Carta de fim de ano do Padre Olivério 

A quem com sua solidariedade participa da luta pela paz e justiça dos povos:

 

Receba minha saudação de natal e de ano novo num abraço fraterno de paz e afeto, unido ao reconhecimento sincero, por seu apoio à luta do povo colombiano.

Nos alegra saber que no Brasil e em muitos outros países, surgem em mais e mais pessoas a solidariedade como uma flor no chegar da primavera.

Alguém definiu como: “a ternura dos povos”. São mais de 7.000 presos políticos; há dezenas de dirigentes ameaçados de morte; mais três milhões de banidos pelo exército e os paramilitares para roubá-los suas terras e, ao mesmo tempo desestruturar o tecido social do povo em luta por justiça e paz.

O governo tem seqüestrado guerrilheiros em outros países, violando normas e acordos internacionais.

Na mais flagrante e descarada violação da soberania da Colômbia, extraditaram a Comandante Sônia, o Comandante Simón Trinidad e mais de 290 compatriotas, aos Estados Unidos.

O governo se opõe ao Intercâmbio Humanitário de prisioneiros que deixa numa guerra na qual uma das partes, a Insurgência, hoje o povo em armas, sempre propôs à outra, composta pelo imperialismo norte-americano e a classe dominante, o uso da razão para buscar a solução política do conflito em uma mesa de diálogos, realidade que não teria necessidade da força das armas, da república, que jamais deveriam ser disparadas contra os cidadãos.

Lamentavelmente a resposta que tem recebido os esforços pela paz feitos nos diálogos tem sido a guerra, convertida há muitos anos em forma de governar a Colômbia.

Quem, desde o governo, dão as vozes de comando, cometem crime de lesa humanidade.

“Que desapareçam para sempre do solo colombiano os monstros que o infestam e encobre de sangue: que seu castigo seja igual à enormidade da sua traição”; sentencia Bolívar.

A todas as pessoas solidárias lhes manifestamos que seu apoio eficaz fortalece nossa opção política, nossas convicções e princípios.

Assim, não há lugar para a inércia nem o desânimo. Bolívar nos disse: “corramos a romper as cadeias daquelas vítimas que gemem, não burleis sua confiança; não sejais insensíveis aos lamentos dos vossos irmãos.

Vão velozes a vingar a morte, dar vida ao moribundo, soltar o oprimido e libertar todos”.

Obrigado por sua solidariedade, senadoras, senadores, deputadas e deputados; ministras e ministros, vereadores, assessoras e assessores, assim como servidores públicos em geral; personalidades da vida política, da ciência e da cultura; jornalistas e internautas, centrais sindicais, organizações de direitos humanos, jovens, estudantes, ambientalistas, indígenas e organizações não-governamentais; Comitê Internacional da Cruz Vermelha, representações da ONU, partidos e movimentos sociais do campo e da cidade, membros de várias igrejas; familiares e amigos em geral.

Muito obrigado aos advogados Paulo Machado, Pietro Lora e Antônio do Carmo.

Os argumentos que contém a defesa jurídica e as demais atividades realizadas por vocês, estão criando as condições que brilharão a justiça brasileira, uma vez mais ao provar minha inocência.

Finalmente, a todas e todos, que em 2006 a vida nos dê saúde para continuar com entusiasmo, lutando pelas transformações políticas, sociais e econômicas de nossos povos, levando cada um o seu grão de areia.

Forte abraço bolivariano,Olivério Medina

Complexo Penitenciário da Papuda, Distrito Federal, Brasília – Brasil. Dezembro - 2005