Advogado das famílias dos 5 Heróis Cubanos fala ao Inverta

O advogado das famílias dos 5 Heróis cubanos presos nos EUA, Roberto González Sehwrert, presente à XV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, realizada em Contagem (MG), de 5 a 7 de abril, falou ao Inverta com exclusividade sobre os cinco prisioneiros do império norte-americano.

Advogado das famílias dos 5 Heróis Cubanos fala ao Inverta

    O advogado das famílias dos 5 Heróis cubanos presos nos EUA, Roberto González Sehwrert, presente à XV Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, realizada em Contagem (MG), de 5 a 7 de abril, falou ao Inverta com exclusividade sobre os cinco prisioneiros do império norte-americano. A condenação dos cinco militantes anti-terrostistas cubanos é uma aberração jurídica do direito internacional, pois condena alguns dos acusados a duas prisões perpétuas, o que é um grande absurdo dos direitos humanos que são tão defendidos pela falsa democracia dos EUA. Não existe nenhuma prova concreta contra qualquer dos cubanos presos nos EUA desde 1998 e que estão sofrendo uma série de privações e maus tratos no cárcere, como o isolamento por longo tempo e a proibição de visitas dos familiares, o que é um desrespeito a todas as leis internacionais.


    IN - Como está o andamento do processo na justiça dos EUA do caso dos 5 heróis cubanos prisioneiros do império norte-americano?
   

    RG - Neste momento estamos esperando a decisão de três juizes que antes, em agosto de 2005, tinham decidido que o processo era nulo. O júri da corte de Atlanta solicitou do governo uma decisão que não era usual e que revogou a decisão do painel dos três juizes. Em junho de 2005 a corte decidiu que havia um ambiente hostil em Miami e que deveriam ser transferidos para outro lugar e anularam o processo. Depois de um pedido do governo, o corpo de juizes retomou o caso e tornaram inválida esta decisão e depois apelaram para que retomassem o julgamento. E agora com a argumentação do caso em agosto próximo irão se reunir para decidir sobre todo o caso, mas existe uma manobra do sistema judiciário para não resolver o problema, porque há 8 anos de protelações e ainda não sabemos do início do processo e não existe condições de saber, pois não nos deixam ir ao supremo enquanto não terminam com todos os procedimentos dos tribunais inferiores e por isso não podem dividir os processos e podem resolver três casos e não os cinco, uma parte apela e a outra também, mas sempre existe uma parte do caso que não é resolvida e a defesa não pode chegar ao tribunal superior. Por isso, nós dizemos que o sistema judiciário dos EUA está fazendo uso de manobras para aumentar o processo e não resolver o caso e que este não tenha decisão.


    IN - Como está a solidariedade do povo brasileiro na ajuda para a libertação dos 5 heróis?

    RG - Toda a solidariedade ajuda e nós temos uma posição muito clara de que apreciamos todo tipo de apoio em qualquer lugar e não somente no Brasil. Porque é uma grande forma de ajuda e são pessoas com muitos problemas, e humildes, nós cubanos somos pobres e se não fosse assim os cinco não estariam presos e não seria uma revolução que se nutre dos pobres cubanos e de todo o mundo. Nós valorizamos muito a solidariedade e sabemos dos exemplos de apoio em um país tão grande como o Brasil, que é um grande problema para muitas pessoas que têm que fazer um sacrifício econômico e da sua família. Nós valorizamos muito o que é feito, incluindo o Brasil, por exemplo. E se for possível fazer algo mais fazemos. Uma das coisas que queremos é que venham mais jovens e mais estudantes universitários para termos mais oportunidades de aproveitar a juventude para que esteja unida na campanha e que tragam os pais, os amigos, os irmãos para que tenham garra para pedir justiça na causa dos cinco heróis cubanos. Estamos muito agradecidos e nós não podemos nos cansar nesta batalha e por isso estamos lutando tanto, todo dia lutamos pela causa e sempre vai ser insuficiente, mas um dia os cinco irão voltar para casa. Não podemos desistir, sempre lutar, lutar, lutar até eles voltarem para casa e até esse dia teremos algo para fazer. E essa luta vai crescendo cada vez mais com a pressão.


    IN - A luta pela libertação dos cinco heróis está conseguindo romper com o bloqueio da grande imprensa capitalista?

    RG - Sem dúvida. Esta é uma coisa que temos que conseguir, o mundo capitalista, como os trabalhadores dos EUA e de outros cantos do mundo, não sabe que existem estes cinco camaradas presos por combater o terrorismo, se soubessem, a solidariedade seria muito maior e com melhores condições, mas este bloqueio é muito forte. Com a imprensa alternativa e com o trabalho, estamos a pouco de romper o silêncio, está sendo assim, a função da solidariedade é essa.


    IN - A luta pela libertação dos cinco faz parte da revolução continental e mostra que eles não estão sós. Como você vê o tema da revolução na América Latina?

    RG - As coisas mudaram muito para aqueles mais jovens, estão acontecendo mudanças na América Latina como na Venezuela e na Bolívia, isso vai dando mais esperanças, vai multiplicando, mais pessoas vão se incorporando ao processo. Eu não sei se poderia chamar de revolução, mas de uma mudança na América Latina, porque o conceito de revolução é de luta armada e nós estamos falando de outro termo, que seria a revolução sem as armas, que pode fazer estremecer as bases do sistema. Podemos chamar de revolução e acredito que este movimento tenha futuro, porque é inevitável. A queda do leste europeu fez com que as coisas ficassem mais difíceis e essas mudanças têm que estar nas mãos do povo, isso é um incentivo para a luta por dias melhores para a humanidade. Apesar do que diziam ser o fim do socialismo, nós, em Cuba, não caímos e nos mantivemos na década de 90 e agora estão surgindo na Bolívia e na Venezuela uma luta de resistência.


    IN - Qual a mensagem final que você gostaria de deixar para o povo brasileiro e para os leitores do Jornal Inverta?

    RG - Para os leitores do Jornal Inverta e para o seu veículo informativo gostaria de agradecer por dar notícias e promover o tema dos cinco. E ao povo brasileiro gostaria de agradecer a solidariedade que tem manifestado e o carinho que tem por Cuba de um modo geral e que os cinco são parte de nosso país. Agradeço ao povo brasileiro, fico feliz com esta amizade e que o Brasil também consiga mudar a sua sociedade e que nós tenhamos êxito nesta campanha. Muito obrigado.


JCFL