP) estão em greve em defesa da educação pública, quando os decretos do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que entraram em vigor no dia 2 de janeiro de 2007, ameaçam a autonomia universitária, atrelando os interesses do ensino superior e das pesquisas realizadas dentro das universidades aos interesses de uma política neoliberal, que prioriza o setor privado e seu lucro à participação do estado e da sociedade, com suas necessidades, fazendo isso através de uma secretaria e seu representante do governo. Os decretos do governador transformam a secretaria de Turismo em uma Secretaria de Ensino Superior, e com discurso de dar mais transparência às universidades obrigam as decisões orçamentárias das universidades a passarem pela secretaria. Além de interferir em vários outros aspectos, como a contratação de professores e o direcionamento de pesquisas, bem como a quebra do tripé universitário – ensino, pesquisa e extensão.


Porém, toda mobilização e luta realizada até agora, com a ocupação da reitoria da USP, greve das três categorias (funcionários, professores e estudantes) das três universidades estaduais e manifestações fizeram o governo soltar um decreto declaratório, sob a alegação de evitar equívocos e erros de interpretação, já que o governo não tem coragem de rever seus próprios atos, que revê alguns dos pontos dos decretos anteriores. Esse decreto declaratório fala que a execução orçamentária das universidades públicas estaduais será realizada com autonomia universitária, retira para universidades públicas a mudança na contratação de pessoal administrativo, e coloca de volta o tripé universitário, mas mantém a criação de uma Secretaria de Ensino Superior.


Os estudantes decidiram por não tomar ainda uma decisão sobre este novo decreto, mas decidiram por manter o movimento e a ocupação da reitoria, tendo em vista que a luta é muito maior do que a decisão do governador por um decreto declaratório, mas é uma luta em defesa da educação pública de qualidade para todos. Por isso, incluem em sua pauta de reivindicações mais verbas para a educação pública (a ser votada na assembléia legislativa, na Lei de Diretriz Orçamentária), democracia dentro da própria universidade com a participação de estudantes, professores e funcionários nas decisões, melhores condições de assistência estudantil e de aulas, com a contratação de professores e reformas e construção de instalações, que atualmente estão muito precárias. Assim como reivindicam a transparência orçamentária da universidade, ao contrário do que a mídia burguesa coloca, que os estudantes querem uma universidade que não preste contas à sociedade.


Infelizmente, o acesso à universidade pública é muito limitado aqui no Brasil, desde o Ensino Fundamental ao Ensino Superior. No caso das universidades públicas, somente oito mil pessoas, das quase duzentas mil inscritas, entram na USP e têm chance de ter educação, que é um direito de todos. E não por acaso, pois o ensino público está inserido no processo de produção capitalista, na divisão do trabalho e na existência de trabalhadores que possam ser explorados pelo menor custo possível, bem como na necessidade de uma massa desempregada de trabalhadores disposta a trabalhar quase de graça por já não ter nem mais o que comer. Porém, não se resolve este problema com o sucateamento e privatização do ensino, com o descaso pela educação e criação de cargos com interesses políticos que decidirão o destino da educação pública. Mas ao contrário, garantindo assistência estudantil aos que precisam, dando base e norteando o ensino para que possa fazer com que a universidade se volte às necessidades sociais, que ela sirva à sociedade e forme pessoas conscientes que atuarão de forma crítica para resolver problemas, mudando o que precisa ser mudado. E não voltadas ao interesse de mercado, ao lucro de alguma empresa, à destruição do meio ambiente ou à exploração de mais pessoas.


As greves continuam, a ocupação da reitoria resiste, outras universidades estão dando seu apoio e entrando na luta, e todas essas medidas são atitudes que incomodam, que são um produto de uma necessidade anterior, que fez com que ações que chamassem a atenção do que está acontecendo fossem tomadas para alertar sobre decisões mais profundas, que definem o futuro da educação e da sociedade, decisões neoliberais que acirram as desigualdades e criam mais opressões nesse sistema de exploração. São medidas tomadas por quem não admite o sucateamento do ensino, da autonomia, do interesse privado sobre o interesse social, por quem toma atitude ao invés de sentar e assistir à destruição.


Sucursal-SP