ABL homenageia centenário de Oscar Niemeyer

A Academia Brasileira de Letras em sessão solene no dia 8 de março de 2007 fez uma justa homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer pelos seus 100 anos de vida. Estavam presentes a maioria dos acadêmicos e muitas personalidades como o cartunista Ziraldo, a atriz Tônia Carrero e grande parte dos familiares do arquiteto.

ABL homenageia centenário de Oscar Niemeyer


    A Academia Brasileira de Letras em sessão solene no dia 8 de março de 2007 fez uma justa homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer pelos seus 100 anos de vida. Estavam presentes a maioria dos acadêmicos e muitas personalidades como o cartunista Ziraldo, a atriz Tônia Carrero e grande parte dos familiares do arquiteto.

    Oscar Niemeyer recebeu uma comenda da ABL das mãos do presidente da Academia, Marcos Villaça, pelos seus serviços prestados à revolução arquitetônica mundial, principalmente pela sua obra maior, que foi o planejamento de Brasília, que hoje é Patrimônio da Humanidade, distinção conferida pela Unesco, e que se tornou um símbolo de um Brasil que tentou se modernizar na segunda metade do Século XX.

O escritor Marcos Villaça fez referência à predileção de Oscar Niemeyer sobre as curvas nos seus desenhos e projetos arquitetônicos e citou que essa preferência seria uma homenagem às mulheres. Entretanto, o pensamento político e ideológico de Oscar Niemeyer é retilíneo defendendo radicalmente o socialismo, inclusive através da revolução social.

O Acadêmico Cícero Sandroni foi o orador escolhido para dar as boas vindas a Oscar Niemeyer durante a homenagem. E disse: “há uma década perdemos uma das personalidades mais importantes da cultura brasileira, que foi Darcy Ribeiro, e que tanta falta nos faz atualmente no Brasil, com sua sensibilidade para contar a miscigenação do povo brasileiro. Se hoje estivesse vivo, Darcy Ribeiro, seria ele com certeza o escolhido para fazer esta homenagem a Oscar Niemeyer, pois além de amigo era um admirador das obras arquitetônicas, que tentaram mudar o mundo através dos seus desenhos e projetos e que nunca usou o seu prestígio em favor pessoal, mas sim na busca de um sentimento coletivo pelo bem da humanidade, abraçando a causa socialista e a Revolução”.

Oscar Niemeyer, apesar de não ter discursado no encerramento da cerimônia, pediu a um amigo que fizesse a leitura dos seus textos. Os personagens do romance de sua autoria tratam do processo revolucionário latino-americano e ganham notoriedade no seu pronunciamento em que a luta contra o imperialismo dos EUA e a sua dominação sobre o povo da América Latina são grandes preocupações do arquiteto.


Perseguido pela ditadura militar, Oscar Niemeyer se exila na Europa e, apesar disso, continua a ajudar os seus camaradas e amigos que estavam sendo perseguidos por serem comunistas como ele. No continente europeu Niemeyer nunca deixou de trabalhar e projetou a sede do Partido Comunista Francês e vários outros monumentos de conteúdo estético e político para mostrar a sua indignação contra o sistema capitalista. Os seus traços sempre mostraram um homem ligado às liberdades com um preenchimento dos espaços arquitetônicos, com o uso do movimento artístico que levam a uma visão aerodinâmica. No encerramento, Oscar Niemeyer apenas se pronunciou para repudiar a presença do presidente dos EUA, George W. Bush, no Brasil.



JCFL