Chamamento ao Congresso Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo

Chamamos todas as lutadoras e lutadores do povo brasileiro para a construção do Congresso Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo (CNLN) para com ele pôr em prática a necessidade histórica de nossa união, resistência e para empreendermos uma marcha imparável na direção da soberania, dignidade e verdadeira liberdade de nosso povo

“Uma ideia Justa desde o fundo de uma caverna pode mais que um exército” José Martí.

Chamamos todas as lutadoras e lutadores do povo brasileiro para a construção do Congresso Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo (CNLN) para com ele pôr em prática a necessidade histórica de nossa união, resistência e para empreendermos uma marcha imparável na direção da soberania, dignidade e verdadeira liberdade de nosso povo. Portanto,  pôr fim à opressão e exploração, às humilhações, ao massacre de nossa juventude e povo trabalhador. Nossa luta começou com a primeira flecha que o primeiro índio atirou contra o primeiro invasor. Desde este dia distante, essa marcha teve início e é irrefreável. Todos os homens e mulheres sérios (as), comprometidos (as), honestos (as) e que desejam um país justo e livre dão seguimento a esta luta.

Nosso povo se resume na palavra luta e não pararemos até conquistar nossa verdadeira independência e liberdade. São inúmeros os exemplos de resistência e heroísmo. Somos herdeiros das melhores tradições revolucionárias, como a histórica Confederação Indígena dos Tamoios, de 1554, primeira experiência de luta organizada e unitária contra os invasores. A revolta de Felipe dos Santos contra os abusos da coroa e prelúdio das lutas da Inconfidência Mineira. A resistência histórica do Quilombo dos Palmares, a revolta dos Malês, a Cabanagem e a Balaiada, todas as revoltas dos que foram escravizados, trabalhadores, camponeses que não aceitavam a servidão e a exploração que lhes impunham. A guerra do Contestado contra as desocupações de terras e a guerra de Canudos. Todas essas e muitas outras foram insurgências populares que não se detiveram mesmo lutando contra exércitos numericamente superiores em soldados e armas.

A heróica Coluna Prestes, maior marcha militar da história da humanidade, a Coluna Invicta de mais de mil batalhas, movimento que teve início ainda em 1922 com a bravura dos Dezoito do Forte, seguindo-se do levante armado na cidade de São Paulo,  comandados por Miguel Costa e Isidoro Lopes,  que fez a cidade proletária ferver até se unirem às tropas lideradas pelo Cavaleiro da Esperança e formarem a heróica coluna.

Tamanhas façanhas mostram a força de nosso povo. O levante comunista de 1935 liderado pela ANL (Aliança Nacional Libertadora),  primeira aliança anti-fascista do mundo,  movimento que revoltou o país e tomou o controle de Natal no Rio Grande do Norte e em apenas quatro dias de governo popular revolucionário extinguiu as tarifas de bondes e o transporte coletivo tornou-se gratuito, foram confiscados o dinheiro dos bancos e distribuídos aos mais pobres e muitos brasileiros e brasileiras comeram carne pela primeira vez naquele dia. O movimento foi cercado e derrotado, porém seu exemplo segue para mostrar o que um governo revolucionário poderia fazer pelo país.

A luta contra o golpe de 1964 foi um capítulo de resistência. Homens e mulheres levantados em armas enfrentaram os anos de chumbo com bravura e determinação, desde Caparaó até Araguaia, passando pelas lutas dos que organizados estiveram dispostos a dar a vida em nome da liberdade. Corre em nossas veias o sangue destes homens e mulheres, corre em nossas veias o sangue de Carlos Lamarca, Bacuri, Iara Iavelberg, Heleni Guariba e Carlos Marighella.

As lutas pela redemocratização e pelas diretas já e todas as lutas populares que se seguiram no campo e nas cidades mostram também o espírito deste povo que não foge a luta, chegando até o enfrentamento do atual golpe contra o qual já denunciávamos e combatíamos desde 2014, como golpe eleitoral, até o golpe parlamentar de 2016.

Bate em nosso peito o coração daquele índio que atirou a primeira flecha, corre em nossa veias o sangue de todos os (as) brasileiro (as) que se levantaram em nome da justiça. Há mais de 500 anos resistimos com amor e fúria em busca da verdadeira liberdade.

O Congresso de Lutas Contra o Neoliberalismo, movimento que, desde os anos 90 do século passado,  se empenha em organizar as lutas com comitês em favelas, ocupações urbanas e no campo, em lutas sindicais, associações de moradores, comitês de luta pela saúde, por segurança,  enfim pela vida e felicidade do povo brasileiro. Hoje chamamos a todos os homens e mulheres deste vasto Brasil, do campo, das cidades, das vilas e favelas, das malocas e alagados, de norte a sul e leste a oeste, a se organizarem em uma luta definitiva contra a opressão e contra a miséria.

Nesse momento de crise profunda, geral, estrutural e orgânica do capital e de seu sistema, as elites unem-se em altas cúpulas para planejar como operarão sua ofensiva neoliberal que apenas é aumentar o parasitismo ao povo trabalhador. Juraram não medir esforços para nos fazer sangrar até a última gota. Por isso, não nos enganemos! Mesmo que pareça que eles estão mais fortes do que nunca, nos impondo derrotas, retirando nossos direitos mais fundamentais, tudo que fazem é por puro desespero frente ao momento de maior fragilidade de seu sistema em séculos de domínio. Por isso, é esse o nosso momento de avançar com uma iniciativa ousada capaz de unir o potencial de luta de todo um povo.

Basta de dar a vida trabalhando sem que isso resulte em benefícios para nosso povo, precisamos resistir atacando a tática do inimigo: o neoliberalismo. Basta de servidão! É chegada a hora da soberania do povo.

Para pôr em prática essa luta de unir cada trabalhador e trabalhadora em cada canto do país é preciso espalhar milhares de comitês de luta que representem todas as bandeiras e causas justas de nosso povo que devem, por sua vez, se unir em um movimento aberto, democrático, popular e revolucionário. Aqui não se trata de eleger um político qualquer a um cargo qualquer, o CNLN não rejeita as urnas, mas afirma com clareza que nosso objetivo é organizar o povo em nome do povo. Chega de se organizar apenas de dois em dois ou de quatro em quatro anos. É chegada a hora de superar essa tática para conseguir elevar nossas lutas.

Que seja a luta contra os sofrimentos diários das mulheres frente à desigualdade de direitos e condições entre os gêneros, contra o racismo estrutural e seus desdobramentos, a luta LGBTQI+, dos(as) operários(as), dos(a) verdadeiros(as) cristãos(ãs), dos militares comprometidos com a pátria, dos (das) trabalhadores (as) informais, dos (as) trabalhadores (as) do comércio, dos(as) trabalhadores(as) da educação e da saúde, dos (das) estudantes, dos pais e das mães de famílias que lutam pelo futuro de seus filhos e filhas. Dos homens e mulheres que constroem esse país todos os dias, dos que acordam cedo, dos que não sentam em cadeiras acolchoadas nem vivem de banquete em banquete, é chegada a hora da vitória estratégica dos que fazem o Brasil acontecer.

O Congresso Nacional de Lutas contra o Neoliberalismo será a voz e o coração deste povo, será tudo que esse congresso nacional de Brasília, fétido e apodrecido não é. Será feito com nossas mãos, terá nele nossos rostos e representará em si nossa vontade.

Talvez existam aquelas pessoas que ainda tenham medo, que ainda se sintam incapazes. E existirão aqueles que nos apontarão o dedo e dirão ser impossível. Nós já lutamos contra reis, já lutamos contra impérios, já lutamos contra a escravidão, já lutamos contra o fascismo e contra ditaduras. Para o povo organizado e unido com uma idéia justa na cabeça nada é impossível. Essa idéia justa se converterá em força material e virá de todas as partes em forma de comitês de luta com uma força tão avassaladora quanto nosso amor pela liberdade e nossa fúria contra todas as injustiças que vivemos.

Unir as lutas, chega dos debates vazios e das separações descabidas. É chegada a hora da virada.

Organizar centenas de milhares de comitês por esse vasto país como embriões de um novo Brasil!

Trincheiras de ideias valem mais que trincheiras de pedras!

TODOS OS DIAS HAVERÃO DE SER NOSSOS!
OUSAR LUTAR! OUSAR VENCER!
CONGRESSO NACIONAL DE LUTAS CONTRA O NEOLIBERALISMO

Site do XIV Seminário: https://seminario2019.ceppes.org.br/