Declarações sobre o golpe militar

Qual o significado dos 30 anos do golpe militar?

"O Golpe Militar de 1964 foi comandado de fora e necessita de estudos mais profundos em relação ao componente norte-americano, tanto do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar Gen. Vernon Walters, como da CIA e das empresas interessadas na apropriação colonialista de nossos recursos naturais. São eles os maiores beneficiários do golpe. Com isto se verá que grande parte dos militares foi apenas omissa. Seu comportamento ulterior em defesa da restauração dos princípios democráticos, das empresas estatais estratégicas e da mineração, na elaboração da Carta de 1988 e, mais recentemente, impede uma condenação geral e cega das Forças Armadas. Há gorilas, mas há democratas e patriotas."

Osny Duarte Pereira

 

"O Golpe de 64 começou muito antes. Não foi à toa que Jânio perdeu o poder. E não veio sozinho mas com o apoio e o incentivo do imperialismo norte-americano que há longos anos intervém na vida política e cultural deste continente.

Foram muitos anos de escuridão e tortura. Um período que ainda hoje nos revolta, difícil de esquecer."

Oscar Niemeyer (arquiteto)

 

"A chamada ‘Revolução Redentora’ ocorreu a 1o de abril de 64 e foi, na realidade, um golpe de Estado promovido pelas forças mais reacionárias do país, atendendo aos interesses do grande capital internacionalizado. Criou-se assim, um regime ditatorial - fascista em alguns aspectos-, cujo objetivo principal foi esmagar as lutas populares visando assegurar o êxito do modelo econômico de desenvolvimento associado dependente. O resultado está aí: concentração de renda acelerada e, em consequência, miséria crescente para o povo."

Anita Leocádia Prestes (historiadora)

 

"Tudo o que 64 fez está morto; as idéias que inventaram estão exaustas, terminadas e tudo - que implantaram está ultrapassado. O modelo econômico vigente, uma extensão do golpe e da ditadura, está no fim, pois suas regras não mais interessam sequer aos dominadores.

O projeto popular necessário, que virá com a luta política da eleição de 1994, é o da restauração da simplicidade para a nossa gente, que se livrará das "plantas exóticas" criadas desde a ditadura a partir de uma lavagem cerebral realizada pelos meios de comunicação, transformados pelo sistema em instrumentos de dominação.

O modelo internacional de dominação definhará porque as próprias regras traçadas em Bretton Woods não servem mais nem mesmo para os Estados Unidos, "que terão que ir conosco ao GATT, para tentar as modificações urgentes". Tudo o que foi implantado pelo golpe de 64 está morto e superado."

Leonel Brizola (governador do Estado do Rio de Janeiro)

 

Publicada na edição 28 do Jornal Inverta em 1º de abril de 1994