Homenagem: Elisa Branco

Faleceu no dia 8 de junho, em São Paulo, a comunista histórica Elisa Branco Batista, 87 anos, membro da direção nacional do Partido Comunista, Marxista-leninista (PCML). Elisa Branco participou ativamente para a refundação de seu Partido e do Congresso de refundação, realizado no Rio de Janeiro, nos dias 24, 25 e 26 de março de 2000, dedicando-lhe sua rica experiência e força moral.

Elisa Branco

Sempre na luta, camarada!

 

Faleceu no dia 8 de junho, em São Paulo, a comunista histórica Elisa Branco Batista, 87 anos, membro da direção nacional do Partido Comunista, Marxista-leninista (PCML). Elisa Branco participou ativamente para a refundação de seu Partido e do Congresso de refundação, realizado no Rio de Janeiro, nos dias 24, 25 e 26 de março de 2000, dedicando-lhe sua rica experiência e força moral.

Leia Nota Oficial do PCML em homenagem a Elisa Branco

Elisa iniciou sua militância política ainda muito jovem, acompanhando os passos de Prestes e as lutas do Partido Comunista. Entrou na Federação das Mulheres do Estado de São Paulo e logo se destacou na liderança na luta contra o envio de soldados para a guerra ianque na Coréia, na década de 50. A sua contribuição nesta luta foi decisiva para que o governo reacionário e pró-EUA de Dutra recuasse em sua decisão de enviar os soldados para a guerra. Como reconhecimento internacional de tal luta, Elisa recebeu o prêmio Stálin da paz, na URSS.

Em uma das entrevistas concedida ao INVERTA, Elisa falou de sua origem e de seu exemplo de disciplina revolucionária e firmeza ideológica. Paulista de Barretos, filha de um comerciante de madeiras, que faleceu quando ela estava com seis anos; viveu com a mãe e seis irmãos na cidade, até completar dezoito anos, quando foi São Paulo aprendeu o ofício de costureira e posteriormente se casou: “Como em Barretos não tinha nada para a mulher trabalhar, na época ela só poderia ser dona de casa eu vim para São Paulo. Aqui eu aprendi a costurar com minha prima. Primeiro costurava roupas para mulheres, depois para homens em alfaiataria. Aqui em São Paulo eu me casei com o Norberto”.

Elisa Branco falou de seu contato com o Partido Comunista na época da prisão de Prestes, no governo de Vargas: “Assim que eu fui tomando gosto pela vida de Prestes, pelo Partido. Assim comecei a fazer as tarefas do Partido, participei e trabalhei em todas as lutas do Partido. Eu era nesta época mais prestista do que comunista. Nesse processo, eu fui superando minha tendência anarquista, porque eu tinha idéias anarquistas sem saber o que era e porque era”.

Teve uma militância ativa na Federação das Mulheres de São Paulo, onde era um dos quadros destacados do Partido para o recrutamento de quadros, organizando na Federação uma decisiva luta contra o envio de soldados brasileiros para participar da guerra dos Estados Unidos na Coréia: “Partimos para organizar um trabalho contra o envio das tropas. Nós da Federação das Mulheres e do Partido fizemos uma luta muito bem feita que acabou fazendo o governo desistir e não mandar mais nenhum soldado para a guerra”.

Em plena manifestação de 7 de setembro, Elisa abriu uma faixa de 5 metros, com a palavra de ordem : “Os soldados, nossos filhos, não irão para a Coréia”, recebendo os aplausos e o apoio da multidão, antes de ser presa e levada para o DOPS, onde ficou oito dias incomunicável. Posteriormente foi condenada a quatro anos de prisão, sendo libertada após cumprir dois anos de pena, absolvida por voto minerva, pois o presidente do júri declarou, ao dar o voto a favor de Elisa, que também não levaria o filho para a guerra.

Após sair da prisão, Elisa tornou-se um dos exemplos do internacionalismo proletário. Após realizar atividades por todo país, reportando a luta de São Paulo. E de lá partiu para a Europa, onde participou de vários Congressos de Mulheres. Foi chamada também para ir à Rússia, onde estava sendo realizado o Congresso pela Paz: “ninguém tinha me falado que eu ia receber o prêmio. Me chamaram para a mesa e, para minha surpresa, me entregaram o prêmio Lênin. Lá eu fiz um discurso muito grande, e acho que foi muito bom porque todo mundo me aclamou”.

 

 

Sobre a Refundação do Partido Comunista, Marxista-leninista, (PCML)

 

“Eu acho que está na hora de o Partido aparecer mesmo. Toda vida o Partido teve presente nas piores situações. E o partido revolucionário precisa aparecer de novo. A gente precisa procurar o momento oportuno para mudar as coisas. Mas a gente precisa fazer um mudança radical nas organizações existentes. Precisamos primeiro conquistar as massas trabalhadoras. Temos que saber o que fazer para poder colher os frutos, senão não se aproveita nada”.

“ A política que a gente deve fazer é a política que venha para o interesse de nosso povo, interesse da classe operária. A coisa está muito ruim, há muita coisa para tapear o povo. Mas, como nós somos teimosos, nós vamos teimar até que dê certo”.