Carta de um Fidel
Os governos da região, como Peru (outubro de 2025), Equador (março de 2026) e Costa Rica (março de 2026), são um exemplo de uma política colonial dos atuais presidentes da região. Essas ações se enquadram na ampliação da política hostil dos Estados Unidos em relação a Cuba; e mais do que ações políticas soberanas, são tentativas desesperadas dos presidentes desses países de fazer parte das novas colônias dos EUA.
Segundo relataram cada um dos países mencionados, a justificativa para a expulsão dos diplomatas cubanos foi “intervenção em assuntos internos do Estado”, embora nenhum tenha demonstrado com provas reais tais afirmações.
Na minha reflexão sobre o porquê dessas ações, lembrei-me porque me chamo Fidel.
Cuba, para mim, esteve presente até mesmo antes do meu nascimento. Cuba, Fidel, Che, Camilo são como os tios que não conheci, mas cujos nomes ouvi uma e mil vezes relatados na minha infância, adolescência, juventude e agora continuam sendo parte de mim.
Meu pai, Fernando Viteri, no início da década de 70 do século XX, saiu exilado do Equador para o Chile (na época do governo de Salvador Allende), pois estava sendo procurado por ter colocado, junto com outros companheiros, explosivos nas embaixadas de vários países latino-americanos que romperam relações com Cuba.
Depois, minha mãe se juntou à luta política e à via armada, fruto da influência cubana em sua formação política, tentando aplicar a teoria do “foco guerrilheiro” no Equador. Eles se conheceram no seio da luta armada e formaram uma família: mais do que comunista, uma família fidelista e guevarista.
Assim nasci eu, há mais de 30 anos, sendo nomeado pelos meus pais como Fidel Ernesto, como forma de homenagear dois homens imprescindíveis, os dois homens novos nos quais se inspiram estas letras e um universo de pessoas que cresceram, durante 67 anos, com o imaginário de conquistar a liberdade como fez o Farol Antilhano.
Lembro como eles choraram ao ouvir o discurso de Fidel na chegada dos restos mortais de “Che” à ilha; como aquele retorno não foi apenas uma ferida que tentava cicatrizar em Cuba, mas no mundo inteiro, incluindo minha família; como marcou minha infância ver os restos do Guerrilheiro Heroico retornarem à sua ilha junto com Fidel e todo um povo que o fez seu.
Os anos se passaram. Em meio a tantos anos, lembro-me, já no novo século, da participação de meus pais e da minha nas atividades de Solidariedade a Cuba, na Fundação Guayasamín, percorrendo com o corpo diplomático cubano os corredores da mesma, enquanto se entoavam os sons de Carlos Puebla, as canções de Silvio e Pablo, enquanto se discutia como tentar pôr fim ao bloqueio econômico por meio de ações nas universidades, nas ruas e nos jornais.
Só depois da minha primeira vez na Ilha entendi a necessidade de lutar por ela, de seguir o exemplo de Fidel. Fazendo trabalho voluntário, entendi que Cuba é mais do que a Ilha rebelde: é um povo que trabalha, luta e resiste às injustas medidas econômicas impostas por quem, durante anos, foi a potência mundial; e esse exemplo, que está a apenas 90 milhas, é o que lhes dói.
Hoje voltam a soar os tambores de guerra que ameaçam arrasar a paz de um povo martiano, fidelista, revolucionário. Mas, em todos os continentes, existem milhares de Fidéis dispostos a se sacrificar por Cuba, pelo Farol da humanidade, que ilumina com dignidade, solidariedade e coragem os povos que lutam para mudar este trágico modelo econômico que nos afunda na miséria.
Nascido na latitude zero, este Fidel também pede, como já fez Silvio Rodríguez, seu AKM, para que, no momento necessário, possa empunhá-lo e defender essa Ilha cubana, que é de todos os povos oprimidos. Tenham certeza, cubanos: em todo o mundo, há milhares de Fidéis que iremos quando a sombra do jugo tentar pisotear, com suas botas manchadas de sangue inocente, a sua Ilha. Esse é meu presente pelo centenário do Comandante em chefe Fidel Castro Ruz.
Por Fidel Viteri
Publicado pelo Inverta em 30 de julho de 2026

