A taxa de juros e a inflação no Brasil

 

Uma pesquisa semanal do mercado financeiro feita pelo Banco Central mostra que a expectativa de inflação para 2005 é de 6,15%, e a meta inflacionária do governo é de 5,1% no mesmo período. Esses números mostram que com a Taxa Selic em 19,5%, que é o maior patamar do mundo descontada a inflação, a tentativa do governo com a política monetária é conter o processo inflacionário com o arrocho do crédito no mercado interno. O grande achado do crescimento econômico em 2004 e 2005 foram as exportações, principalmente de produtos agrícolas, através do agronegócio que tem um percentual de quase 30% no PIB brasileiro. O tempo necessário para que uma medida como a alta das taxas de juros se faça sentir é de seis meses e por isso somente agora está havendo uma desaceleração da produção interna no Brasil. A conjuntura internacional tem se mostrado favorável aos países emergentes, principalmente ao Brasil, devido à expansão do comércio mundial, e com isso a balança comercial tem tido superávits recordes a cada ano.

As vitórias da diplomacia brasileira na OMC contra as sobretaxas e barreiras alfandegárias dos países desenvolvidos, como por exemplo, dos produtos como o açúcar e o algodão, favoreceram a entrada divisas no Brasil, embora estas entradas de recursos fiquem nas mãos de uma elite agrária. A superprodução do setor rural brasileiro é um dos pontos cruciais da chamada âncora verde que mantém a alimentação barata no mercado interno para a maioria da população, muito embora a maior parte da produção agrícola seja carregada nas costas pelos pequenos proprietários rurais e pela agricultura familiar e não pelos grandes latifundiários da chamada monocultura que atrelam seus lucros aos preços das commodities internacionais.

As altas seguidas das taxas de juros tem vários objetivos entre eles: atrair capital volátil e de curto prazo para o mercado financeiro brasileiro com a finalidade de aumentar a circulação financeira em nosso mercado interno como as Bolsas de Valores. O outro objetivo é frear a especulação com o dólar para que este fique em um patamar seguro e não afete a inflação no mercado interno, o que combate a alta dos preços através da lei da oferta e da procura. A maior parte dos preços que estão subindo no mercado interno são aqueles controlados pelo governo, como as tarifas de transporte, do telefone, da água, mas os condutores da política monetária seguem com a teimosia, ou talvez má fé, de aumentar os lucros dos bancos. Esses produtos e serviços controlados pelas três esferas de poder não obedecem à lei de mercado, mas sim às variações dos índices de inflação como o IPCA, IPC, IGPM, que sobem em um dado período determinado elevando o custo de vida da maioria da população. O discurso de que o povo continua consumindo porque está havendo mais competição entre os bancos é um erro, uma vez que o chamado desconto em folha só atinge um número mínimo de pessoas no mercado consumidor brasileiro, que nem chega a 1%. O grande achado do comércio é a sua-vização dos juros do crediário, pois se isso não for feito haverá uma grande quebradeira, tanto das pessoas físicas como das empresas que não resistiriam a um aumento tão grande da inadimplência e com isso a circulação do dinheiro continua em alta irrigando o consumo.

Bento Pereira