Privatização e Neoliberalismo

Um dos projetos mais eficazes do sistema econômico do imperialismo (Neoliberalismo), a privatização, foi concebida para resolver o problema da contradição entre produção social e demanda efetiva, onde há um conflito direto entre capital público x capital privado.

Um dos projetos mais eficazes do sistema econômico do imperialismo (Neoliberalismo) - do ponto de vista histórico e da classe dominante, e também um dos mais nocivos aos anseios da classe trabalhadora - a privatização, foi concebida para resolver o problema da contradição entre produção social e demanda efetiva, onde há um conflito direto entre capital público x capital privado. O capital público faz com que haja uma redução bastante significativa na lucratividade do capital privado, isso devido aos serviços “bons e baratos”, que teoricamente teriam que ser prestados pelo estado, que pode manter essa política seguramente, pois através da arrecadação de impostos é possível manter um equilíbrio nas receitas aplicadas no setor de serviços e o que foi arrecadado ao longo da administração vigente.Um exemplo notável seria o da demanda efetiva de transporte de massas na cidade do Rio de Janeiro, em especial o trem, que outrora, quando era administrado ainda pela CBTU - Companhia Brasileira de Trens Urbanos - que por sua vez é uma empresa do governo federal, vinculada ao Ministério das Cidades, tinha uma tarifa acessível aos trabalhadores das periferias e, principalmente da baixada fluminense, tarifa que em alguns períodos chegava a ser até 60% mais barata do que a de outros meios de transporte.
John M. Keynes, um dos fiéis alunos da escola de Chicago, faz um revisionismo sobre as teorias marxistas e tira o conflito de classe e todo o conteúdo revolucionário para dar vazão a elaboração de uma teoria defensiva voltada para a superação das crises cíclicas do capital, crises apontadas por Marx em sua obra prima, O Capital. Keynes cria o Estado de Bem Estar Social, fazendo valer a máxima de “entregar os anéis para não perder o dedo” para conter a rebelião social que certamente ocorreria quando os trabalhadores adquirissem por conta própria ou instruídos por pessoas capazes de despertar essa contradição na cabeça de cada um deles, uma tal consciência dos problemas enfrentados por eles no atual sistema político e econômico em que eles vivem.
Uma das formas defensivas dentro do neoliberalismo para enfrentar a concorrência com o capital público é torná-lo privado também, assim, há uma centralização de poder administrativo e econômico, privatizam tudo. Forma-se um paraíso onde as oligarquias reinam e desfrutam do doce prazer da luxúria e esquecem que a qualquer momento pode aparecer uma rebelião das forças produtivas, pois a situação revolucionária está aí, posta em praça pública, as condições objetivas apodrecem de tão velhas, porém as condições subjetivas ainda faltam amadurecer, e como dizia Lênin: “nem toda situação revolucionária tende à revolução”.
Um dos poemas de Bertolt Brecht resume o caráter escatológico do neoliberalismo:

Privatizado

"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e sua hora de pensar.

É da empresa privada seu passo em frente,

seu pão e seu salário. E agora não contente querem

privatizar o conhecimento, a sabedoria,

o pensamento, que só à humanidade pertence”.

 


Elton John Santiago