O declínio republicano e o preço da guerra

 

O governo Bush e o Partido Republicano atravessam um período de queda. O mais recente episódio foi a demissão do todo-poderoso Tom DeLay da liderança do partido na Câmara dos Representantes do Congresso dos Estados Unidos. DeLay se afastou das funções de líder por ter sido indiciado no crime de conspiração contra as leis eleitorais do estado do Texas; são também acusados mais dois republicanos: John Coyandro e Jim Ellis. Os três montaram um esquema que permitiu que doações de corporações, fossem canalizadas para a campanha eleitoral dos republicanos em 2002, em flagrante desrespeito às leis locais,  que proíbem  a utilização de dinheiro de empresas em campanhas eleitorais.

DeLay faz parte do núcleo arqui-reacionário que acompanha George W. Bush, desde o primeiro mandato, amigo dileto do governo neonazista de Israel e feroz defensor do bloqueio a Cuba. As investigações ameaçam atingir outros membros do núcleo, como o substituto de DeLay, o deputado Roy Blunt, acusado de pagar por “consultoria e levantamento de fundos”, feitos por uma empresa de Jim Ellis. Essas investigações são uma pequena ponta do sinuoso esquema de fraude, que permitiu a eleição são só desses deputados, mas os dois últimos mandatos presidenciais. Lembremos, que no primeiro mandato, Bush foi nomeado presidente com 500 mil votos a menos que Al Gore. E, acrescente-se ainda a exclusão, pelo então governador da Flórida, irmão do presidente, de milhares de eleitores democratas.

No plano interno, Bush vive o problema da reconstrução na Costa do Golfo, atingida pelo furacão Katrina e o desgaste da incapacidade de oferecer segurança à população atingida, notadamente a mais pobre. A catástrofe deixou visível a miséria nos Estados Unidos, onde 12,7% da população vivem abaixo do índice de pobreza, o que significa sobreviver com menos de um dólar por dia.

A continuidade da resistência iraquiana tem trazido baixas na frente de batalha e queda da aprovação da sociedade americana: hoje 63% dos americanos apóiam o regresso das tropas e 59% consideram que a guerra foi um erro, por sua vez,   a taxa de aprovação do governo está abaixo de 40%. Refletindo essa insatisfação, no dia 24 de setembro, dia mundial de mobilização contra a guerra e pelo regresso das tropas americanas e britânicas, cerca de 200 mil pessoas se reuniram em Washington. À frente dos manifestantes estava Cindy Sheehan, mãe de um soldado morto e conhecida por acampar junto ao rancho de George W. Bush, para expressar seu protesto pelas mortes de americanos no conflito. Hoje, já morreram mais de 1900 soldados americanos na guerra contra o Iraque, e o sucesso da mobilização do dia 24 nos Estados Unidos reflete um sinal de divisão: como uma nação pode vencer uma guerra sem unidade interna?

Crises econômicas podem ser direcionadas para outras regiões e nisso os Estados Unidos têm se empenhado muito bem. No entanto, há sinais de problemas internos que podem estar inaugurando, uma nova fase de dificuldades para a principal potência imperialista. As denúncias contra altos dirigentes do Partido Republicano, são manifestações dessa cisão, que a sociedade americana começa a revelar.O apelo à unidade durante as eleições presidenciais funcionou, mas agora há gente nas ruas gritando, como Cindy Sheehan, “quantos jovens vocês ainda estão querendo sacrificar?” Além de baixas no Iraque, baixas na própria equipe presidencial. Os problemas do segundo mandato de Bush começaram cedo, certamente um preço pela chantagem representada pela intervenção no Iraque: quantas mentiras ainda teremos que ouvir para justificar o genocídio do povo iraquiano?

Antonio Cícero Cassiano Sousa