Peru: Novo julgamento para Montesinos

No próximo dia 18 de maio, Vladimiro Montesinos, ex-assessor para Inteligência de Alberto Fujimori, será novamente julgado por homicídio. Em 16 de dezembro de 1996, 14 militantes do MRTA, comandados por Néstor Cerpa no Comando Edgar Sanchez, tomaram a residência do embaixador japonês em Lima quando este dava uma festa para centenas de convidados. O MRTA manteve o controle da residência por quase 4 meses, buscando trocar os convivas pela libertação de seus presos políticos, condenados por juízes incapazes de sentir no peito a justiça.

Peru: Novo julgamento para Montesinos



    No próximo dia 18 de maio, Vladimiro Montesinos, ex-assessor para Inteligência de Alberto Fujimori, será novamente julgado por homicídio. Em 16 de dezembro de 1996, 14 militantes do MRTA, comandados por Néstor Cerpa no Comando Edgar Sanchez, tomaram a residência do embaixador japonês em Lima quando este dava uma festa para centenas de convidados. O MRTA manteve o controle da residência por quase 4 meses, buscando trocar os convivas pela libertação de seus presos políticos, condenados por juízes incapazes de sentir no peito a justiça.

    Fujimori não quis ceder e, em 22 de abril de 1997, ordenou a invasão da residência e a execução dos militantes do MRTA, numa operação que chamou ironicamente de Chavín de Huantar (nome de um sítio arqueológico tido como berço da civilização americana; o povo chavín, de riquíssima cultura, foi um dos primeiros a desenvolver a metalurgia e traços de sua cultura podem ser vistos em todas as culturas subseqüentes, inclusive os incas).

    Na operação, o atual vice-presidente do Peru -que era um dos reféns- orientou através de microfones secretos a invasão por túneis, na casa. Morreram um refém e dois militares. Todos os militantes do MRTA morreram em combate ou foram executados.

    O ex-diplomata japonês Hidetaka Ogura afirma que viu pelo menos 3 dos militantes anunciados como “mortos em combate” serem rendidos com vida. O exame dos corpos de outros guerrilheiros mostra que pelo menos outros 3 foram rendidos e assassinados.

    Segundo o promotor peruano Omar Chehade, Fujimori, Montesinos e Roberto Huamán enviaram para a operação o grupo de extermínio "os nazis", integrado por efetivos da guarda pessoal de Montesinos, com o objetivo de assassinar os militantes do MRTA.

    Junto a Montesinos (20 anos), serão processados o general Nicolás Hermoza (18 anos) e o coronel Roberto Huamán (15 anos), ambos também já presos. O oficial-chefe do grupo de extermínio, o coronel Jesús Zamudio, está foragido.

    Nicolás e Montesinos foram presos pelo processo contra o grupo paramilitar Colina, similar aos nazis, condenado pela famosa chacina em Barrios Altos, pelo assassinato de 9 estudantes e 1 professor na Universidade La Cantuta e pelo assassinato do jornalista Yauri.

    Há 10 anos, a agente da inteligência que informou a imprensa sobre o Colina, Mariella Barreto, foi assassinada e esquartejada pelo Plano Tigre 96, que caçava aqueles que falavam sobre o grupo. O promotor que abriu hoje um processo por sua morte, Alex Dias, acusa o ex-assessor presidencial para Inteligência de Vladimiro Montesinos e o chefe do grupo paramilitar, Santiago Martin Rivas (com quem Barreto havia tido uma filha pouco antes de ser assassinada) como responsáveis.

    O mandante maior dos crimes, no entanto, não está sendo sequer acusado: Fujimori continua foragido no Chile. Recentemente, um ex-integrante do Colina declarou que Fujimori sabia das chacinas realizadas pelo grupo, pois estava sempre junto ao Serviço de Inteligência do Exército (SIE), que planejava as ações. Existiria, inclusive, um vídeo no qual o ex-ditador assume haver dirigido pessoalmente a tomada da casa do embaixador japonês em 1997, mas os militares se negam a apresentá-lo. A acusação não faz parte do pedido de extradição feito ao Chile.

    Víctor Polay, fundador do MRTA, por exemplo, está preso em condições inumanas desde 1992, acusado de terrorismo. Tortura, solitária e incomunicabilidade com a família fazem parte das condições de prisão. Ainda que uma resolução da ONU de 1994 determinasse que Polay deveria ser libertado por não ter tido um julgamento justo e ser preso político de uma ditadura, esse e outros camaradas seguiram trancados em masmorras inacessíveis como Callao.

    Durante o governo de Toledo, suas sentenças haviam sido anuladas por serem fruto de julgamento em um governo inconstitucional. Não houve, no entanto, nenhuma mudança substancial.

    Após serem julgados no último dia 23 de março, por uma corte “civil”, Polay e o sub-chefe do MRTA, Miguel Rincón, foram condenados a 32 anos de prisão. Lucero Cumpa a 28 anos, Péter Cárdenas a 25 anos e Alberto Gálvez a 23 anos de prisão.

    13 dirigentes do MRTA foram condenados a penas que flutuam entre 15 e 32 anos, acusados de assassinato, seqüestro e terrorismo. Quando surgiu, o MRTA repartia comida expropriada entre o povo peruano.

    A 10 anos do massacre dos companheiros do Comando Edgard Sánchez, o MRTA diz que segue vivo. Que o exemplo de seu comandante, Néstor Cerpa, os guia e fortalece. E seguem vivas, também, as bandeiras de luta e vitória do povo peruano, pois a única maneira de vencer é lutar.


Viva o Comando Edgar Sanchez!

Venceremos!


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